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O que precisa ser dito
Os tortuosos caminhos da paz
13/10/2025Hoje é certamente um dia de comemorações que todos nós esperamos não sejam apenas passageiras. Mas o grande perdedor nos embates das últimas semanas foi Benjamin Netanyahu, que, na Assembleia Geral da ONU de 2024, havia exibido arrogantemente ao mundo o mapa do Grande Israel que ia do rio Jordão ao Mediterrâneo, com a anexação definitiva de Gaza e da Cisjordânia.
Certo de contar com o apoio eterno e irrestrito dos Estados Unidos, o primeiro-ministro de Israel cometeu dois erros capitais. O primeiro consistiu em levar adiante, com renovado vigor, os processos de genocídio e domicídio (destruição da infraestrutura e de todos os imóveis) em curso desde outubro de 2023, após o bárbaro e indefensável ataque terrorista do Hamas em território israelense.
Combinado com a imagem de crianças famintas e cidades reduzidas a pó, isso fez com que a opinião pública mundial acabasse por se voltar contra Israel. E a maior prova disso foram as crescentes manifestações de apoio à criação de um Estado palestino por importantes países como França, Reino Unido, Portugal, Espanha, Canadá e Austrália, de tal modo que hoje 157 dos 193 membros das Nações Unidas tenham assumido essa postura.
O segundo erro – esse, sim, definitivo – foi o ataque aéreo realizado em 9 de setembro de 2025 que visava eliminar toda a liderança do Hamas na cidade de Doha, capital do Catar, quando ela já discutia a proposta de cessar-fogo feita pelos Estados Unidos. Entre os alvos se incluía Khalil al-Hayya, principal negociador do Hamas, mas a operação fracassou e só deixou como vítimas pessoas de menor projeção política, guarda-costas e até um agente de segurança catariano.
Há indicações de que Netanyahu comunicou previamente o ataque a Trump, pairando até hoje a dúvida se ele o autorizou ou apenas se deu por informado. O fato, contudo, é que o tiro saiu monumentalmente pela culatra: desejando interromper de imediato as tratativas de cessação das hostilidades, a aventura belicosa de Israel teve o fulminante efeito contrário de selar a aprovação do plano de pacificação norte-americano à revelia real de Netanyahu e de seus apoiadores da ultradireita política e religiosa.
Acontece que, durante a recente reunião da Assembleia Geral das Nações Unidas, enfurecidos com a agressão israelense a um país aliado que abriga a Base Aérea de Al Udeid, maior instalação militar norte-americana no Oriente Médio, os líderes de oito nações árabes e muçulmanas tiveram uma reunião pouco divulgada com Trump, onde deram um basta coletivo às ações atrabiliárias comandadas por Netanyahu.
O atual ocupante da Casa Branca, com sua esperteza em situações críticas, entendeu a mensagem definitiva e praticou mais uma de suas famosas TACOadas, levando na devida conta os fortíssimos interesses políticos e econômicos que o unem àqueles interlocutores. Cumpre não esquecer que a primeira viagem internacional de Trump neste segundo mandato foi para o Oriente Médio, visitando especificamente a Arábia Saudita, os Emirados e o injuriado Catar.
Os entendimentos, então formalizados numa proposta complexa de paz, representaram também uma significativa derrota para Trump: desapareceram, como num passe de mágica, suas reiteradas declarações anteriores de apoio à limpeza étnica da Faixa de Gaza com a expulsão dos mais de dois milhões de palestinos para a construção de imensos “resorts” turísticos.
Desfizeram-se no ar as ideias estapafúrdias de anexação de Gaza e da Cisjordânia por Israel. Surgiu até, modestamente, a possibilidade distante de criação do Estado palestino!
E, no dia 29 de setembro, Netanyahu foi convocado à Casa Branca para o “dá ou desce”, sendo obrigado a declarar formalmente seu apoio ao plano de Trump e submetido à humilhação pública de, diante das câmeras, telefonar para o primeiro-ministro do Catar, Mohammed bin Abdulrahman bin Jassim al-Thani, pedindo desculpas por haver violado a soberania de seu país e prometendo que Israel jamais voltaria a fazê-lo.
O Hamas, fragilizado e instado pelos países árabes e muçulmanos a aceitar os termos do plano ou ficar totalmente isolado, por fim concordou em entregar seu maior trunfo, que eram os reféns ainda vivos. Soube fazê-lo com a necessária circunspecção, sem os costumeiros espetáculos de poderio militar que de fato não mais possui sem o apoio material do Irã.
Recebe de volta dois mil de seus correligionários detidos em Israel, numerosos deles condenados à prisão perpétua, e viu começar a chegar a ajuda humanitária de que tanto necessitam os torturados seres humanos – crianças, mulheres e homens – que eles pretendem representar.
Na conferência de cúpula hoje realizada em Sharm El-Sheikh, os presidentes dos Estados Unidos, do Egito e da Turquia, bem como o primeiro-ministro do Catar, intermediários nos acertos entre Israel e o Hamas, assinaram o acordo de paz cuja complexíssima execução o mundo acompanhará com a respiração suspensa.
Vale notar que, convidado a participar, Netanyahu declinou na última hora invocando um feriado religioso judaico – embora seja voz corrente que o primeiro mandatário turco, Erdogan, e outros líderes não desejavam contar com sua presença.
