Diagnósticos da América promove apartheid societário - Relatório Reservado

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Diagnósticos da América promove apartheid societário

  • 23/09/2010
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São afiadas as agulhas usadas por Credit Suisse Hedging Griffo (CSHG), Tarpon Investments e HSBC, três dos principais acionistas da rede de laboratórios Diagnósticos da América (Dasa). Que o diga o empresário Edson Godoy Bueno, dono da Amil, que entrou recentemente no capital da companhia por meio da MD1 Diagnósticos. Não obstante ter se tornando um dos principais sócios da Dasa, com uma fatia de 12%, Bueno já percebeu que não vai ser fácil converter esta participação em poder decisório. CSHG, Tarpon e HSBC estão erguendo uma redoma para preservar seu status quo no comando da Dasa. O trio estaria se movimentando para comprar ações em poder de minoritários, notadamente gestores de private equity. Ao mesmo tempo, articula um aumento do número de cadeiras no Conselho de Administração com o objetivo de ampliar sua interferência na companhia. Desta maneira, os fundos se aproveitariam de um dispositivo incluído no acordo original com a MD1, pelo qual a empresa só tem direito a indicar um representante para o conselho da rede de laboratórios de análises clínicas. Procurada pelo RR – Negócios & Finanças, a Dasa informou que “é uma empresa de capital difuso e não tem qualquer ligação com as ações de seus acionistas, sendo eles majoritários ou minoritários.” Para todos os efeitos, CSHG, Tarpon e HSBC se agarram ao argumento de que é necessário represar o poder de Edson Bueno para evitar eventuais conflitos de interesse entre a Amil e as demais operadoras de planos de saúde com as quais a Dasa tem convênio. Pode até ser. Foi por esta razão que a MD1 ficou com apenas uma vaga no Conselho e, ainda assim, com restrições. Seu representante não pode, por exemplo, votar em questões que envolvam outros planos de saúde. No entanto, noves fora esta zona de desconforto com a Amil, o fato é que CSHG, Tarpon e HSBC, donos de pouco mais do que 35% das ações, construíram um minarete inalcançável no controle da rede de laboratórios. Desde que entrou na Dasa, o trio está sempre com uma seringa na mão, pronto para reduzir o poder dos demais acionistas. O caso mais emblemático foi a ardilosa costura societária que culminou com a constrangedora saída do Banco Pátria e do empresário Caio Auriemo. Fundador da Dasa, Auriemo foi vítima de um intenso processo de fritura até deixar o Conselho de Administração e vender suas ações na companhia. Na ocasião, sobrou também para o executivo Marcelo Marques Moreira Filho, que ocupava a presidência da empresa e hoje está no Conselho de Administração. Identificado com Auriemo e com o Banco Pátria, do qual foi sócio, acabou afastado do comando pelos fundos de investimento.

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