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Acervo RR
A disputa pelo comando da Valec está cada vez mais acalorada. O PT briga pela nomeação do ex-deputado federal Virgílio Guimarães, indicado pelo ministro Fernando Pimentel. Já o PR, do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, bate o pé pela permanência no cargo de José Francisco das Neves, mais conhecido como Juquinha. Trata-se de um duelo a futuro. PT e PR brigam não apenas pelo que a Valec é, mas pelo que virá a ser. Seu orçamento neste ano passará de R$ 2 bilhões para quase R$ 4 bilhões. Além disso, a estatal vai ganhar uma nova faceta. Além dos projetos no segmento de cargas, será também indutora de investimentos no transporte de passageiros. Para isso, deverá até ganhar uma nova subsidiária ? o que, pela ótica partidária, sempre significa algumas cadeiras a mais a serem ocupadas pela base aliada. Dentro deste novo escopo, o primeiro grande projeto da Valec seria a montagem de uma operação de passageiros na Transnordestina. Até junho, a Casa Civil e o Ministério dos Transportes deverão receber os primeiros estudos técnicos de viabilidade. PT e PR sabem muito bem por que vale tanto a pena se engalfinhar pelo controle da empresa. Cálculos preliminares apontam para um investimento de R$ 1 bilhão. Posteriormente, o mesmo procedimento se repetiria em outras ferrovias desenvolvidas sob a batuta da estatal, a começar pela Norte-Sul. O modelo em estudo no Ministério dos Transportes prevê uma diferença importante em relação ao atual modelo de atuação da Valec. Se, no transporte de cargas, a estatal licita as concessões e se mantém apenas como dona dos ativos físicos, desta vez ela entrará no capital dos consórcios e na própria operação da linha férrea. Será uma forma de diluir o risco do negócio, tornando-o mais atrativo para os investidores privados. Dentro do governo, é consenso de que a presença da Valec como acionista será determinante para o êxito do projeto e, em última linha, a própria ressurreição do modal ferroviário no transporte interestadual de passageiros. Em conversas preliminares com o Ministério dos Transportes e a Casa Civil, no ano passado, grupos privados como Itapemirim e Viação 1001 deixaram claro que só entram nesta história se tiverem o Estado como sócio. Seguindo por este caminho, não demora muito e a Valec acaba desembarcando também no consórcio responsável pela implantação do trem-bala, uma empreitada de quase R$ 40 bilhões. Aí, sim, é que o PT e o PR vão acabar pulando um na jugular do outro.
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