Tag: Minas e Energia
Destaque
Governo Lula e Congresso disputam paternidade da Política de Minerais Críticos
15/09/2025A criação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, um dos temas econômicos e institucionais mais importantes do país no momento, virou um cabo de guerra entre a gestão Lula e parlamentares. O impasse envolve a autoria da proposta.
O Congresso se articula para barrar o plano formulado pelo Ministério de Minas e Energia e assumir a paternidade da iniciativa, por meio do projeto de lei 2.780/2024, do deputado Zé Silva (Solidariedade-MG), em tramitação na Comissão de Desenvolvimento da Câmara. O PL não apenas estabelece mecanismos de incentivo à extração e beneficiamento desses minérios como prevê a implantação de um Comitê de Minerais Críticos e Estratégicos.
Além de mais uma demonstração de poder sobre o Executivo, a imposição do projeto de lei abriria brecha para o Congresso ter uma ascendência maior sobre as fontes de financiamento e o manejo dos recursos públicos destinados à produção e processamento de minerais estratégicos.
O Palácio do Planalto e a Pasta de Minas e Energia, que prometem anunciar sua Política Nacional até novembro, tentam evitar o take over. Por meio de um acordo com lideranças partidárias, conseguiu brecar a votação no plenário da Câmara do regime de urgência para a apreciação do PL 2.780. Com isso, ganhou algum tempo, mas a derrubada em definitivo do projeto de lei dependerá de uma articulação política afiada, capaz de dobrar o Congresso. Algo que o governo Lula não tem mostrado.
Como se não bastasse o cabo de guerra com o Congresso, o governo tem de tourear pressões das unidades da federação, que tentam puxar a brasa para o seu minério. Os governadores do Pará, o aliado Helder Barbalho, e de Goiás, o oposicionista Ronaldo Caiado, cobram condições especiais para o estímulo à produção de níquel e de cobre. Alegam que os dois minerais ocupam uma posição central na transição energética, notadamente o níquel, essencial para a fabricação de baterias elétricas.
Na prática, é como se Barbalho e Caiado estivessem buscando uma Política “Nacional” particular, para seus próprios estados. O Pará concentra mais de 80% das reservas brasileiras de cobre. Goiás, por sua vez, reúne cerca de 70% das jazidas de níquel do país.
Existe ainda outro campo minado: até o momento, não há definição de onde sairão os recursos públicos prometidos pelo governo para estimular a produção e o processamento de minerais estratégicos. Por ora, a única e tímida pista veio do BNDES. O banco criou um fundo em parceria com a Vale que prevê o desembolso de R$ 1 bilhão. A cifra, no entanto, é um grão de areia perto das cifras necessárias para fomentar o setor.
Parlamentares da bancada da mineração fazem lobby pela criação de um fundo federal exclusivamente destinado a essa finalidade. Usam como modelo a iniciativa do governador Ronaldo Caiado, que saiu na frente e anunciou na semana passada a criação de um fundo estadual para financiar projetos em minérios estratégicos em Goiás.
O que se diz nos bastidores é que o Ministério de Minas e Energia acena com a proposta de repasse de uma fatia do dinheiro arrecadado com a CFEM (Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais). A ideia, no entanto, enfrenta forte resistência das prefeituras, que temem perder recursos com eventuais mudanças nas regras de partilha da CFEM.
Governo
Leilão de energia vira uma questão de honra para Alexandre Silveira
22/01/2025O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, tem feito gestões junto a grandes grupos do setor, notadamente Eletrobras, Eneva e Engie. A Petrobras, que é “da casa”, já pode ser considerada também como carta certa nesse baralho. Silveira busca assegurar, desde já, o maior número de participantes no leilão para a contratação de energia de térmicas e hidrelétricas. Para todos os efeitos, o certame ainda está distante: foi marcado para 27 de junho. No entanto, Silveira enxerga valor presente nas tratativas. O “firme” das empresas seria uma sinalização de força da sua gestão no momento em que há rumores elétricos sobre a sua possível saída do Ministério. Ainda mais após as mudanças nas regras dos leilões anunciada pela Pasta no início deste ano.
Geração renovável
Transição energética traz estatal chinesa ao Brasil
10/04/2024De primeira: dirigentes da estatal chinesa Jinneng têm mantido conversações com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e assessores. A própria Embaixada da China no Brasil atuou diretamente na costura entre as duas pontas. A Jinneng levou às autoridades brasileiras o interesse firme em investir em geração eólica e solar e em projetos de hidrogênio verde no país. Já há tratativas, inclusive, para a visita de uma comitiva de executivos da empresa ao Brasil. A estatal é responsável por um dos maiores projetos de transição energética em curso na China: a instalação de um megacomplexo de US$ 8 bilhões na província de Shanxi, que combina turbinas eólicas, painéis fotovoltaicos e superbactérias de lítio.
