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O BTG pode não ser o banco do coração do PT. Mas nenhum banqueiro se esforça mais do que André Esteves para cativar os ministros da Fazenda petistas. Com Guido Mantega, Esteves teve um caso explícito de acesso e interação. A história, como se sabe, foi parar até nos jornais. O RR, à época, encontrou os dois tricotando, em canto mais reservado e pouco iluminado do finado Hotel Maksoud Plaza. O local era o recinto escolhido para os jantares discretos. O papo fiado foi registrado nesta newsletter. Mas Mantega é água passada. Agora, Esteves está cercando Haddad. O hedge do banqueiro começa na primeira hora do primeiro rumor. Se der Persio Arida na Fazenda, a relação está mais que construída. Arida foi presidente do BTG, durante o período que Esteves, até injustamente, experimentou as agruras do cárcere. Mas com Haddad é um convívio a ser conquistado. E Esteves é um craque nesse assunto. Quem viu sua performance no almoço da Febraban, na última sexta-feira, quando se sentou bem ao lado de Haddad, assistiu aos sorrisos, comentários e salamaleques. Não dá para dizer que a proximidade com Esteves não tenha o seu lado positivo. O RR acha que o banqueiro do BTG e outros financistas, tais como André Jakurski e Luis Stuhlberger, são craques em enxergar a conjuntura por ângulos raros. Eles têm o que aconselhar. Mas sabe como é que é: quem dorme com os olhos dos outros não acorda a hora que quer.
O RR apurou há pouco que o ex-governador do Ceará Camilo Santana tenta emplacar o delegado da Polícia Federal Sandro Caron na Secretaria de Segurança Pública do Ministério da Justiça do governo Lula. A articulação tem, inclusive, causado desconforto dentro do PT, uma vez que a indicação de Caron passa ao largo de Flavio Dino, o mais cotado para assumir a Pasta da Justiça. Santana chegou a trabalhar anteriormente pela nomeação do delegado para a direção geral da própria PF. Essa hipótese ainda não está de todo descartada. No entanto, enfrenta resistências do próprio PT em função do passado lavajatista de Caron. O delegado comandava a Diretoria de Inteligência Policial (DIP) da Polícia Federal durante a Operação que levou Lula para a cadeia.
A “holding Neymar” já faz as contas das possíveis perdas financeiras caso o craque não volte a jogar na Copa do Mundo do Catar. As projeções doem tanto no bolso quanto o inchado tornozelo do jogador. Estima-se que o prejuízo possa chegar à casa dos US$ 10 milhões. O cálculo leva em consideração potenciais acordos pós-Copa, que tendem a diminuir consideravelmente com a ausência do jogador da competição. No entanto, a maior parte desse valore se refere a cláusulas de performance individual e de exposição que constam em contratos já em vigor. Um exemplo: alguém acha que foi por desleixo que Neymar se deixou filmar na volta para o segundo tempo da partida contra a Sérvia com o calção abaixado e uma cueca com a marca Puma em letras enormes sendo exibida para o mundo? Detalhe: nesse momento, o jogador não usava a camisa da seleção brasileira, da Nike. Ou seja: durante quase 20 segundos, as câmeras focaram na marca Puma, seu patrocinador oficial, e não na logo do parceiro da CBF.
A torção de Neymar machuca, por tabela, a miríade de executivos, assessores e marqueteiros que cercam o jogador. A “empresa Neymar” é uma das grandes corporações do business esportivo. Segundo dados da revista Forbes, o jogador ganha por ano cerca de US$ 55 milhões do PSG, entre salários e bônus por metas. Some-se a isso os mais de US$ 32 milhões estimados em contratos de publicidade. A contusão de Neymar é uma comoção nacional, para a torcida brasileira, e internacional, para o seu numeroso staff. Bem, caso o jogador não volte a atuar na Copa, sempre haverá saídas engenhosas para recuperar o brilho perdido. Um exemplo vem de 2018, quando o atacante foi duramente criticado por seu desempenho na Copa da Rússia e pela fama de “cai cai”. A “Neymar Company” fez do limão uma lucrativa limonada. Em um vídeo de um minuto e meio, exibido em horário nobre na TV, na noite de um domingo, 29 de julho, Neymar fez um desabafo falando de suas dificuldades, contusões e lamentando as críticas que recebeu. A catarse não passava de um anúncio publicitário bancado pela Gillette.
Marina Silva, principal candidata ao Ministério do Meio Ambiente, levou à equipe de transição a ideia de criação de um fundo multilateral para a proteção da Floresta Amazônica. A iniciativa envolveria os seis países que formam a chamada Amazônia Legal, ou seja, Brasil, Peru, Bolívia, Colômbia, Equador e Venezuela. Além de ações de combate ao desmatamento, o fundo seria voltado a financiar projetos sustentáveis na região, do manejo de florestas a investimentos ecossociais, como o apoio a agricultores familiares, povos e comunidades tradicionais do bioma. Ou seja: o foco não seria apenas o da preservação ambiental, mas também o de estimular a economicidade dos recursos amazônicos, contemplando as sinergias de cada país e mesmo investimentos conjuntos.