O que precisa ser dito
Netanyahu e as bigas de Gideão
6/05/2025No sétimo capítulo do Livro de Juízes do Antigo Testamento ou da Bíblia hebraica, conta-se como Gideão, por ordem de Deus e com a ajuda de apenas 300 israelitas munidos de trombetas e tochas, derrotou milhares de midianitas e alcançou o rio Jordão, matando os reis de seus inimigos. Pois Benjamin Netanyahu vem de lançar o plano denominado “Bigas de Gideão”, cujo objetivo consiste em ocupar por tempo indeterminado a Faixa de Gaza e, num primeiro momento, empurrar os 2,3 milhões de palestinos para o sul do território, seguindo-se um “deslocamento voluntário” que permita a implantação do resort sonhado por Donald Trump.
Isso significa uma radical mudança na estratégia israelense após 19 meses de guerra contra o Hamas, porém nada mais é que a concretização parcial do conceito de Great Israel que Netanyahu não teve o menor escrúpulo em exibir ao mundo durante a última Assembleia Geral da ONU. No mapa que então mostrou do alto da tribuna, o território israelense se estende do rio Jordão ao Mar Mediterrâneo, sem que haja qualquer indício da existência de alguma área governada por palestinos. Na Cisjordânia, o governo de extremistas de direita liderado por Netanyahu aprovou este ano a maior apreensão de terras palestinas em três décadas e permitiu que colonos judeus tomassem violentamente largas áreas para projetos de colonização a um ritmo nunca antes visto. É possível também que esse impulso imperialista alcance o sul do Líbano, onde Israel já forçou a evacuação de uma centena de aldeias da região, abrangendo segundo a ONU uma população de 1,2 milhão de habitantes e uma área equivalente a 25% do território do país.
A ocupação ostensiva de Gaza é, assim, o desdobramento de uma visão de longo prazo, porém se torna menos arriscada para as forças armadas israelenses – mesmo reforçadas agora pela convocação de dezenas de milhares de reservistas – graças ao virtual desmantelamento do poderio militar do Hamas e do Hezbollah, acompanhado das ameaças de pesados ataques aéreos por Israel e pelos Estados Unidos que praticamente paralisam o Irã. Mas as declarações de Netanyahu ao lançar a operação revelam uma sutil mudança em sua postura porque, enquanto antes a derrota total do Hamas e a recuperação dos reféns eram proclamadas como objetivos de igual importância, o primeiro agora é dado como prioritário. Isso gera protestos ainda mais veementes das famílias que ainda têm parentes em mãos do Hamas, protestos esses que têm crescente impacto sobre toda a população porque atualmente cerca de 70% dos israelenses apoiam o fim da guerra e o retorno de todos os 59 reféns (dos quais se estima que 24 ainda estejam vivos).
De qualquer forma, a implementação do plano fica suspensa até que se conheçam os resultados da visita que Trump fará ao Oriente Médio em meados do corrente mês. Chegando na Arábia Saudita no dia 13, o presidente norte-americano terá reuniões bilaterais com o príncipe-herdeiro Mohammed Bin Salman, mas já no dia seguinte participará de uma reunião de cúpula do Conselho de Cooperação do Golfo em que devem estar presentes, além do anfitrião saudita, os chefes de Estado dos Emirados, Bahrain, Kuwait, Omã e Qatar, não sendo impossível que outros líderes árabes venham a ser convidados. Posteriormente, Trump visitará para conversas bilaterais Doha e Abu Dhabi. Os temas principais desses encontros serão supostamente investimentos, venda de armas e cooperação no campo da inteligência artificial, porém é evidente que as empacadas negociações para um cessar-fogo em Gaza farão parte de todas as pautas.
Enquanto são aguardados os resultados dessa segunda viagem de Trump ao exterior, sendo a primeira provocada inesperadamente pela morte do Papa Francisco, muitos se perguntam por que não existe um clamor mundial contra essas medidas de “limpeza racial” prometidas pela dupla Netanyahu/Trump, que muitos equiparam a um Holocausto moderno. Em primeiro lugar, existe uma certa fadiga diplomática em suscitar mais uma vez em vão tal matéria na Assembleia Geral ou no Conselho de Segurança, onde agora o governo de Trump será representado por ninguém menos que Mike Waltz, vergonhosamente demitido do cargo de conselheiro de Segurança Nacional por vazar uma delicada operação militar no Iêmen. Em segundo lugar – e mais importante – porque muitos países temem aplicar medidas concretas contra Israel sabendo que Trump tomará as dores de seu parceiro de fé e muito provavelmente se encarregará de puni-los com retaliações políticas ou econômicas.
Sendo assim, enquanto Gideão não se valeu de bigas para derrotar seus inimigos, parece inevitável que Netanyahu continue a utilizar os poderosos tanques Merkava IV para levar a cabo a destruição sistemática da infraestrutura, moradias, hospitais e escolas que transformarão em terra arrasada os 365 km2 da Faixa de Gaza.
Jorio Dauster é colaborador especial do Relatório Reservado
Israel
Comunidade judaica se mobiliza contra atos antissemitas no Rio
18/11/2024Lideranças da comunidade judaica no Rio de Janeiro estão de prontidão. Desde a última quinta-feira, a Federação Israelita do Estado (FIERJ) vem monitorando manifestações contra Israel e a favor da Palestina na esteira do G20. A presença dos chefes de Estado das maiores potências globais e da imprensa de todo o mundo na cidade formam o anfiteatro perfeito para dar ainda mais visibilidade aos protestos. Houve, até o momento, dois atos: hoje, na Cinelândia, e outro no sábado, na Praia de Copacabana. Ambos, no entanto, tiveram baixa mobilização. Ainda assim, a FIERJ não baixa a guarda. O presidente da entidade, Bruno Feigelson, está em contato com autoridades dos governos federal, estadual e municipal. Ao mesmo tempo, a própria Federação reforçou a atuação do seu Departamento de Segurança Comunitária (DSC), que, desde a semana passada, acompanha eventuais convocações para manifestações antissemitas no Rio.
