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Acervo RR
A Intel redescobriu o Brasil. Ao menos a julgar pelo anúncio de novos investimentos feitos recentemente em Davos por Keith Larson, vicepresidente da Intel Capital, braço de private equity do grupo. Mas também pode ter sido somente um agrado para reverter o ambiente de má vontade crescente no governo brasileiro em relação a empresa. As declarações de Larson teriam surpreendido até o novo presidente da Intel no Brasil, Fernando Martins. O executivo prepara-se para tourear uma série de problemas dentro e fora das fronteiras da companhia. Intramuros, seu maior desafio será administrar a insatisfação de seus pares na diretoria. O principal motivo do descontentamento são os cortes de bônus que teriam sido feitos pela matriz. Na visão dos próprios executivos no país, os norte-americanos trataram a subsidiária como uma peça de menor importância em sua engrenagem. O maior exemplo foi o período de acefalia administrativa. A Intel do Brasil permaneceu sem um presidente efetivo desde abril de 2010, quando Oscar Clarke foi para a HP. Desde então, a filial teve apenas presidentes interinos: primeiro Jesus Maximoff e, depois, Steven Long ? ambos ocuparam a diretoria-geral da Intel para a América Latina. Os elogios ao Brasil proferidos por Keith Larson foram recebidos com um pé atrás pelos próprios diretores da subsidiária. É bem verdade que a Intel Capital funciona como um termômetro das operações e estratégias da fabricante de chips. O investimento de uma significa o aporte de outra. Mas quando um anúncio é novidade demais causa estranheza até para quem torce por ele. Em meio a esta promessa, verdadeira ou não, de mais recursos, Fernando Martins vem empilhando bombas para desarmar. Uma delas é reverter a perda de autonomia administrativa da empresa no Brasil. A sensação no primeiro escalão da Intel é que a companhia se tornou uma gestora de contratos fechados pela matriz. Ao longo do último ano, o poder ficou excessivamente concentrado mãos do diretorgeral na América Latina. Vindo ou não vindo, o simples aceno de novos investimentos no Brasil tem um forte valor institucional para a Intel. A empresa tem pela frente o desafio de azeitar as relações com o governo. Desde a era Lula, há entre as autoridades um crescente descontentamento com qualquer coisa que diga respeito a Intel. O motivo é o descaso com que a empresa conduziu as negociações para a instalação de uma fábrica de chips no Brasil. O próprio Oscar Clarke, com a anuência da matriz, alimentou a promessa por muito tempo. No entanto, seus sucessores, talvez pelo próprio caráter interino do cargo, praticamente suspenderam a interlocução com o governo. Desse episódio da fábrica de chips, Keith Larson quer distância.
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