Net é o cabo mais fraco do nó com a Claro e a Embratel - Relatório Reservado

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Net é o cabo mais fraco do nó com a Claro e a Embratel

  • 13/10/2011
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Está aberto o processo de seleção natural na gestão das empresas de Carlos Slim no Brasil. A provável integração entre Claro, Net e Embratel deverá provocar uma inexorável desintegração de executivos na cadeia de comando da América Móvil no país. Com a unificação operacional e, consequentemente, administrativa, dificilmente haverá espaço sob o mesmo teto para a coabitação dos atuais presidentes das três companhias, ao menos não com poderes isonômicos, como ocorre hoje. Por ora, dentro das próprias empresas ninguém se arrisca a dizer quem será o comandante-em-chefe dos negócios de Slim no Brasil. No entanto, ninguém tem dúvidas em afirmar quem é o principal candidato a sobrar neste processo darwiniano: o presidente da Net, José Felix. O executivo é considerado o elo mais fraco da estrutura de poder da América Móvil no país. A fragilidade de José Felix não tem qualquer relação com o desempenho da Net. Pelo contrário. Entre as três empresas, muito provavelmente a operadora de TV a cabo é aquela que ostenta a melhor rentabilidade, o que, a bem da verdade, não chega a ser uma surpresa. Espantoso seria se uma empresa praticamente monopolista tivesse uma performance negativa. O que realmente joga contra Félix é a distância que o separa do Olimpo. Dos três presidentes, o nº 1 da Net é disparadamente o que menos tem relação com Carlos Slim e seu genro Daniel Hajj, braço direito e esquerdo do homem mais rico do mundo. Neste quesito, compará-lo a José Formoso Martínez e Carlos Zenteno é até covardia. Martínez, presidente da Embratel, tem uma longa história dentro da América Móvil e goza de grande prestígio junto a Slim e Hajj. Zenteno, por sua vez, ganhou fama de ser um acertador de empresas em dificuldades. Foi assim na Claro Argentina. Em seis anos de gestão, ele multiplicou por dez a base de clientes. Um sinal do prestígio de Zenteno junto a  matriz foi visto no noticiário recentemente. Ele foi o porta-voz do anúncio do investimento de R$ 10 bilhões que o grupo mexicano fará no mercado brasileiro. Outro fator conspira contra José Félix. Além de não ter uma relação orgânica com o comando da América Móvil, Félix está absolutamente identificado como o homem dos Marinho na Net. Trata-se de uma ligação que tem grande valor no presente, mas não necessariamente no futuro. Carlos Slim está apenas esperando a aprovação do Projeto de Lei nº 29, que permite a investidores estrangeiros deter o controle de operadoras de TV a Cabo, para dar o bote, comprar a participação da família Marinho e se tornar o acionista majoritário da companhia. A suposta fragilidade de José Félix não quer dizer que ele vá ser defenestrado do grupo. Ele pode até ficar, mas, vis-a -vis Zenteno e Martínez, dificilmente terá poder suficiente para assumir a proa dos negócios de Slim no Brasil. Isso já basta para alimentar um clima de apreensão entre os diretores da Net. É líquido e certo que a consolidação administrativa da Claro, Net e Embratel se espraiará do topo para a base da pirâmide, atingindo diferentes níveis hierárquicos. É mais do que natural que os mexicanos limem qualquer tipo de sobreposição. O temor na diretoria da Net é que o menor handcap de José Felix seja transferido, quase que por osmose, para a própria empresa, tornando- a uma carta de menor valor no baralho de Slim. Neste caso, a perda de status do rei de ouros significaria também a derrocada de valetes, damas e de naipes ainda mais baixos. O mundo, definitivamente, não é dos Nets.

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