Para se ter uma ideia da dimensão que o tema ganhou, a própria FIERJ tem enviado comunicados à comunidade judaica tranquilizando-a em relação aos protestos já realizados. Além dos riscos da repercussão ser potencializada por conta do G20, outras questões aumentam a apreensão. No último dia 8 de novembro, torcedores do time israelense Maccabi Tel Aviv, que enfrentou o Ajax em Amsterdã, foram alvo de ataques antissemitas na capital holandesa. Some-se o fato de que, na semana passada, a Polícia Federal prendeu, no Rio de Janeiro, dois homens suspeitos de ligação com o Hezbollah. Ambos estariam recrutando brasileiros para atos contra a comunidade judaica na cidade.
Política
Lula desdenha da Avenida Paulista e aposta na agenda internacional
26/02/2024O presidente Lula não vê com preocupação o mal-estar causado pela menção a Hitler ao condenar o massacre realizado por Israel na Faixa de Gaza, seus efeitos negativos junto à comunidade internacional ou mesmo seu uso como insumo para a volta de Jair Bolsonaro às ruas e o resgate do bordão do impeachment. Pelo contrário. Lula considera que esses fatos aumentaram sua centralidade. O presidente talvez seja a pessoa no país que mais acredita na máxima “falem mal, mas falem de mim”. Na história recente do Brasil, ninguém teve sua imagem tão triturada quanto ele. Ontem, segundo informações filtradas do Palácio do Planalto, o presidente acompanhou com desdém a passeata do seu principal opositor, recebendo relatórios da área da Inteligência e telefonemas que só confirmavam seu ponto de vista. Lula é um especialista em amenizar discursos anteriores que foram “mal interpretados”. O presidente tem um Judiciário alinhado, está afinando as relações com o Congresso, tem uma economia que anda mais favoravelmente do que o esperado e vai usufruir da melhor agenda internacional que um mandatário recebeu de bandeja.
Segundo informa o jornal Valor Econômico na edição de hoje, só nas próximas semanas, Lula participa como destacado chefe de Estado da Cúpula da Comunidade do Caribe (onde certamente vai meter sua colher no conflito entre a Venezuela e Guiana), o encontro de chefes de Estado da Comunidade de Chefes de Estado Latino-Americanos e Caribenhos e do encontro dos presidentes dos Bancos Centrais em São Paulo. Mais à frente, tem presença garantida em reunião da Una-África. Depois, ainda vão rolar o encontro dos chefes de Estado do G20 e o discurso de abertura dos trabalhos na ONU. Ano que vem ainda terá o presentão da COP-30, em Belém (PA), um palco sob medida para Lula. No meio dessa miríade de eventos, a diplomacia brasileira está encaixando visitas consideradas estratégicas. No mais, Lula vai aguardar que a Polícia Federal, STF e aliados deem conta de Bolsonaro. O ex-presidente, conforme já se viu, não sabe lidar com uma “centralidade que lhe é negativa”. E Lula ainda guarda munição para ser usada na hora certa. Um exemplo: a palavra “genocídio” pode ser resgatada para se referir à gestão da pandemia no governo Bolsonaro.
O script é positivo. Ainda assim, é sempre provável que o Lula faça da limonada um limão, tropeçando nas próprias palavras. Seu histórico de tombos verbais é razoável. Há também o risco de que aliados cometam suas bobagens – Gleisi Hoffmann, por exemplo, é campeã em declarações desastrosas. Mas, para contrabalançar, sempre haverá Bolsonaro, um expert em discursos politicamente incorretos.
Política
Brasil x Israel respinga em Davi Alcolumbre
23/02/2024Davi Alcolumbre, judeu sefardita, está entre a cruz e a espada. O senador tem sido pressionado por entidades da comunidade judaica no Brasil a se pronunciar contra as declarações do presidente Lula em relação ao holocausto. Segundo o RR apurou, uma delas chegou a solicitar uma audiência com o parlamentar para tratar do tema. Até o momento, no entanto, o pragmatismo político tem falado mais alto: Alcolumbre é candidatíssimo à presidência do Senado no ano que vem e conta com o apoio do presidente Lula.
RR Destaques
G20 e Congresso
21/02/2024Ainda que o tema de Israel permaneça muito forte na mídia e nas redes – e que continue a estar no foco de Lula e do Itamaraty – o governo dá sinais de que, salvo novas movimentações, avalia que já “colheu” o que buscava e, a partir de agora:
1) Não tem interesse em escalar o conflito, ainda mais porque lê como muito positiva a reunião entre o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, e Lula.
A ausência de qualquer menção de Blinken ao caso seria, de acordo com essa leitura, uma confirmação de que não haverá desgaste com os EUA. E de que os norte americanos, ainda que apoiem decisivamente Israel, também tem divergências com Netanyahu, particularmente porque defendem a constituição de um estado palestino.
