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Há um novo best-seller no mercado – leia-se mercado como o mundo das instituições financeiras. Trata-se da “Economia Pós-Pandemia – Desmontando os mitos da Austeridade Fiscal e Construindo um Novo Paradigma Econômico”. O título já diz do que se trata. A demanda pela obra, porém, atrai mais por uma das organizadoras da coletânea de artigos do que pelo próprio enunciado do livro. Trata-se da economista Esther Dweck, braço direito de Nelson Barbosa, considerado pule de 10 para o cargo de ministro do Planejamento. É ela que acompanha Barbosa nas reuniões com integrantes do atual governo, a exemplo de Paulo Guedes. O livro pode levar ao suicídio os banqueiros e financistas que acreditarem estar ali a síntese maior do pensamento econômico do PT a ser aplicada em uma futura política econômica. É bom que Lula se informe direitinho sobre os motivos da queda da primeira-ministra inglesa, Liz Truss. Sua receita para área fiscal era bem mais suave do que a preconizada no livro-bomba.
O economista Luiz Gonzaga Belluzzo pertence à categoria dos perpétuos. Belluzzo, que esteve na comissão de frente do Plano Cruzado e palpitou em diversos outros planos, é conselheiro de Lula desde os primórdios. Não bastasse a estreita aproximação com o presidente, o economista emplacou seu sobrinho, Guilherme Mello, no Comitê de Transição do Planejamento e Orçamento. Mello tem pouco mais de 30 anos, estudou na Unicamp e é tido como geniozinho. Foi ele que acompanhou Nelson Barbosa, virtual ministro do Planejamento, no encontro da última quinta-feira com o ministro Paulo Guedes. Mello é tido como um dos quadros técnicos certos do futuro governo. Mas, voltando ao professor Belluzzo, este está cada vez mais parecido com um monge. Vive aficionado por livros de história e considerando o presente um apêndice menor no cotejamento com os fatos pretéritos. Não é possível esquecer que Belluzzo, uma pessoa doce e um intelectual sofisticado, apoiou as políticas econômicas do governo de Dilma Rousseff.
O RR apurou que emissários do Grupo Saint Gobain bateram à porta do Advent, com a missão de sondar o interesse dos norte-americanos na compra da Telhanorte. O conglomerado francês quer se desfazer da rede de material de construção, com 77 lojas. O Advent é, ou melhor, foi do ramo. Durante anos, controlou a cadeia de lojas Quero-Quero, do Rio Grande do Sul. Em 2020, embolsou cerca de R$ 1,96 bilhão com o IPO da empresa e sua consequente saída do capital.
O RR apurou que a China já fez chegar a auxiliares do presidente eleito Lula o interesse em participar de projetos para a expansão do parque nuclear brasileiro. Por meio da estatal CNCC (China National Nuclear Corporation), os chineses estariam dispostos a firmar parceria tanto para a conclusão das obras de Angra 3 quanto para a construção de novas usinas atômicas no país. Ainda que, por ora, sejam apenas acenos preliminares, não é de hoje que a China vem tentando se posicionar como parceira do governo brasileiro na área de energia nuclear. Em 2019, emissários da CNCC abriram tratativas com o então ministro de Minas e Energia, Almirante Bento Albuquerque, e com a direção da Eletronuclear. À época, uma comitiva da estatal chinesa chegou a visitar as instalações de Angra 3, cujas obras estão paradas desde 2015. No entanto, as conversações ficaram pelo caminho, muito em razão da inclinação do governo Bolsonaro pró-Rússia. Em setembro do ano passado, a Eletronuclear e a estatal russa Rosatom firmaram um memorando de entendimentos para transferência de tecnologia nuclear e gestão e construção de usinas. Desde então, a Rússia tornou-se o mais próximo de um parceiro estratégico do Brasil em geração nuclear. Ao menos no papel, já que na prática o acordo com a Eletrobras não rendeu qualquer consequência efetiva até o momento.
Qualquer iniciativa do futuro governo Lula no sentido de expandir a produção de energia nuclear no Brasil seria uma revisita ao passado do próprio PT. Durante seu primeiro mandato, a presidente Dilma Rousseff anunciou o plano de construir quatro novas geradoras atômicas até 2030 – ao menos duas das novas plantas ficariam no Nordeste. Agora o tema volta à baila. Mauricio Tolmasquim, um dos principais formuladores do programa de Lula para a área de energia, já disse publicamente da intenção do futuro governo de investir em energia nuclear e de buscar parceiros privados. Nesse caso, as circunstâncias podem favorecer tratativas com Pequim para eventuais investimentos conjuntos. Neste momento, em função da guerra contra a Ucrânia, qualquer parceria com a Rússia, de Vladimir Putin, traz inevitavelmente uma carga de desgaste e de pressões contrárias. Sobretudo tratando-se de uma área tão sensível, como a energia atômica, visceralmente imbricada com a própria segurança nacional. A guerra entre Rússia e Ucrânia e as tensões entre China e Taiwan aumentaram as preocupações internacionais em relação a novos projetos que envolvam energia atômica. O próprio Brasil, por exemplo, não tem conseguido aval da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) para a construção de seu primeiro submarino de propulsão nuclear.
