Trem-bala cruza sinuosos trilhos em ritmo de quelônio - Relatório Reservado

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Trem-bala cruza sinuosos trilhos em ritmo de quelônio

  • 7/02/2011
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O trem-bala parece fadado a ligar o nada a lugar nenhum. Um comboio de problemas ? tanto no próprio governo quanto entre os investidores pré-selecionados para o leilão ? ameaça a execução de um dos projetos mais conturbados da República. O maior risco a  implantação do empreendimento vem do próprio Planalto. A presidente Dilma Rousseff não demonstra o mesmo encantamento pelo projeto que tinha nos tempos de Casa Civil. Dilma tem feito repetidas objeções técnicas ao trem-bala, que, em todo caso, poderiam até ser contornadas em outro cenário. Mas a realidade mudou e com ela mudou também a disposição do governo de tocar um projeto superior a R$ 35 bilhões. O motivo principal é a necessidade de uma política fiscal mais austera. Há declarações formais da necessidade de cortes de gastos entre US$ 30 bilhões e US$ 50 bilhões. Ceifar o trembala ajudaria no cumprimento desta meta. Não bastassem essas questões orgânicas que caminham na direção contrária do trem-bala, existem problemas também dentro do único consórcio previamente habilitado para o leilão. Há uma diáspora no pool de investidores asiáticos qualificados para a licitação, até segunda ordem marcada para 29 de abril. O ponto de fratura é a Hyundai. O grupo sul-coreano ensaia sua retirada da operação com o objetivo de montar um consórcio próprio. Até aí, se surgisse mesmo um novo concorrente, dos males o menor. No entanto, a cisão acendeu a luz de emergência no governo. Não há qualquer sinal de que o spin-off vá resultar na formação de um novo player. A Hyundai se comprometeu a trazer para o negócio, entre outras estatais sul-coreanas, a Korea Rail Network Administration (KRNA). Até o momento, no entanto, o máximo que está tentando atrair para o novo consórcio é um fabricante de equipamentos ferroviários com produção no Brasil. A derrocada da Hyundai traz a reboque o risco de erosão do consórcio original, primeiro e único. Outros integrantes estão com um pé fora da tropa, a começar pela Trends Engenharia. Trata-se de uma baixa significativa. A empresa é vista pelos próprios investidores como o ponto de equilíbrio do consórcio. Ela atuou como meio de campo nas negociações com o governo da Coreia do Sul. Foi responsável também por atrair boa parte das 12 companhias do país asiático integrantes do pool. Há ainda outros insatisfeitos no pedaço, principalmente a Samsung e a Posco.

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