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15.05.20

Minério al mare

Com o aval de autoridades da área ambiental, as 350 mil toneladas de minério de ferro da Vale acondicionadas nos porões do navio Stella Banner deverão ser despejados no mar. A embarcação, pertencente à sul-coreana Polaris Shipping, está encalhada na costa do Maranhão desde fevereiro. Este é o quarto acidente envolvendo um navio da empresa asiática a serviço da Vale desde 2017 – como informou o RR em 18 de março.

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13.05.20

“Rodovia da morte”

A Vale comprometeu-se com prefeitos da região a financiar parte do custo de duplicação da rodovia entre Mariana e Brumadinho. O projeto está orçado em R$ 1 bilhão. O montante que caberá à mineradora ainda não está decidido. O certo mesmo é que não há região no país onde a Vale precise tanto expiar suas culpas.

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04.05.20

Higienização

A Vale vai aplicar testes rápidos de coronavírus em todos os seus 51 mil funcionários. A checagem começará pelo Maranhão, onde dois trabalhadores da empresa já morreram por Covid-19. Todos os empregados farão três exames, um a cada 21 dias. Depois de Mariana e Brumadinho, esta é uma área na qual a Vale não tem o menor direito de errar.

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18.03.20

O inferno ambiental da Vale

Dona do Stellar Banner, navio que está à deriva no litoral do Maranhão com quase 300 mil toneladas de minério de ferro da Vale, a Polaris Shipping tem uma extensa folha corrida de serviços prestados à companhia brasileira. Em março de 2017, a embarcação Stellar Daisy naufragou na costa do Uruguai quando levava 260 mil toneladas de minério da Vale para a China. 22 tripulantes desapareceram. Poucos meses depois, o Stellar Unicorn, também a serviço da mineradora, teve de ser levado para reparos emergenciais após a descoberta de uma rachadura na parte exterior de um tanque. Quase na mesma época, um terceiro navio, o Stellar Queen – fretado adivinhem por quem? – ficou três semanas ancorado no Maranhão e precisou passar por manutenção urgente. É de se admirar que a Vale, marcada pelos acidentes ambientais e, sobretudo, pelas mortes de Mariana e de Brumadinho, não tenha o devido cuidado na escolha de seus parceiros.

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10.03.20

Muito mais do que o minério no mar

A Vale pode ter um castigo fiscal com o encalhe do navio Stellar Banner na costa do Maranhão, se os 294 milhões de toneladas de minério da companhia se percam no mar. Em episódios semelhantes, a Receita Federal abriu processos contra o afretador da embarcação estrangeira, neste caso a mineradora. Segundo um especialista em direito marítimo ouvido pelo RR, o Leão costuma invocar legislação específica que determina que os impostos referentes à carga de navio naufragado têm de ser recolhidos quando o bem se perde por culpa. Detalhe: nesse tipo de situação o Fisco é rápido no gatilho e cobra os tributos sem aguardar a determinação da causa do acidente.

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04.03.20

Ecos de Brumadinho

Além de calar fundo no espírito dos “valerianos”, Brumadinho também vai doer no bolso. Segundo o RR apurou, nesta semana a direção da Vale vai apresentar aos sindicatos uma proposta de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) entre três e quatro salários. Ficará, portanto, bem abaixo do PLR do ano passado, na média de 6,2 salários. Reflexo do prejuízo registrado pela mineradora em 2019, de R$ 6,6 bilhões.

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28.01.20

Presidente da Vale pode ser denunciado à Justiça

Pelo que o RR apurou, existem motivos de sobra para que haja tensão na cúpula da Vale. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) estuda o indiciamento de um número maior de dirigentes da companhia – na semana passada, o ex-presidente Fabio Schvartsman e outros dez executivos da empresa foram acusados por homicídio doloso. A preocupação na mineradora é que o atual no 1, Eduardo Bartolomeo, esteja entre os novos investigados, com risco de também ser denunciado à Justiça. A rigor, Bartolomeo não tem uma relação direta com uma das maiores tragédias humanas do país – até o momento, 253 mortes confirmadas.

Na época do rompimento da barragem, há exato um ano, o executivo estava no Canadá, onde comandava a área de Metais Básicos da empresa. Após comprometer o então mais alto dirigente da Vale, Schvartsman, e a área de Geotecnia – onde trabalhavam sete dos 11 executivos da mineradora denunciados à Justiça, de um total de 16 pessoas –, os procuradores estariam concentrados agora em averiguar a responsabilidade de outras instâncias decisórias da companhia. Ressalte-se que, entre 2016 e 2017, Bartolomeo foi membro do Conselho de Administração e do Comitê de Conformidade e Risco da Vale.

Aliás, curiosamente, a passagem do executivo pelo Comitê não consta em seu currículo disponível no site da companhia, ainda que esta informação tenha sido citada no comunicado divulgado pela própria mineradora à imprensa, em março de 2019, quando Bartolomeo foi efetivado na presidência. Procurado, o MPMG informou que “as investigações foram concluídas com a denúncia de 16 pessoas”. Mas ressaltou que “caso surjam fatos novos (como novas provas), há a possibilidade de desarquivamento do procedimento de investigação para novas apurações.” Reforçou ainda que “há elementos sufi cientes que demonstram os crimes cometidos pelas 16 pessoas denunciadas.” O RR enviou uma série de perguntas à Vale, mas a empresa não retornou até o fechamento desta edição. O eventual indiciamento do presidente da Vale teria um significativo impacto sobre a companhia.

