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Acervo RR
O Cade tornou-se uma rinha de galos. Em um lado do terreiro, estão os conselheiros do órgão; do outro, um grupo de políticos da base aliada munidos de bicos e esporas muito bem afiados. Os integrantes do Cade estariam recebendo forte pressão nos bastidores para autorizar a venda da Doux Frangosul a Brasil Foods (BRF). A tropa de elite seria encabeçada pelo próprio governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, pelo presidente da Câmara dos Deputados, o também gaúcho Marco Maia, e pelo líder da bancada gaúcha no Congresso, o deputado petista Paulo Pimenta, todos escoltados por diversos parlamentares ligados ao setor agroavícola. Na semana passada, o trio teria mantido contatos com o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, para tratar do assunto. Em Brasília, o movimento já ganhou o jocoso apelido de -bancada do cocoricó-. Os galos de briga ao redor dos conselheiros argumentam que a transferência da Doux Frangosul para a BRF é a última possibilidade de salvamento da empresa gaúcha, que passa por séria crise financeira há mais de dois anos, com sucessivos atrasos no pagamento aos fornecedores. Os políticos gaúchos batem na tecla de que a negociação é condição sine qua non para evitar uma crise sistêmica, com a quebra de centenas de produtores de aves do estado – na maioria dos casos, famílias donas de pequenas propriedades de terra. Os conselheiros do Cade tentam se esquivar do ataque como podem. Há dois meses, a instituição foi oficialmente avisada pela direção da BRF sobre as negociações para a compra da Doux Frangosul. Prontamente, alguns conselheiros do órgão antitruste vetaram a negociação. No entendimento do Cade, a companhia está no limite do limite e só poderá adquirir ativos no Brasil após se desfazer de uma série de operações, de acordo com o Termo de Compromisso de Desempenho (TCD) firmado com a própria instituição por ocasião do julgamento da fusão entre Sadia e Perdigão.
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