Para Biden, o foco seria evitar o alinhamento do Brasil com Russia e China e poder se apoiar no país como forma de conter as pretensões da Venezuela na Guiana, sem um envolvimento direto. O Planalto está disposto a cumprir esse papel e que usar o G20 para projetar liderança. Para tanto, quer evoluir da Palestina para o debate da ordem global – como faz hoje o ministro Mauro Vieira.
2) Vai se voltar novamente para a agenda econômica e as negociações no Congresso, que continuarão a ter como pano de fundo à sucessão nas presidências da Câmara e do Senado.
É esse o sentido do “ressurgimento” de Haddad no noticiário e nos bastidores políticos, retomando as negociações acerca das reonerações e das emendas parlamentares.
Nesse campo, o acordo está muito mais próximo com Rodrigo Pacheco (que criticou as falas de Lula) do que com Arthur Lira, que não deu tanta atenção ao tema, até o momento (a não ser como “mediador” de embates no púlpito da Câmara).
Os próximos passos nesse jogo mostrarão em que pé está a base parlamentar do governo, após uma série de atritos recentes (mas também concessões) e como funcionará a “linha direta” entre Lula e Lira. Outro ponto a ser observado são as movimentações sucessórias.
O incomodo de Bolsonaro com a possibilidade de que o nome do deputado Marcos Pereira (Republicanos) ganhe tração confirma que ele seria, mesmo, o candidato preferido do Planalto. A questão é se vai ser possível uma composição com Lira, nesse sentido.
Outro fator que fica nítido hoje é a dualidade inerente ao governo – que se manterá. Enquanto Lula faz um “gol” com sua base social (apesar do desgaste e da polêmica gerados), Haddad aborda o déficit da previdência, um tema quase “tabu” na esquerda.
Indicadores internacionais
Destaque amanhã, no exterior, para os PMIs Industrial e de Serviços de fevereiro e para os Pedidos Iniciais de Seguro Desemprego, todos relativos aos EUA, bem como para o IPC de janeiro na zona do Euro.
Política
Imbróglio com Israel: recomenda-se ouvir Marcilio Marques Moreira
21/02/2024Palavra do embaixador Marcílio Marques Moreira em conversa com o RR: a melhor saída para o contencioso diplomático com Israel seria não uma retratação, mas, sim, uma contextualização das declarações do presidente Lula por parte do governo brasileiro. É a voz de um mestre da conciliação, com larga trajetória no Itamaraty. Entre outros postos, foi embaixador do Brasil em Washington entre 1987 e 1991.
Política
Imbróglio com Israel: uma saída pelo centro
21/02/2024As discussões travadas no Palácio do Planalto contemplam ainda uma terceira via: a divulgação de um comunicado focando menos na parte e mais no todo. A ideia seria embalar o posicionamento com um discurso de pacificação mundial. Ou seja: Lula pode até ter usado de palavras duras e de imagens fortes em relação a Israel, mas com o propósito de liderar um movimento para debelar os conflitos internacionais que se espalham pelas mais diversas regiões do planeta. Seria como uma conclamação a chefes de Estado de todo o mundo para se empenharem pelo fim não apenas da guerra entre Israel e Hamas, mas também dos confrontos entre Rússia e Ucrânia e dos combates armados em Mianmar, Sudão, Somália, entre outros. Essa estratégia teria, sim, uma dose de diversionismo. No entanto, poderia ser uma maneira de Lula tentar fazer do limão uma limonada para ser servida não só no front interno, mas, sobretudo, para líderes internacionais. É a missão mais difícil.
Política
Imbróglio com Israel: uma saída pela esquerda
21/02/2024Os colaboradores de Lula, principalmente Celso Amorim, acham que o presidente deve soprar via comunicado e morder com a continuidade dos protestos às atitudes ofensivas e anti diplomáticas de Israel. O tom é que o agravo foi contra a Nação brasileira, indo além da condenação da fala do presidente. Ou seja: Amorim defende que se morda mais antes de soprar. E que o comunicado seja o suficientemente amplo para incluir, mesmo que de forma as vezes subliminar, os públicos judaicos interno e externo, e afins, como os neopentecostais e simpatizantes.
Política
Imbróglio com Israel: uma saída pela direita
21/02/2024Os assessores do presidente Lula diretamente envolvidos em encontrar uma solução adequada para retirar a crise com Israel da pauta – à frente Celso Amorim e o chanceler Mauro Vieira – estão quebrando a cabeça com uma questão de ordem semântica: fazer com que um pedido de desculpas seja compreendido como um esclarecimento. A narrativa exige a condenação firme do holocausto, a distinção do povo judaico do massacre da Palestina – esta, uma decisão de Estado -, e a confissão de que no calor da indignação o presidente fez uma associação forte que não corresponde ao seu real pensamento. Esse caminho pressupõe outro malabarismo: condenar os atos terroristas e desumanos do Hamas. No momento, está sendo feito um enorme garimpo em declarações anteriores de Lula positivas a tudo que se refere a Israel e aos judeus, para embasar o comunicado. A linha da argumentação é a de “como Lula disse em outra oportunidade…”. O esforço é encontrar a referência nos seus dois mandatos anteriores. Isso daria um peso institucional e credibilidade maiores à iniciativa. Vão achar. Lula fala sobre tudo e sobre todos.
RR Destaques
O cálculo do Planalto
20/02/2024Movimentos como o apoio do presidente da Colômbia, Gustavo Pedro, e a forte mobilização da base lulista nas redes, hoje, diminuem a percepção de que as declarações de Lula acerca de Israel foram um improviso ou um deslize. Tal linha parece ainda mais clara porque o Planalto, em vez de evitar, abraçou o tema, por meio de diversas manifestações e da comunicação oficial – ainda que sem reiterar a comparação entre as ações de Israel e do Nazismo.
