Tecnisa manda governança para o quarto dos fundos - Relatório Reservado

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Tecnisa manda governança para o quarto dos fundos

  • 2/03/2011
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A governança corporativa está em xeque na Tecnisa. Desde que interrompeu bruscamente o processo de profissionalização da gestão e reassumiu a presidência da construtora, no início do ano passado, o acionista controlador Meyer Joseph Nigri cortou os pés e as mãos de seus principais executivos. Todos se tornaram títeres pendurados em um emaranhado de cordas comandadas exclusivamente por Nigri, que, nos últimos meses, vem dinamitando a autonomia do primeiro escalão da Tecnisa. O clima na construtora é de asfixia. Da compra de terrenos a  estratégia de lançamentos e ao marketing de vendas, todas as etapas do trabalho têm de passar pelo crivo do empresário. Como consequência, há um crescente clima de insatisfação dentro da empresa. Nos corredores da Tecnisa, fala-se até na deserção de executivos. Entre os principais descontentes estariam Carlos Alberto Julio, o presidente executivo defenestrado por Nigri e hoje encostado na vice-presidência do Conselho de Administração, e Douglas Duarte, diretor comercial. Duarte seria um dos executivos mais engessados pelo estilo autocêntrico imposto pelo acionista controlador, o que, inclusive, estaria provocando algumas desavenças entre ambos. Procurada pelo RR – Negócios & Finanças, a Tecnisa não se pronunciou alegando estar em quiet period. Nigri reduziu as verbas da área comercial para lançamentos imobiliários. No terceiro trimestre de 2010, as chamadas despesas com vendas corresponderam a 5% da receita líquida. Em igual período em 2009, este índice chegou a 6,3%. Neste quesito em específico, 1,3 ponto percentual é uma pequena fortuna. Representa alguns milhões a mais para anúncios na mídia e ações de marketing no próprio local do empreendimento. Em termos absolutos, a navalhada foi ainda mais significativa. Entre julho e setembro de 2010, o faturamento da Tecnisa foi de R$ 354 milhões. No mesmo trimestre no ano anterior, esta cifra não passou dos R$ 196 milhões. Outro ponto de discordância entre Nigri e a diretoria da Tecnisa estaria relacionada ao banco de terrenos da companhia. Apesar da recomendação contrária de seus executivos, o empresário aumentou a carteira de ativos da construtora. O volume subiu de R$ 6,5 bilhões para R$ 8,2 bilhões entre o terceiro trimestre de 2009 e o de 2010. Este aumento teve um efeito colateral. Foi um dos principais fatores para o salto do endividamento da empresa. Entre setembro de 2009 e setembro de 2010, o passivo de longo prazo subiu de R$ 334 milhões para R$ 891 milhões, um aumento de 166%. No mesmo período, o patrimônio líquido cresceu apenas 24%. Por outro lado, se o preço da recuperação da Tecnisa é um permanente estado de fricção com seus executivos, Meyer Joseph Nigri não parece nem um pouco incomodado em pagá-lo. Não obstante a retomada do mercado de construção civil como um todo, a empresa teve um salto de performance desde que o empresário reassumiu a gestão executiva. Entre janeiro e setembro de 2010, o Valor Geral de Vendas (VGV) foi de R$ 1,130 bilhão, contra R$ 439 milhões no mesmo período em 2009. No mesmo intervalo, o número de lançamentos passou de seis para 16 e o lucro bruto cresceu de R$ 191 milhões para R$ 259 milhões.

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