Tombini não sai da moita do BC - Relatório Reservado

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Tombini não sai da moita do BC

  • 21/07/2011
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O rating do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, no Palácio do Planalto é proporcional ao tamanho da sua discrição. Tombini não bate de frente com ninguém dentro do governo, é prudente na adoção de medidas, tem uma excelente comunicação com os stakeholders e pilota o BC com os olhos vendados. Ao contrário de Henrique Meirelles, que, não obstante o porte garboso de autoridade monetária, parecia estar sempre desfilando em uma passarela, Tombini não tem pretensões de seguir carreira na Broadway. Suas sinalizações são feitas em voz baixa, mas parecem ecoar até mesmo em meio aos estampidos de um campo de batalha. A mensagem sobre a necessidade de um ajuste fiscal para aparar os efeitos da gastança do ano passado sobre os preços partiu do BC de forma adocicada. A Fazenda acabou comprando como se fosse dela. Se fosse com Meirelles, se rasgavam em praça pública. Com Tombini, todo mundo sabe a fonte do recado, mas, mesmo assim, continua parecendo que a origem foi outra. O Planalto aplaudiu o jogo de cintura. O foco no fiscal, juntamente com as chamadas medidas macroprudenciais (notadamente aumento dos compulsórios bancários), permitiu uma elevação moderada da taxa Selic. Se fosse com Meirelles, a taxa básica já estaria em 14%. Mas, no estilo Tombini, devagar se vai ao longe. Dilma é grata por essa antevisão, pois a combinação dos escândalos de corrupção com uma guerra ideológica provocada por uma Selic sideral transformaria o início da gestão de Lula em um filme de Tom e Jerry se comparado com a alvorada do seu governo. Tombini olha muito para dentro de casa, ou seja, para as medidas microeconômicas que melhoram a eficiência do sistema e não chamam muito a atenção de ninguém. Coisas assim, como aperfeiçoamentos na liquidação bancária ou uma legislação para a falência de seguradoras. Ops, é segredo, hein! Olha para fora também, mas espia de lado. Atualmente está observando o tamanho dos bancos estatais. Estas instituições ficaram monumentais depois das injeções feitas pelo Tesouro para fazer frente a  crise externa. A permissividade com os limites de crédito desses bancos colide com as metas de inflação. É mais um assunto explosivo, e ninguém diz que Tombini está pensando nesse tema. Aliás, a boa regra é que quanto menos o presidente do Banco Central falar, melhor a sua performance. O titular da cadeira do BC acredita nessa máxima e pretende demonstrar que invisibilidade e geração de resultados são uma combinação adequada para qualquer autoridade monetária

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