Ao mesmo tempo, ocorre uma curiosa inversão de papéis. A oposição reage com força e organização no Congresso, contando com novo aceno do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, que cobra retratação de Lula além de dominar a grande mídia. Enquanto isso, a defesa e construção de narrativa “governistas” invadem as redes sociais.
Trata-se de um dos mais fortes engajamentos conquistados pelo Planalto em muito tempo, praticamente revertendo a “decepção” com diversas ações recentes de Lula, como a escolha dos ministros do STF.
Parecem ser essas, justamente, as apostas do Planalto, ao não recuar:
1) A “descoberta” de um tema capaz de energizar e engajar seus apoiadores, algo típico da polarização dos últimos anos, mas que ainda parece passar ao largo da compreensão da grande mídia;
2) A imagem de Lula como a liderança que capitaneia a reação às ações militares de Israel, dizendo o que EUA e Europa não seriam capazes de dizer e assumindo a frente da América do Sul e dos países em desenvolvimento. Uma forma de ganhar protagonismo no “sul global”, mas sem qualquer tipo de alinhamento com Rússia e China – o que, aí sim, incomodaria os norte americanos.
Ou seja, por um lado, haveria pouco ou nada a perder nas relações com o “Ocidente” (ainda mais com o acordo entre Mercosul e União Europeia praticamente enterrado). Por outro, bastante a ganhar com a ideia de que Lula tenta impedir uma nova ofensiva em Gaza, “puxando” outros países no processo. Ou, caso ela ocorra e gere novas mortes e condenações humanitárias, que o país teve a coragem de denunciá-la, previamente.
Não é à toa que essa narrativa está sendo construída nas redes, como uma teia, por meio de diferentes fontes, interlocutores e conteúdos.
3) A avaliação de que, tendo sempre na manga a carta não de uma retratação, mas de algum tipo de retificação, o tema, por polêmico e desgastante que seja, não estaria entre as prioridades do mundo político (Centrão a frente) nem dos agentes econômicos (o que parece corroborado pelas duas altas consecutivas da bolsa, ontem e hoje).
Não se está aqui avaliando, de forma alguma, o teor das declarações. Nem que a “estratégia” será bem-sucedida. O governo, por exemplo, não parece ter intenção de implementar qualquer tipo de “boicote” econômico, o que pode até ocorrer, da parte de Israel, onde Netanyahu usa a questão como arma de política interna.
Mas trata-se, aí sim, de um sinal contundente de algo que o Destaques vem salientando: Lula buscará, a seu modo, uma comunicação mais ofensiva e mais polarizada em 2024. Seja porque avalia que o governo terá mais a entregar e está mais “seguro”, seja porque calcula que esse será o mote das eleições.
A conclusão? Não se trata de um erro ou de um ponto fora da curva e, sim, de uma tendencia.
Já o grau de pragmatismo envolvido no processo se dará na decisão de como e quando “baixar a fervura” (ainda que indiretamente e com a possibilidade de resposta a postagens do chanceler israelense nas redes sociais). A oportunidade mais óbvia já está na mesa: a visita do secretário de estado dos EUA, Antony Blinken, que chegou hoje ao Brasil.
Indicadores
Ainda sobre os EUA, mas na economia, destaque para a divulgação, amanhã, da Ata da reunião do FOMC, que definiu a manutenção da taxa de juros.
Política
Israel x Gaza: José Dirceu dispara contra aliados por falta de apoio a Lula
20/02/2024O ex-ministro José Dirceu passou o dia de ontem disparando ligações para todos os lados. O tema foi um só: a repercussão em torno da declaração de Lula sobre o conflito entre Israel e Gaza. Dirceu ficou inconformado com a falta de articulação dos petistas e do núcleo duro do governo junto a toda base aliada. Lula foi alvo de protestos das organizações judaicas mais variadas, já não bastasse o poder brutal de comunicação do Estado de Israel. Nos contatos feitos ao longo do dia, Dirceu não escondeu sua indignação com a “tímida” reação do PT, que ficou praticamente circunscrita às falas do embaixador Celso Amorim e de Gleisi Hoffmann.
Ontem, em declaração à colunista Monica Bergamo, da Folha de S. Paulo, José Dirceu classificou a reação contra Lula como “uma hipocrisia sem tamanho”. Intramuros, em conversas reservadas, usou um tom ainda mais duro para se referir ao entorno do presidente. A um dos interlocutores, o ex-ministro teria dito que a “tal” base aliada “só chia” quando é para dentro ou quando a briga é pequena. Dirceu também apontou sua metralhadora para partidos aliados, políticos, intelectuais e formadores de opinião, pela ausência de manifestações de apoio a Lula. Em outro front, o petista atacou duramente o tratamento dado pelo governo israelense ao embaixador brasileiro em Tel-Aviv – “uma ofensa” e um gesto de “anti diplomacia”.
Negócios
Indústria brasileira da saúde entra no radar da Otan
13/11/2023A Instramed, uma das principais fabricantes de equipamentos médicos do país, fechou a venda de 660 desfibriladores para o Exército da Espanha. A negociação tem uma razoável importância estratégica: o contrato abre caminho para a empresa junto a outros países da OTAN. Para fechar o acordo com as Forças Armadas espanholas, a Instramed passou por um processo de homologação pela organização multilateral. As tensões globais e os conflitos entre Rússia e Ucrânia e Israel e Hamas tendem a alavancar a venda de equipamentos médicos para a área de Defesa. No caso especificamente dos desfibriladores, estima-se que esse mercado movimentará cerca de US$ 1,3 bilhão até 2028.