Como reagiriam os mercados internacionais diante do fato da maior produtora de minério de ferro do mundo ter o ex e o atual CEO acusados pelas mortes de Brumadinho? Isso para não falar das consequências intangíveis na já enlameada reputação institucional da companhia. O risco potencial é maior se considerada a possibilidade de condenação por crime doloso de Fabio Schvartsman, o que contaminaria ainda mais uma denúncia subsequente contra Bartolomeo. Independentemente de novas denúncias contra dirigentes da Vale, por si só o relatório de 467 páginas enviado pelo MPMG à Justiça (Procedimento Investigatório Criminal 0090.19.000013-4) é bastante duro em relação à empresa. De acordo com o inquérito da Polícia Civil de Minas (no 7977979), os executivos da Vale ignoraram relatórios das consultorias Potamos e Tractebel Engeneering alertando para o risco de rompimento da barragem.

A eventual decisão do MPMG de denunciar Eduardo Bartolomeo por um acidente que não lhe diz respeito, ao menos não diretamente, parece já ter entrado na categoria de vendetta do aparelho de Justiça contra a empresa. Com uma performance exemplar, o executivo tem surpreendido pela liderança que exerce na companhia. O infortúnio é o momento em que ele ascendeu ao comando da mineradora. A Vale já foi uma das maiores, se não a maior referência do país em responsabilidade sociocorporativa. Hoje, é um gigante com pés de barro. A mineradora matou mais gente do que qualquer outra companhia nessa área.

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Anúncio do ministro Guedes, de que o governo pedirá adesão formal ao Acordo de Compras Governamentais, que oferece tratamento isonômico a empresas nacionais e estrangeiras em licitações públicas, levará a questionamentos amanhã. Não somente a Guedes quanto ao presidente Bolsonaro.

A medida será saudada pela opinião púbica liberal e por parte da mídia e abrirá novo campo de ação – positivo –, já que teria grande impacto na economia e representaria transformação histórica nas práticas do setor público.

Ao mesmo tempo, o ministro e o presidente terão de responder a dúvidas que permanecem no ar, particularmente o receio de que a mudança prejudique a indústria brasileira. Manifestações de associações do setor, particularmente da Fiesp, serão termômetro importante, nesta quarta.

Também será cobrado do ministro um cronograma para implantação prática da iniciativa.

Outros dois temas levantados por Guedes pautarão o noticiário de amanhã:

1) Declaração de que pobreza é a maior responsável por problemas ambientais. Para além de reações negativas de hoje, deve haver olhar crítico, nesta quarta, tanto para políticas ambientais do governo (com o gancho da criação do Conselho da Amazônia, anunciada hoje) quanto para as sociais, que ainda aparecem como gargalos da atual gestão.

2) Previsão de que o PIB de 2019 virá com crescimento de 1,2% e o de 2020 em 2,5%. Apesar de divergências, mercado tende a corroborar previsões para 2020, amanhã, mas Monitor do PIB da FGV lançou incerteza significativa quanto a crescimento para além de 1% em 2019.

Greenwald, MPF e reação internacional

Indiciamento do jornalista Glenn Greenwald pelo MPF de Brasília levará a novos questionamentos acerca de suposto corporativismo do Ministério Público.  Além da reação de entidades de Imprensa, resposta internacional tende a ser negativa, como já demonstra a abordagem inicial do relator da ONU sobre liberdade de expressão, David Kaye.

O ministro Gilmar Mendes subiu o tom, e afirmou que a denúncia afronta sua decisão , que havia proibido investigações sobre Greenwald.

Cultura e educação: sinais de fumaça

Continuarão em foco amanhã as áreas: 1) Da cultura, com expectativa de que Regina Duarte comece a delinear, mesmo que em declarações de bastidores, sua visão da pasta e de seu período de testes na secretaria; 2) Da educação, com questionamentos ao Sisu, sistema que proporciona a inscrição de alunos aprovados pelo Enem em Universidades Públicas e que apresentou problemas hoje – somados a dúvidas que ainda pairam sobre erros em correção de provas do próprio Enem.

Denúncia impactará a Vale

A Vale sofrerá forte desgaste amanhã – em termos de imagem e no mercado – com denúncia do Ministério Público de Minas contra  16 ex-funcionários da empresa e da Tüv Süd por homicídio duplamente qualificado e crimes ambientais decorrentes do rompimento da barragem em Brumadinho. O maior impacto virá de acusações de que a companhia ocultou informações sobre o risco de barragens.

A indústria no Brasil e o mercado imobiliário nos EUA

No Brasil, destaque amanhã para a prévia da sondagem da indústria, primeira avaliação do setor pela FGV em 2020.

O índice fechou 2019 bem, com alta de 3,2 em dezembro, atingindo o patamar de 95,5 pontos e registrando avanço em todos os quesitos (destaque para expectativas de volume de pessoal ocupado, que chegaram a 97,2 pontos), menos no Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI), que recuou 0,2 ponto.

De lá para cá, no entanto, surgiram dúvidas quanto ao fôlego do setor, de modo que a sondagem de janeiro terá papel importante para estabelecer projeções do ano corrente.

No exterior, a conferir a Venda de Casas Usadas nos EUA, em dezembro, para a qual se espera crescimento acima de 1% após queda acima da esperada pelo mercado em dezembro, de 1,7%.

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20.01.20

Negociação pró-forma

A Vale apresentou a seus funcionários a proposta de participação nos lucros em 2020 – a ser paga no primeiro trimestre de 2021. Será um remake do acordo firmado para 2019, repetindo os parâmetros de remuneração – teto de até sete salários. Os 11 sindicatos que representam os 51 mil empregados da Vale devem responder até o fim de fevereiro. Na atual circunstância, imagina se algum vai dizer “não”.

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11.12.19

Qual o passivo?

Pergunta que não quer calar: qual é o verdadeiro, verdadeiro mesmo, verdadeiríssimo passivo da Vale?

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