Kia derruba fábrica de Gandini ainda na planta - Relatório Reservado

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Kia derruba fábrica de Gandini ainda na planta

  • 30/08/2011
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José Luiz Gandini está desenvolvendo uma relação bipolar com a Kia Motors. A mesma companhia que lhe permite ser o todo-poderoso da operação brasileira é a mesma que o afasta, cada vez mais, de seu maior projeto empresarial: ter uma fábrica própria no país. O assunto já deixou o campo da negociação e das tratativas amistosas e hoje se desenrola em níveis menos diplomáticos. Gandini reabriu conversações com a Kia em torno do projeto. Mas, desta vez, subiu o tom e tem feito pressão sobre os sul-coreanos, valendo-se, principalmente, do argumento de que o volume de veículos importados da matriz não vem sendo suficiente para atender a  demanda. Bate também na tecla de que a ausência de uma fábrica é uma grande desvantagem em relação a concorrentes diretos, como Hyundai e Mitsubishi. A Kia Motors não se dobra. Mais uma vez, sinalizou ser contra o projeto, principalmente nas condições ambicionadas por Gandini, consideradas pelos sul-coreanos como um despropósito. O empresário quer compartilhar o controle da fábrica na base do fifty to fifty, mas não estaria disposto a dividir o investimento na mesma proporção, jogando a maior parte da conta no colo dos asiáticos. Alega que seria uma contrapartida ao maior desembolso feito por ele nas áreas comercial e, principalmente, de marketing na subsidiária brasileira. Procurada pelo RR – Negócios & Finanças, a Kia Motors do Brasil informou que – não há negociação em andamento- com a matriz em relação a este assunto. Como se não bastassem as divergências quanto a  partilha dos investimentos, a direção da Kia Motors não morre de amores pelo projeto de construção de uma fábrica no Brasil. Cautelosos, os sul-coreanos acham que não é hora de partir para um empreendimento que pode passar dos US$ 300 milhões. A Kia entende que ainda precisa ter uma massa crítica maior no país, não obstante o bom momento do mercado automobilístico brasileiro e, mais especificamente, da própria subsidiária. Em maio, por exemplo, a empresa chegou a 8,1 mil emplacamentos, seu recorde mensal em quase 20 anos no país. Além disso, os sul-coreanos estão ressabiados com a crise financeira mundial, mesmo problema que os levou a desistir do projeto em 2008. A postura da matriz serve como um freio de mão nos planos de Gandini. Sem a fábrica brasileira e com dificuldades de negociar a importação de um volume maior de automóveis, o empresário estaria reavaliando os investimentos na expansão da rede de concessionárias da Kia no Brasil. Em tempo: não custa lembrar que a Kia ainda está envolvida em um imbróglio tributário com o governo brasileiro. Nos anos 90, a Asia Motors valeuse de benefícios fiscais na importação de veículos sob a justificativa de construir uma fábrica no Brasil, que jamais saiu do papel. A empresa foi comprada pela Kia, que, no entendimento da Justiça, seria sucessora das dívidas tributárias. Gandini, no entanto, sabe que este problema poderia ser equacionado com razoável facilidade se a Kia Motors estalasse dois dedos.

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