Destaque
Ecos da guerra: Embraer ganha vantagem sobre concorrente israelense
23/10/2023O conflito entre Israel e o Hamas poderá abrir caminho para importantes movimentos da Embraer no setor de Defesa. A guerra eclode justamente no momento em que a empresa brasileira e a Israel Aerospace Industries (IAI) travam uma disputa por contratos na América do Sul. Segundo o RR apurou, as duas companhias estão no páreo para o fornecimento de aeronaves militares às Forças Armadas da Colômbia e Argentina.
São negócios fundamentais para a parceria entre a Embraer e a sueca Saab ganhar altitude – leia-se o acordo firmado em abril para a venda conjunta dos caças F-39 Gripen que serão montados em Gavião Peixoto (SP). O contrato de maior interesse da dupla é também aquele que, por uma combinação de fatores, mais poder ser impacto pelos confrontos na Faixa de Gaza: o fornecimento dos novos caças da Força Aérea colombiana, encomenda estimada em mais de US$ 1 bilhão.
De acordo com uma fonte do RR na área militar, a IAI era tida como pule de dez para ganhar a concorrência. Colômbia e Israel têm ligações comerciais históricas na indústria bélica, que fazem a balança pender para este último.
As 22 aeronaves Kfir que a Aeronáutica colombiana pretende substituir foram fabricadas exatamente pela Israel Aerospace Industries. No início deste ano, o país sul-americano fechou um contrato de US$ 130 milhões com a própria companhia para a compra de um sistema de defesa aérea, negócio que já estaria vinculado a um segundo movimento: o fornecimento dos caças. No entanto, o estremecimento nas relações diplomáticas entre Colômbia e Israel fragiliza a posição da IAI na disputa. O presidente colombiano, Gustavo Petro, tem feito pesadas críticas à postura do governo de Benjamin Netanyahu. Petro já mencionou publicamente a possibilidade de romper relações com Israel por conta do “genocídio” na Faixa de Gaza. O timing, ressalte-se, beneficia a dobradinha Embraer/Saab. Os próximos três meses serão decisivos na disputa pelo contrato com a Força Aérea colombiana: o país pretende firmar um memorando de entendimentos com o fabricante até o início de 2024, uma vez que os Kfir só serão utilizados até o fim do ano que vem.
As circunstâncias restringem também o poder de fogo da Israel Aerospace Industrie nas negociações junto à Argentina. Nesse caso, Embraer e IAI concorrem pelo fornecimento do caças que substituirão o Dassault Mirage III, desativados em 2015. Em termos financeiros, trata-se de um contrato inferior ao da Força Aérea colombiana: a estimativa é de aproximadamente US$ 600 milhões. Ainda assim, trata-se de um duelo importante para marcar território no mercado da América Latina. China e Índia também disputam a encomenda. No entanto, Brasil e Israel já estariam em tratativas mais avançadas. Devido às notórias restrições orçamentárias da Argentina, a própria IAI já ofereceu às Forças Armadas locais uma solução meia-sola: a venda de aeronaves Kfir de segunda mão, que teriam de passar por uma modernização em uma de suas fábricas em Israel. A Embraer, por sua vez, tenta emplacar o F-39 Gripen. Tem como trunfo as relações entre os governos do Brasil e a Argentina. E os efeitos que um conflito eventualmente mais longo poderão ter sobre sua concorrente.
O prolongamento da guerra na Faixa Gaza coloca em xeque a capacidade da Israel Aerospace Industrie de abrir novas frentes comerciais neste momento. A indústria de Defesa de Israel está desviando emergencialmente suas linhas de produção para atender às Forças Armadas do país – desde o início do confronto com o Hamas, a IAI passou a operar 24 horas por dia. Some-se a isso o fato de que a empresa já vinha de uma sobrecarga por conta da guerra entre Rússia e Ucrânia, que aumentou a demanda armamentista entre as principais nações da Europa.
