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Acervo RR
A Holcim e a Camargo Corrêa travam uma disputa cada vez mais acirrada pelo segundo lugar no ranking da indústria cimenteira nacional ? o que, na prática, equivale a pole position entre os terráqueos, uma vez que a Votorantim, com seus mais de 50% de market share, não é desse planeta. Mesmo jogando em casa, a Camargo Corrêa está arriscada a perder a partida. Ao menos no que depender da munição da Holcim, que reserva cerca de US$ 1 bilhão para aquisições no Brasil. Há duas empresas no radar dos suíços: o Grupo João Santos, o atual vice-líder do mercado, e a CP Cimento, que também interessa a própria Camargo Corrêa. A disputa pela companhia, que fabrica cerca de 3,5 milhões de toneladas por ano, promete ser aguerrida. Há tempos que a família Koranyi Ribeiro procura um comprador para a CP Cimento. Depois de uma frustrada negociação com os Ermírio de Moraes, a empresa teria sido oferecida a outros grandes players do setor, como a francesa Lafarge. Aos olhos da Holcim, a CP Cimento não passa de um aperitivo. É o Grupo João Santos que mais aguça o apetite dos suíços. Com a aquisição, a companhia assumiria a vice-liderança do mercado cimenteiro no Brasil, atrás apenas da Votorantim. Sua capacidade instalada no país passaria de cinco milhões para 11 milhões de toneladas por ano, abocanhando mais de 21% de participação do mercado. Os suíços deixariam para trás a Lafarge, com capacidade para sete milhões de toneladas no país. No entanto, ninguém perderá mais com o avanço da Holcim quanto a Camargo Corrêa. Com capacidade para quatro milhões de toneladas, a empreiteira ficaria bem para trás no ranking do setor. Além disso, caso comprem a João Santos ou a CP Cimento – ou por que não as duas? -, os suíços levariam praticamente os últimos dois ativos capazes de fazer diferença na balança do setor. É o ônus que a Camargo Corrêa poderá pagar pela estratégia de deslocar investimentos para o mercado externo. A companhia não apenas se alavancou em demasia com a compra da argentina Loma Negra e da participação na portuguesa Cimpor como acabou desguarnecendo o flanco doméstico. A Holcim faz justamente o movimento contrário, apostando suas fichas no Brasil.
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