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Acervo RR
Ainda não chega a ser caso de fratura familiar. Mas o futuro da Esmaltec estaria provocando discordâncias entre os herdeiros do Grupo Edson Queiroz, um dos maiores conglomerados industriais e da área de mídia do Nordeste. Parte do clã, notadamente integrantes da segunda e terceira gerações (filhos e netos do fundador, Edson Queiroz), seria favorável a venda da fabricante de fogões. Enfrenta, no entanto, a resistência da matriarca, Yolanda Queiroz. Viúva de Edson Queiroz e presidente do grupo, Yolanda é contra a negociação da subsidiária, postura que tem gerado discussões um pouco mais acaloradas com os herdeiros. Procurada pelo RR, a Esmaltec não se pronunciou até o fechamento desta edição. Os acionistas que fazem pressão pela venda usam como bandeira o resfriamento financeiro da Esmaltec. A companhia tem enfrentado queda de lucro, estagnação das vendas e redução das exportações. Há cerca de dois anos, as vendas internacionais representavam 15% da receita. No ano passado, este índice caiu para 8% e a expectativa é que gire em torno de 6% em 2011. Os resultados também não são dos mais animadores. Em 2010, os ganhos caíram 5%. Para este ano, a previsão é que a receita fique praticamente estagnada em relação a 2010, quando a Esmaltec registrou vendas de R$ 700 milhões. Além dos números frustrantes, o assédio alheio também tem funcionado como uma injeção de hormônios entre os herdeiros pró-venda da empresa. A mexicana Mabe, dona de um cinturão de marcas no Brasil (GE, Dako, Bosch e Continental), tem cercado a Esmaltec por todos os lados. A Esmaltec sempre foi uma das mais conhecidas e vendidas marcas de fogão do mercado brasileiro, especialmente para as classes C e D. No entanto, nos últimos anos, tem encontrado dificuldades para enfrentar a concorrência com grandes grupos internacionais, como a própria GE/Mabe, Whirlpool (Consul e Brastemp) e Electrolux. Mais recentemente, surgiram outros adversários: os fabricantes chineses, que têm entrado no país com as seis bocas acesas, oferecendo fogões populares importados a preços iguais ou mais baixos do que os praticados pelas indústrias com fabricação local. A Esmaltec ressente-se ainda de uma estrutura logística mais abrangente, que lhe permita ampliar sua distribuição em outras regiões – a maior parte das vendas está concentrada no Nordeste.
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