Painel RR – Comércio exterior
Os efeitos do Conflito Israel-Hamas na cadeia global de fertilizante
18/10/2023De uma só vez, dois conflitos internacionais alimentam a preocupação do agronegócio brasileiro em relação ao suprimento de matérias-primas para a produção de fertilizantes. Ainda que em menor proporção do que a guerra entre Rússia e Ucrânia, a ofensiva de Israel em Gaza pode afetar suas exportações de adubo. O país é responsável por aproximadamente 5% dos fertilizantes consumidos no Brasil. O RR reúne a seguir algumas análises de especialistas internacionais sobre os possíveis impactos do conflito contra o Hamas na produção e distribuição de adubo em Israel:
- Porto de Ashdod A deflagração do conflito entre Israel e Hamas acentuou as preocupações em relação à cadeia global de fertilizantes, conturbada em âmbito mundial desde o início da Guerra na Ucrânia. O porto de Ashdod, um dos principais de Israel e localizado próximo ao norte do território da Faixa de Gaza, especialmente na exportação de fertilizantes a base de potássio, está operando em situação de emergência desde o início da guerra, o que fez disparar as ações de companhias que atuam no setor de fertilizantes. https://www.moneycontrol.com/news/business/stocks/fertilizer-stocks-soar-on-increased-prices-due-to-israel-hamas-war-11540121.html
- Sarah Zimmermann O preço do fertilizante está sujeito também à taxação por “risco de guerra”. Seguradoras começaram a realizar esta cobrança a navios que fazem escala nos portos de Israel. Em relação especificamente ao comércio marítimo, a apreensão é em relação ao envolvimento do Irã e do Egito no conflito, prejudicando o escoamento das exportações via Estreito de Ormuz (Irã) e Canal de Suez (Egito). A operação em “modo de emergência” na região coloca em risco cerca de 2 a 3% do fornecimento global de potássio. https://www.agriculturedive.com/news/israel-hamas-war-fertilizer-exports-shipping-gaza/696567/
- Josh Linville Uma eventual expansão do conflito para outros países próximos a Israel podem afetar a exportação de ureia, popular fertilizante hidrogenado. Segundo Josh Linville, da StoneX, mais de 50 % das exportações globais de ureia correspondem aos países do Norte da África e Oriente Médio. O impacto na agricultura desencadearia, consequentemente, a elevação dos preços dos alimentos em escala global. https://www.rrfn.com/2023/10/16/the-new-war-and-the-impact-on-agriculture/
- Michael Cada, Joe DeLaura, Stefan Vogel O cenário que mais preocupa agora é a escalada do conflito para nações vizinhas à Israel. O impacto não seria apenas na produção local, mas em proporções mundiais a partir do momento em que afetaria o comércio marítimo, especialmente no Mar Mediterrâneo, onde grande parte dos navios chegam por meio do Canal de Suez. O preço do fertilizante é diretamente relacionado ao custo de energia. Para além de insumos como potássio e ureia, o Oriente Médio concentra também maiores nações produtoras e exportadoras de petróleo do mundo. https://www.rabobank.com/knowledge/d011397372-from-ukraine-war-to-middle-east-war-another-huge-blow-to-global-stability
- Produto represado Os estoques de fertilizantes em Israel já subiram 20% em razão das dificuldades de escoamento do produto. O conflito afeta, sobretudo, a distribuição de insumos à base de potássio. Já se prevê uma alta dos preços internacionais. https://tradebrains.in/features/fertilizer-stocks-jump-up-to-20-after-disruption-in-supply-chain-amid-israel-hamas-war/
Painel RR – Internacional
Como o mundo está vendo o Brasil no Conselho de Segurança da ONU
16/10/2023O Brasil está sob julgamento. Os olhos do mundo se voltam para a forma como o governo brasileiro, na presidência provisória do Conselho de Segurança da ONU, tem conduzido as tratativas em torno dos conflitos entre Israel e Hamas. O escrutínio global em um momento tão sensível pode ser determinante para afastar ou aproximar o Brasil de um velho projeto: tornar-se membro permanente do Conselho.
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Saboor Bayat
A atuação do Brasil do contexto da guerra, na condição de presidente do Conselho de Segurança, tem chamado a atenção pelo seu papel ativo e pela dedicação acerca das questões humanitárias. O país assumiu um papel mediador perante um Conselho de Segurança dividido entre os países envolvidos no conflito.
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Michelle Nichols
Também na sexta, o Brasil, apresentou a proposta de pausas para permissão de acesso à ajuda. Ambos condenaram os ataques e a hostilidade contra a população, enquanto a Rússia divulgou um projeto clamando pelo cessar-fogo humanitário. O Brasil condenou diretamente o grupo Hamas, enquanto a Rússia não citou nomes. Os membros do Conselho de Segurança têm apresentado dificuldades de chegar a um consenso sobre o conflito. Os cinco membros permanentes do conselho (China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia) possuem alinhamentos geopolíticos distintos em relação aos envolvidos na guerra.
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“Trabalho incansável”
Lula afirmou que a atuação do país enquanto presidente do Conselho de Segurança da ONU será de “trabalho incansável” para evitar a propagação do conflito no Oriente Médio e para evitar uma catástrofe humanitária. O presidente tem tratado com autoridades do Egito a saída de brasileiros de Gaza, por meio da abertura da passagem de Rafah, na fronteira com o território egípcio. O governo do Egito teme em abrir a passagem e sofrer com o fluxo migratório intenso de pessoas em busca de refúgio e também com a possibilidade de infiltração do Hamas no país.
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Convocação do Conselho
O jornal israelense destaca a postura do Brasil e de seus diplomatas pela convocação de uma reunião do Conselho de Segurança. De certa forma, a análise vale mais pelo que não está escrito: chama a atenção que um veículo israelense não tenha feito críticas à demora do governo brasileiro em se referir ao Hamas como um grupo terrorista.
Política externa
Lula calibra o timing e a forma para se posicionar sobre conflitos em Gaza
10/10/2023A partir das conversas mantidas entre Lula e seus assessores de política externa, notadamente Celso Amorim, desde o fim de semana, há três possibilidades sobre a mesa para o posicionamento do Brasil em relação ao confronto entre Israel e o Hamas. Uma delas é o envio de uma carta aberta do presidente brasileiro a todos os 193 países membros da ONU. Outra ideia é um manifestação de Lula por meio do Conselho de Segurança das Nações Unidas, neste momento presidido temporariamente pelo Brasil.
Do ponto de vista formal, o presidente se dirigiria a um número restrito de nações – o Conselho tem 15 integrantes, sendo cinco permanentes (Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia e China). Por fim, a terceira hipótese discutida é um posicionamento de Lula ao G-20. Este seria o caminho menos convencional. A rigor, o “clube” das 20 maiores economias globais é um fórum de ministros da Fazenda e autoridades monetárias.
