Lula ou Alckmin: quem vai tourear o Congresso no Plano B do aumento do IOF?

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Lula ou Alckmin: quem vai tourear o Congresso no Plano B do aumento do IOF?

  • 3/06/2025
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Fernando Haddad não tem mais condições políticas de conduzir sozinho as tratativas com o Congresso em torno das medidas que substituirão o aumento do IOF. Esse é o diagnóstico dentro do próprio Palácio do Planalto. Identificada a moléstia, vem a parte mais difícil: achar a cura. O círculo palaciano discute os caminhos possíveis para dar uma guinada nas negociações com parlamentares e evitar mais uma derrota para o Poder Legislativo.

Neste momento, a balança pende entre duas soluções: uma atende pelo nome e sobrenome de Geraldo Alckmin; a outra, simplesmente por Lula. Janja, sempre Janja, resolveu meter a colher na questão do IOF e tem defendido dentro do Palácio que o próprio presidente da República compareça ao Congresso para apresentar a nova proposta. Esse gesto seria eivado de simbolismo.

A primeira-dama prima por atitudes quase heroicas, para não falar voluntaristas em demasia. Em todo o caso, a ida de Lula ao Congresso não deixa de ter uma lógica do ponto de vista político, ideia, por sinal, compartilhada pelo próprio Hugo Motta. Na semana passada, o presidente da Câmara pediu publicamente a participação direta de Lula nas discussões sobre o tema – nas entrelinhas foi como se dissesse “Com Haddad, sozinho, eu não trato mais”.

Lula é, por essência, cauteloso. Quando confrontado com movimentos políticos de maior peso, costuma moer e remoer uma ideia antes de tomar qualquer decisão. No caso específico, chamar para si tamanho protagonismo na apresentação da proposta substitutiva do aumento do IOF tem sua dose de risco. O presidente da República é a bala de prata, que só pode ser usada quando se tem certeza de que acertará o alvo.

Ao mesmo tempo, apesar da sua notória influência sobre o marido e consequentemente o governo, Janja não manda sozinha. Gleisi Hoffmann e Rui Costa formam um duo volta e meia afinado dentro do Palácio do Planalto. No assunto em questão, duplamente afinado: os dois ministros são contrários tanto à exposição de política de Lula quanto ao aumento do IOF, pregado por Haddad.

No que depender de Gleisi e Costa, a medida a ser encaminhada ao Congresso não seria para elevar a arrecadação e, sim, os gastos, principalmente em relação ao PAC. Ambos acreditam que há mais dinheiro disponível do que é dito pela Fazenda para iniciativas capazes de aumentar a popularidade de Lula. Vide a lei recentemente enviada por Haddad e aprovada pelo presidente da República que autoriza o uso de recursos dos Fundos Constitucionais do Norte (FNO), do Nordeste (FNE) e do Centro-Oeste (FCO) para financiar atividades ligadas à economia criativa.

Em sintonia tanto no conteúdo quanto na forma, Gleisi Hoffmann e Rui Costa defendem que Lula mantenha um prudente descolamento das negociações com o Congresso para a aprovação do “plano-estepe”, em substituição ao aumento do IOF. Nesse contexto, pregam que a figura mais talhada para a missão é Geraldo Alckmin, a quem caberia levar a nova proposta aos parlamentares junto do desgastado Haddad. O duplo chapéu de vice-presidente da República e de ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio daria a Alckmin o peso necessário para tourear a Câmara e o Senado.

Ele falaria não apenas pelo governo, mas também pela indústria, um dos setores que se insurgiram contra o aumento do IOF. Não seria uma jabuticaba da articulação política. Vale lembrar que em outras ocasiões Alckmin foi usado para lubrificar as relações institucionais com o Legislativo. Isso aconteceu antes mesmo da posse de Lula. Foi Alckmin quem conduziu junto ao Congresso uma pauta sensível, a aprovação da PEC da Transição, que permitiu ao governo aumentar o teto de gastos em R$ 145 bilhões em 2023.

 

#Geraldo Alckmin #Lula

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