Governo
Apadrinhado de ministro esbarra em passado “bolsonarista”
31/01/2024Após participar da (ainda bem) frustrada tentativa de colocar Guido Mantega no comando da Vale, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira dedica-se agora a buscar um lugar no governo para Bruno Eustáquio. Ex-secretário executivo da própria Pasta de Minas e Energia e também da Infraestrutura, Eustáquio está cotado para uma diretoria da EPE (Empresa de Pesquisa Energética). É um prêmio de consolação. Para ele e, principalmente, para o próprio ministro. Silveira tentou, por duas vezes, o retorno de Eustáquio à secretária executiva do Ministério. A primeira, no início do governo Lula; a segunda, agora, em janeiro, quando da saída de Efrain Pereira Cruz do cargo. Em ambas, perdeu a parada. Não é simples. O nome de Eustáquio enfrenta resistências no governo devido aos cargos que ocupou nas Minas e Energia e na equipe de Tarcísio Freitas durante a era Bolsonaro.
Energia
Governo trabalha para esticar isenção à energia solar
19/01/2023O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, articula com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, para que a Casa vote logo na volta do recesso o Projeto de Lei nº 2703/22. O PL prevê a prorrogação por mais seis meses da isenção de tributos sobre a geração de energia solar produzida por residências ou estabelecimentos comerciais. Em dezembro do ano passado, a Câmara aprovou a extensão da medida. No entanto, a proposta empacou no Senado, o que, inclusive, criou uma zona cinzenta. O prazo anterior de isenção terminou em 6 de janeiro. Ou seja: todos os projetos de geração solar protocolados junto à Aneel desde então são passíveis de tributação. Uma possibilidade seria uma emenda ao PL 2703/22, estipulando isenção retroativa para esse período a descoberto. O senão é que, com a mudança do texto, mesmo com a aprovação no Senado, a proposta terá de voltar à Câmara.
R$ 106 bilhões em jogo
7/10/2019O próprio ministro de Minas e Energia, almirante Bento Albuquerque, fez gestões junto ao TCU para acelerar o parecer sobre o leilão de cessão onerosa do pré-sal. Deu resultado. O Tribunal promete seu veredito para esta quarta-feira, dia 9, com razoável folga em relação à data da licitação – 6 de novembro. O Palácio do Planalto respira aliviado.
Vale e cia. ativam seus anticorpos
23/07/2019A bancada da mineração – entre os quais se destacam os deputados Paulo Abi-Ackel e Rodrigo de Castro, ambos de Minas Gerais – já se mobiliza para barrar o possível aumento dos royalties do setor. A tropa de choque trabalha para tirar do parecer final do senador Carlos Viana, relator da CPI de Brumadinho, a proposta de elevação da CFEM. O texto original, que ainda será votado em plenário, recomenda o aumento da taxação de 3% para 10% do faturamento bruto das empresas. A punição tem endereço certo: tomando-se como base os resultados de 2018, a tributação sobre a Vale passaria de R$ 4 bilhões para R$ 13 bilhões. Em tempo: um dos mais empenhados em derrubar a proposta no Congresso é o ex-deputado Leonardo Quintão. Mesmo sem ter sido reeleito, Quintão segue como uma espécie de presidente de honra da bancada da mineração. Costuma ser maldosamente chamado por seus desafetos de Vale e cia. ativam seus anticorpos “menino da Vale”.
Pedra no sapato
17/07/2019O TCU vai investigar os termos da revisão do Tratado de Itaipu. Segundo alta fonte da própria Corte, na primeira semana de agosto o Tribunal expedirá ofícios para a Pasta de Minas e Energia, Eletrobras e Itaipu. A entrada em cena do órgão fiscalizador deverá retardar a já complexa negociação com o Paraguai. Por essas e outras, no Palácio do Planalto há quem diga que o TCU é hoje o “grande partido de oposição” ao governo.