No entanto, Lula avalia que há um custo de oportunidade. O fato de o Brasil ser o atual presidente do G-20 e sede da próxima reunião de cúpula, no ano que vem, daria uma dimensão maior ao posicionamento. Ressalte-se ainda que o grupo reúne os países que efetivamente decidem e mandam no concerto das nações.
Painel RR - Conjuntura
O ouro e o Bitcoin nas guerras
10/10/2023De um lado, Rússia vs. Ucrânia; do outro, Israel vs. Hamas. Como o ouro e o Bitcoin vão reagir à coexistência das duas guerras, com seus impactos geoeconômicos, notadamente na Europa e no Oriente Médio? De que maneira os confrontos bélicos poderão afetar uma das mais antigas e uma das mais modernas reservas de valor? O RR foi buscar a palavra de especialistas que já se debruçam sobre o tema.
- Marixport
Relatório da Marixport comparou o ouro ao bitcoin, apelidado de “ouro digital”. Em performance, o bitcoin superou os demais ativos de investimento com ampla vantagem, crescendo 550 mil vezes em 13 anos. Especialistas apontam a vantagem do bitcoin na característica da escassez programada. A emissão máxima é de 21 milhões de unidades. Por outro lado, é impossível de saber quanto ouro ainda há disponível no mundo. (Exame)
- Leonardo Rubinstein
Estabilidade do bitcoin chama atenção em meio à Guerra entre Israel e Hamas. Especialistas apontam que a descentralização da moeda digital faz com que sua operação seja desvinculada à de países ou de instituições financeiras. (Blocktrends)
- TradingView
A correlação entre o ouro e o bitcoin tem apresentado declínio nas últimas três semanas. Dados divulgados pelo TradingView em 09/10 mostram que a correlação entre o ouro e o bitcoin é de –0,78%. A queda coincide com a queda do preço do ouro, que teve redução de 3,5% no último mês. (Criptofácil)
- Federal Reserve (FED)
Comentários desfavoráveis ao aperto monetário por parte de dois membros do Federal Reserve (FED) incentivaram a busca por cenários mais arriscados no mercado global, o que afetou a cotação das criptomoedas. Na manhã de hoje, o bitcoin operava em leve alta de 0,30%. A preocupação acerca do conflito Israel-Hamas provocou a valorização do ouro e do petróleo, e a queda do dólar. (InfoMoney)
- Peter Schiff
O ouro é um ativo que exerce a função de reserva de valor, não estando diretamente vinculado a nenhuma moeda específica e mantendo seu valor ao longo do tempo, o que é propício em situações de incerteza econômica e geopolítica. O megainvestidor Peter Shiff, por meio de sua conta no X (ex-Twitter), questionou o mercado quanto à valorização tímida do ouro e do petróleo no contexto da guerra. (Live Coins)
O próximo ato de Bolsonaro contra o TSE
18/05/2022O Palácio do Planalto pretende jogar mais lenha na fogueira do processo eleitoral. Segundo o RR apurou, o presidente Jair Bolsonaro e assessores discutem o envio de uma comitiva ao exterior, mais precisamente a Israel, com o objetivo de contratar uma empresa de cibersegurança especializada em sistemas de votação. Assessores de Bolsonaro, notadamente da ala militar, defendem que o próprio ministro da Defesa, general Paulo Sergio Nogueira, seja um dos integrantes da delegação. Outro nome escalado para a missão seria o “03” Eduardo Bolsonaro. Procurados, a Presidência da República e o Ministério da Defesa não se pronunciaram. As discussões no Palácio do Planalto contemplam dois cenários: a contratação da auditoria externa seria feita diretamente pela Presidência da República ou mesmo pelas Forças Armadas, que mantêm um assento na Comissão de Transparência das Eleições (CTE) do TSE. Curiosamente, por mais paradoxal que possa parecer, nas discussões internas assessores de Bolsonaro têm usado Israel como exemplo “cabal” de que os sistemas de votação eletrônicos não são seguros. Em 2021, na véspera da eleição, dados de 6,5 milhões de eleitores israelenses vazaram na internet.
Para que mexer nisso agora?
2/05/2022Líderes evangélicos estão pressionando Jair Bolsonaro a retomar uma polêmica promessa de início de mandato que ficou pelo caminho: a transferência da embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém.
Acervo RR
Luz amarela
10/03/2022O Ministério das Comunicações estuda enviar uma delegação a Israel para analisar uma tecnologia de luminárias públicas inteligentes com conexão 5G. Espera-se que não seja desperdício de dinheiro público. Na última vez que o governo mandou uma comitiva a Israel foi para avaliar um suposto spray nasal contra a Covid, que jamais saiu do papel.
Bolsonaro rumo a Israel
5/07/2021O Itamaraty iniciou tratativas para um encontro entre o presidente Jair Bolsonaro e o novo primeiro-ministro de Israel, Naftali Bennett, ainda neste ano. Trata-se de um movimento importante no tabuleiro da diplomacia, uma vez que o antecessor de Bennett, Benjamin Netanyahu, era considerado um dos aliados estratégicos do governo brasileiro no cenário internacional. Em tempo: sem Donald Trump na Casa Branca, é provável que Bolsonaro deixe de lado a promessa de transferir a Embaixada de Tel-Aviv para Jerusalém.