A Auren – a joint venture entre a Votorantim e a canadense CPP Investimentos – tem mantido conversações para a compra de parte da carteira de projetos de um dos maiores grupos de energia eólica no Brasil. Os ativos em questão somam mais de R$ 5 bilhões em investimentos. A Auren já está aportando um caminhão de dinheiro em geração renovável. Só em dois dos empreendimentos mais recentes – os parques de energia solar Sol do Piauí e Jaíba V – serão R$ 2,2 bilhões.
Lula foi convidado pelo presidente Andrés Manuel López Obrador para uma visita “pré-oficial” à Cidade do México em dezembro. O encontro entre ambos deveria ter ocorrido na sexta-feira passada, por ocasião da reunião de cúpula da Aliança do Pacífico. No entanto, Lula cancelou a viagem por recomendação médica, após a cirurgia na garganta. A interlocução do presidente eleito com López Obrador é, desde já, um sinal promissor para os exportadores brasileiros. O Brasil responde hoje por apenas 3% de todas as importações mexicanas. A baixa inserção comercial é alimentada por uma série de travas alfandegárias. Cerca de 60% dos produtos vendidos pelo Brasil ao México são sobretaxados.
México e Colômbia são as próximas paradas do BTG. Segundo o RR apurou, o banco de André Esteves planeja lançar uma plataforma de investimentos nos dois países até o fim de 2023. Trata-se de um projeto expansionista que mira os principais mercados da América Latina: recentemente, o BTG iniciou uma operação nos mesmos moldes no Chile. De acordo com a mesma fonte, a investida seria acompanhada da compra de corretoras ou mesmo fintechs. No caso da Colômbia, esse terreno já começou a ser preparado, com a aquisição da Bolsa y Renta. Consultado pelo RR, o BTG não quis se manifestar.
A corrida do governo Bolsonaro para ocupar cargos públicos na reta final do mandato produziu mais um rumoroso episódio, desta vez no Ministério de Ciência e Tecnologia (MCTI). A indicação do tecnólogo Antonio Carlos Lobo Soares para a direção do Museu Paraense Emilio Goeldi, mais antiga instituição científica da Amazônia, está causando um disse-me-disse dentro da Pasta. No Ministério, corre a informação de que a nomeação de Lobo Soares teria se dado por interveniência do ministro Paulo Alvim, atropelando, assim, ritos internos para a seleção do novo diretor. Há relatos ainda de que o Comitê de Busca montado pelo Ministério para conduzir o processo teria sofrido pressões para acelerar os trâmites e bater o martelo antes do segundo turno das eleições. Em contato com o RR, o Ministério da Ciência e Tecnologia garantiu que os critérios do “Comitê de Busca foram definidos por membros do Comitê sem qualquer interferência do MCTI”. Está feito o devido registro.
O fato é que o episódio não só tem provocado burburinhos no Ministério da Ciência e Tecnologia como acendeu um sinal de alerta no corpo técnico da Pasta. Ao apagar das luzes do governo Bolsonaro, há o receio de que a sanha aparelhista se estenda a outros órgãos. Neste momento, há cadeiras vagas na diretoria de outras duas unidades vinculadas à Pasta – o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas e o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia.
Se levar adiante a promessa de recorrer ao STF na tresloucada tentativa de anular os votos de 280 mil urnas, Valdemar da Costa Neto vai encontrar um ambiente tão ou mais hostil do que no TSE. Palavra de um ministro da própria Corte ao RR. Segundo o magistrado, nesse caso a tendência é que o Supremo não apenas confirme como até mesmo aumente o valor da multa aplicada pela Justiça Eleitoral ao PL, no valor de R$ 22,9 milhões. Como se não bastasse todo o jogo de cena que cerca os movimentos pirotécnicos de Costa Neto, o STF tem mantido como padrão corroborar a maior parte das decisões do TSE. Guardadas as devidas ressalvas e diferenças entre cada caso, o próprio ministro da Corte lembrou ao RR do recurso impetrado pelo ex-governador da Paraíba Ricardo Coutinho na tentativa de reverter sua condenação na Justiça Eleitoral. Na semana passada, a 1ª Turma do STF não apenas manteve os oito anos de inelegibilidade de Coutinho, decretados pelo TSE, como aplicou uma multa no ex-governador.
O Ministério de Minas e Energia informou ao Palácio do Planalto que a nova ponte entre o Brasil e o Paraguai deverá ser inaugurada em dezembro. Os R$ 420 milhões para a obra saíram dos cofres de Itaipu Binacional. Os 5% que faltam para conclusão da via são os acessos e trevos em terra, o que não impede a inauguração oficial. Por quem, não se sabe. O projeto sempre foi tratado como prioridade por Jair Bolsonaro, dada a boa relação com o presidente do Paraguai, Mario Abdo Benitez – um dos raros chefes de governo da América do Sul mais próximos a Bolsonaro. Só que agora, contando os dias para deixar o Palácio do Planalto, é pouco provável que o presidente queira saber de cortar fita de ponte.
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