Um nome de consenso no Conselho da Petrobras
16/01/2019A interpretação de que o ministro de Minas e Energia, almirante Bento Leite de Albuquerque, está expandindo sua influência sobre a gestão da Petrobras devido a indicação do almirante Eduardo Leal Ferreira para a presidência do Conselho de Administração da empresa é ben trovato. Mas não bate com a realidade dos fatos. A indicação do presidente do Conselho foi do Palácio do Planalto. O ministro da Economia, Paulo Guedes, poderia ter sido o presidente do CA, a exemplo do que ocorreu com Guido Mantega. Mas seria um caso de acúmulo de poder de mais e independência de menos. Além do que, a péssima lembrança do ex-ministro da Fazenda à frente do board da estatal ainda está muito fresca. O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, foi ouvido para a escolha do presidente do Conselho de Administração. Suas relações com a Marinha são as melhores desde os tempos de Colégio Naval. Sua posse foi um dos eventos prestigiados com o maior número de oficiais da Força. No seu discurso de posse, Castello Branco fez questão de dizer que o ingresso na Petrobras significava também o seu reencontro com a Marinha. Parecia uma espécie de charada. Mas, com
o tempo, as promoções de ex-oficiais da Armada foram elucidando o pseudoenigma. Cabe ressaltar que o presidente da Petrobras não faz o gênero de pau mandado. Quando aceitou a missão, a pedido de Paulo Guedes, disse que faria o seu melhor, mas se começassem a interferir na sua gestão, pulava fora, imediatamente.
Falta a Interpol
28/12/2018O ministro das Minas e Energia, Moreira Franco, está trabalhando feito um possesso, mais do que laborou durante todo o governo Temer. Moreira quer deixar um legado de leilões, licitações, editais e projetos. É uma forma de se creditar com Jair Bolsonaro e pleitear algum cargo no exterior. Moreira acha que exercendo uma função no estrangeiro ficará mais protegido do Ministério Público, Polícia Federal e agora do Ministério da Justiça. Se ficar por aqui, é bote certo.
Itaipu é um fio desencapado para o futuro governo
17/10/2018Um impasse bilateral de razoável voltagem aguarda pelo futuro presidente da República. Segundo informações filtradas do Ministério de Minas e Energia, o novo governo do Paraguai pretende antecipar a renegociação do Tratado de Itaipu, notadamente do chamado Anexo C, que abrange as cláusulas financeiras. Em setembro autoridades paraguaias mantiveram os primeiros contatos neste sentido com o ministro Moreira Franco.
O país vizinho aguarda pela posse do próximo presidente brasileiro para avançar na intrincada questão. A rigor, o acordo em vigor vence apenas em 2023. Como contrapartida, o governo do Paraguai acena com a possibilidade de quitação antecipada da dívida referente à construção da hidrelétrica, prevista para o mesmo ano. O tema se torna ainda mais complexo diante do favoritismo eleitoral de Bolsonaro e da expressiva participação de generais que se anuncia para o seu Ministério. Sob a ótica militar, Itaipu sempre foi mais do que uma “mera” usina; trata-se de uma questão de segurança nacional.
Do lado paraguaio, a renegociação figura entre as missões do economista norte-americano Jeffrey Sachs, contratado como assessor econômico do novo presidente Mario Benítez, no cargo há menos de dois meses. Em 2013, curiosamente, o mesmo Sachs elaborou um controverso relatório afirmando que o Paraguai já havia quitado o empréstimo relativo à construção da usina. O fato é que o governo de Benítez alega que as cláusulas em vigor são anacrônicas e não refletem o crescimento da economia local.
Pelo Tratado, os paraguaios são obrigados a dar preferência ao Brasil na venda da energia de Itaipu que não consomem. Mais do que isso: o insumo é vendido a preços prefixados, o que traria prejuízos ao país. Ressalte-se que o Paraguai caminha a passos largos para o que, por décadas, parecia algo inimaginável: usar plenamente a cota a que tem direito, ou seja, metade da produção da hidrelétrica. O franco crescimento da economia local – em média 4,5% ao ano – tem puxado a demanda pelo insumo. Nos últimos dez anos, a contratação de energia pelo Paraguai cresceu, em média, 8,1%. Mas, se considerado apenas o período a partir de 2014, essa média dispara para mais de 20%.
O nome dele é Moreira
7/08/2018A repentina decisão de excluir todos os blocos de produção onshore da 16ª Rodada da ANP teria partido do próprio ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, que acumula também a presidência do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). O que motivou Moreira a adotar a inesperada medida é uma incógnita até para a direção da agência reguladora. Mesmo porque a licitação só ocorrerá no próximo governo, provavelmente no longínquo segundo semestre de 2019.
E o vento levou…
25/05/2018O secretário de Planejamento do Ministério de Minas e Energia, Eduardo Azevedo, está prestes a ser eletrocutado por Moreira Franco. Mas não ficará muito tempo ao relento. Deve assumir a presidência da ABEEólica, da qual sempre foi bastante próximo.
Nova fase
17/04/2018Mesmo após assumir as Minas e Energia, Moreira Franco segue como uma espécie de ministro emérito das PPIs. Pode ser que nessa nova fase consiga fazer os investimentos andarem.