Brasil sai da área de cobertura dos celulares da LG - Relatório Reservado

Acervo RR

Brasil sai da área de cobertura dos celulares da LG

  • 23/09/2011
    • Share

A recente demissão de 200 funcionários da fábrica da LG em Taubaté (SP) é apenas uma marola na arrebentação da praia. As ondas mais devastadoras ainda estão por chegar. O grupo sul-coreano estuda encerrar a produção de celulares no Brasil, uma das principais operações da subsidiária. A medida representaria uma nova e, desta vez, bem mais sangrenta temporada de cortes na unidade de Taubaté, na qual são produzidos também notebooks e monitores. Informações filtradas junto ao sindicato local indicam que a navalhada pode afetar até 800 trabalhadores. Será a maior carnificina de trabalhadores já feita pela empresa desde que chegou ao país, há 15 anos. A intenção da LG é concentrar toda a fabricação de handsets na asia, onde os custos fiscais e de mão de obra são notoriamente mais baixos. Estudos já feitos pelos sul-coreanos mostram que será possível manter os preços dos aparelhos comercializados no Brasil mesmo com a sua importação. Procurada pelo RR, a LG negou o encerramento da produção de celulares no Brasil. A eventual suspensão da produção de celulares no país é motivada por fatores macro e microestratégicos. A decisão não pode ser dissociada do vendaval que está atingindo a divisão de telefonia da LG em todo o mundo. Pressionada por cinco trimestres consecutivos no vermelho, a empresa anunciou recentemente um corte global equivalente a um terço dos postos de trabalho neste segmento. Seria um preparativo para medidas mais drásticas, como o fechamento de fábricas. Além de questões de ordem global, a direção da LG está particularmente insatisfeita com a unidade de celulares no Brasil. Em maio deste ano, o executivo Jan Petter Kjekshus assumiu o comando da operação no lugar de Marcos Daniel de Souza, que deixou o cargo levando sobre os ombros a culpa pela queda de market share da empresa – ver RR nº 4.048. Em sua gestão, a LG inexplicavelmente rompeu acordos com importantes redes varejistas e viu sua participação em mercado cair de 26% para 22%. Kjekshus chegou com a missão de dar um choque elétrico na área comercial. Tem caprichado na voltagem. Sua gestão estaria causando desgastes com outros executivos e com os profissionais da área de vendas, tamanho o nível de estresse e de cobranças. A tática do chicote, no entanto, ainda não se reverteu em resultados. A LG não tem conseguido ampliar seu market share e muito menos a rentabilidade da operação, o que só faz aumentar a disposição dos sul-coreanos de desligar de vez a produção de celulares no Brasil.

Leia Também

Todos os direitos reservados 1966-2026.

Rolar para cima