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Acervo RR
Várias xícaras de café já foram consumidas em uma arrastada negociação capaz de mudar o panorama da indústria de torrefação no Brasil. Há seis meses os executivos da italiana Segafredo Zanetti vêm gastando lábia e passagens aéreas na tentativa de comprar o controle da paranaense Café Damasco. O principal óbice para a operação são discordâncias no modelo de negócio. Os italianos querem comprar o controle ou, ao menos, uma participação majoritária no capital da empresa paranaense. No entanto, os controladores da Damasco ? a família Bueno, nome tradicional na cafeicultura no Sul do país ? só têm servido um café frio e amargo a mesa das negociações. Não aceitam se desfazer do controle e condicionam o acordo a criação de uma joint venture, com capital dividido meio a meio, na qual penduraria alguns de seus ativos. Não todos. É bom manter a cafeteira ligada, pois, ao que tudo indica, as conversas entre os executivos das duas empresas não têm hora para acabar. A importância da aquisição para a Segafredo Zanetti é proporcional a duração das negociações. Com a Café Damasco, os italianos se tornarão um dos três maiores produtores do país e um dos cinco principais do mundo. Com relação específica ao mercado brasileiro, a Segafredo daria um importante salto em vendas. Com faturamento anual em torno de R$ 130 milhões, a Damasco é forte não apenas na Região Sul, mas também no Rio de Janeiro, com a conhecida marca Palheta, e em São Paulo, com a Bom Taí.
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