ALL quer seu bilhete para o transporte de passageiros - Relatório Reservado

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ALL quer seu bilhete para o transporte de passageiros

  • 20/06/2011
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A América Latina Logística (ALL) montou um comboio de lobistas em Brasília. A tropa está acampada no Ministério dos Transportes e na ANTT. O motivo é o projeto de regulamentação do transporte ferroviário interestadual de passageiros. Segundo uma alta fonte da Casa Civil, a agência reguladora vai apresentar a  Presidência da República uma proposta de normatização deste modal até setembro. Entre as operadoras do setor de cargas, a ALL é uma das maiores interessadas em entrar no novo segmento. Sua frenética mobilização nos gabinetes de Brasília tem como objetivo convencer a ANTT a permitir que as atuais concessionárias possam ampliar o escopo de atuação, usando sua própria malha ferroviária para o transporte de passageiros. A ALL quer vida mansa. Sua intenção é evitar que as operadoras ferroviárias já constituídas tenham de disputar os leilões. As licitações ficariam restritas a novos investidores. Dentro do governo, este ponto é visto como a questão mais polêmica do projeto de regulamentação. O Ministério dos Transportes e a ANTT estão divididos. Há quem defenda regras isonômicas para gregos e troianos, sob o argumento de que este modelo aumentaria a disputa e permitiria ágios maiores nos leilões. Por outro lado, existe o temor de que as concessionárias de cargas ? algumas delas ainda a s voltas com investimentos previstos na licitação de suas malhas ferroviárias ? se desinteressem pelo negócio caso tenham de entrar na licitação. A própria presidente Dilma Rousseff é a principal entusiasta em fomentar o transporte ferroviário de passageiros no país ? vide sua obsessão pelo trem-bala entre Rio e São Paulo. A ALL, por sua vez, aproveita a hesitação do governo para fazer pressão. Sinaliza que só investirá na operação se puder explorar sua malha ferroviária, sem a necessidade de entrar na disputa por outros trechos. A empresa já acenou com investimentos de até R$ 1 bilhão para a compra de trens e construção de terminais de passageiros. No seu caso, o que seria o principal fator de custo já está amortizado: a instalação da linha férrea. Em contrapartida, a companhia quer mais. Pede ao governo a extensão do seu atual contrato de concessão em 15 anos, tempo que permitiria a maturação do investimento feito no transporte de passageiros.

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