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Acervo RR
A costura dos retalhos financeiros da Staroup, uma das mais tradicionais indústrias têxteis do país, está entrando em uma etapa decisiva. Um ano após a aprovação do plano de recuperação judicial e o início do pagamento das dívidas, os acionistas majoritários discutem o futuro societário da companhia. A Atra Participações e a investidora de origem suíça Jacqueline Gordon, donas de 97% do capital ordinário, estão dispostas a vender o controle da empresa. Os dois mais fortes pretendentes são a Vicunha, da família Steinbruch, e a Coteminas. Outro candidato seria a Vinci Partners, private equity de Gilberto Sayão. Não custa lembrar que o fundo está negociando a incorporação da Inbrands, marca que engloba os ativos do Pactual Capital Partners (PCP) na área de moda. Há cerca de dois anos, a própria Inbrands manteve contato com os acionistas da Staroup, mas a delicada situação financeira da empresa na ocasião travou as negociações. O saneamento financeiro da Staroup tem sido um processo complexo, que já deixou diversas cabeças pelo caminho. Nos últimos quatro anos, a empresa teve três presidentes. O atual, Roberto Faconti, está no cargo desde 2008. De lá para cá, já passou por poucas e boas nas negociações com os credores. O movimento mais importante foi o acordo com bancos e fornecedores para a venda de aproximadamente US$ 15 milhões em imóveis, dinheiro usado para a quitação de parte expressiva do passivo. Mesmo com o acordo, a Staroup ainda aperta a cintura dos acionistas. A Botucatu Têxtil, holding controladora da empresa, carrega um patrimônio negativo da ordem de R$ 20 milhões. O resultado de 2009 ainda não saiu, mas é praticamente certo que a companhia tenha fechado mais um ano tingida de vermelho. Entre janeiro e setembro, o prejuízo foi de R$ 12 milhões. Além disso, a Staroup pena para recuperar mercado. Hoje, em número de peças, fabrica um quinto do volume produzido há cerca de seis anos. Há também arestas a serem aparadas com diversos credores. No fim do ano passado, a negociação das ações da Botucatu chegou a ser suspensa pela Bovespa por conta de um pedido de falência feito pela Ultracred.
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