Nesse sentido, portanto, a proposta formulada por Marina Silva vai além da ideia apresentada recentemente pelo presidente da Colômbia, Gustavo Petro, que sugeriu a criação de um bloco dos países amazônicos especificamente para combater as queimadas. O fundo seria ainda aberto a doações de outros países de fora da região, em um modelo similar ao Fundo Amazônia – este restrito a ações no território brasileiro. Na esteira da forte repercussão causada pela participação de Lula na COP27, a ideia é que o petista se encontre com presidentes dos demais países da Amazônia Legal antes mesmo da posse para discutir a proposta.
Espera-se de Lula um choque de sorriso na Nação, que suportou quase quatro anos a carranca do presidente Jair Bolsonaro. Mas o Brasil que aguarda o petista não é nada risonho. Em 2023, o PIB poderá “crescer” 0% ou até ser negativo, dependendo da economia global, do que vai ser feito das contas fiscais e da política monetária – o Boletim Focus projeta, com otimismo, um PIB de 0,7%. A Selic, que se encontra em 13,75% pode bater em 15%, conforme se comenta no mercado. O próprio presidente do BC, Roberto Campos Neto, usando a linguagem cifrada do mercado, sinaliza que os 15% podem, sim, estar no radar.
A Selic está sendo arrastada para cima por uma carestia resiliente, cuja projeção para o IPCA está hoje em 5,01%, que dependendo da lassidão fiscal e da cada vez mais provável tempestade da economia global, ameaçar chegar a 7%, em 2023. A meta de inflação ficaria a ver navios e o BC teria de derrubar a atividade econômica, com o risco de uma recessão no primeiro ano do novo governo. O desemprego, que vai fechar o ano em pouco mais de 8%, terá no barato, em 2023, um aumento para 9%, e namora um índice de 11%. Ou seja: os indicadores macroeconômicos do último ano da gestão Bolsonaro serão certamente melhores do que os dos primeiros 12 meses do governo Lula. A herança da economia já é maldita. Não precisam os próceres do PT piorar as expectativas com suas declarações fora de hora e destituídas de conhecimento do assunto.
Segundo o RR apurou, a Neoenergia tem interesse na aquisição da Coelce, distribuidora de energia do Ceará. Na semana passada, a italiana Enel anunciou a intenção de vender o controle da empresa. Trata-se de uma oportunidade de alta voltagem para a Neoenergia expandir seu latifúndio elétrico no Nordeste. O grupo já controla as distribuidoras de energia da Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Com a compra da Coelce, passaria a ter um cinturão de empresas no Nordeste com faturamento na casa dos R$ 30 bilhões e mais de dez milhões de consumidores.
O IPO na B3 entrou em hibernação, mas os chilenos da Cencosud estão acordadíssimos em relação ao plano de expansão dos negócios no Brasil. Segundo uma fonte próxima à empresa, a rede varejista quer comprar redes de supermercados regionais. Nordeste e Minas Gerais são os principais mercados na mira do grupo. A Cencosud tem acumulado resultados positivos no Brasil. No terceiro trimestre, registrou um lucro de R$ 2,4 bilhões, 19% a mais do que em igual período em 2021.
A gestora inglesa Actis, que administra mais de US$ 20 bilhões, pretende aumentar sua participação e, consequentemente, seu poder decisório na Ômega Energia. No mercado, corre a informação de que os britânicos poderão fazer um novo leilão para a compra de ações em Bolsa. Hoje, a Actis detém cerca de 26% da empresa, posição montada a partir da compra de papéis no mercado e de uma injeção de capital em torno de R$ 1 bilhão. Os ingleses querem fazer da empresa sua ponta lança para investimentos em energia renovável no Brasil. Aliás, o que se diz nos corredores da Ômega é que há uma distância cada vez maior entre o apetite da Actis e do outro grande sócio da companhia, a Tarpon Investimentos. Hoje, a Ômega soma uma capacidade de geração em torno de 1,8 GW. A meta é duplicar a produção em até dois anos.
O governador eleito Tarcísio Freitas já sofre pressões para conceder reajuste salarial à Polícia Civil do estado logo no início da sua gestão. Segundo cálculos da própria categoria, a defasagem salarial em relação à inflação acumulada nos últimos oito anos supera os 50%. A missão de conduzir o assunto e, eventualmente, amainar eventuais insatisfações na corporação está a cargo dos delegados Artur Dian e Raquel Bobahi, ambos na equipe de transição de Freitas.
André Janones está encarregado de cuidar da transmissão da posse de Lula nas redes sociais. Uma das ideias do deputado federal é montar uma espécie de pool entre importantes influencers apoiadores do presidente, liderado por Felipe Neto. Janones, que se notabilizou por enfrentar a campanha de Jair Bolsonaro no terreno onde Carlos Bolsonaro sempre deitou e rolou – as mídias digitais -, tem planos ousados. Diz a quem quiser ouvir no entorno de Lula que a posse será o assunto mais comentado no Twitter em todo o mundo no dia 1º de janeiro.
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