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Acervo RR
Na última segunda-feira, dia 18, data que ficou estipulada como Vale Day na Bolsa de Nova York, o Google registrava mais de um milhar de citações a reportagens, notas e entrevistas sobre a eventual saída de Roger Agnelli da companhia. No dia 19, esse número foi acrescido de mais uma centena de referências. Amanhã, é capaz de dar a mesma numeralha. Parafraseando o presidente Lula, nunca se viu na história deste país um moto contínuo igual na imprensa: toda a vez que o presidente da Vale desmente a especulação sobre sua saída, os jornais emprestam maior veracidade a versão do que a s suas declarações. O que por sua vez engendra novas perguntas sobre o mesmo tema. O que leva a nova reafirmação sobre a saída de Agnelli. E por aí vai, em um crescimento exponencial. Há quem diga, em tom de blague, que o assunto nunca mais vai sair dos jornais. Permaneça ou não Agnelli. O certo é que não se sabe o motivo de tão encarniçada perseguição. Se o presidente da Vale apresenta o melhor resultado da história, pergunta-se de ele vai ser demitido da companhia. Se ele retorna e anuncia um resultado melhor ainda, novamente pergunta-se se ele vai deixar a empresa. É como se fosse um aposto perverso do personagem, um estigma fatal, uma releitura midiática do mito de Sísifo. Na entrevista dada no Vale Day, logo após a tradicional cerimônia de tocar o sino na Bolsa, Agnelli empanzinou o mercado de extraordinárias informações sobre a performance e os investimentos da companhia. Adivinhem qual foi a pergunta dirigida ao executivo? Um dos presentes até fez um comentário em tom de pilhéria: do jeito alucinado que estão vendendo o peixe, tanto faz se o presidente fosse Obama, Sarkozy ou Chávez, que Agnelli seria carta fora do baralho. Uma coisa de Republiqueta. Uma atitude que desmoraliza o Brasil na Meca do capitalismo mundial. Devaneios a parte, a verdade é que Agnelli foi eleito bode expiatório pelos seus méritos. E a saga continua. Basta buscar no Google amanhã.
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