Risco de cirurgia ainda ronda Jair Bolsonaro - Relatório Reservado

Risco de cirurgia ainda ronda Jair Bolsonaro

  • 16/07/2021
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A possibilidade de Jair Bolsonaro ser submetido a uma cirurgia nos próximos dias ainda está sobre a mesa. Não se trata, efetivamente, do cenário mais provável – ontem mesmo, o próprio Bolsonaro relativizou essa hipótese. Mas o estado do presidente, embora estável, tem algum grau de risco. O RR conversou em off the records com um dos profissionais de saúde que atendem o presidente. Segundo esta fonte, um dos principais receios do corpo médico, neste momento, é que a suboclusão – ou seja, a interrupção parcial da passagem do conteúdo alimentar e fecal pelo trato gastrointestinal – cause dano circulatório a alguma alça intestinal e derive para uma isquemia do mesentério. Em outras palavras, trata-se de uma espécie de infarto do intestino. Nesse caso, Bolsonaro teria de ser submetido a uma cirurgia, com um nível de complexidade maior. Como a anatomia abdominal do presidente foi demasiadamente modificada pelas seis operações que realizou desde setembro de 2018, muito provavelmente seria necessária uma intervenção cirúrgica convencional, uma vez que a laparoscopia (não invasiva) não costuma ter a precisão necessária em pacientes nessas condições. Procurados, o Hospital Vila Nova Star e a Presidência da República não se pronunciaram. Jair Bolsonaro teve o abdômen muito manipulado em procedimentos cirúrgicos. Complicações, mesmo que tardias, são comuns nesses casos. Intervenções dessa natureza causam as chamadas bridas ou aderências, enclaves de fribrose dentro do peritônio. O presidente sofre ainda de uma hérnia incisional, o que também pode criar espaços para que uma alça intestinal se insinue. Por ora, de acordo com a mesma fonte, o Bolsonaro está sendo submetido a um tratamento com dieta zero, descompressão do trato gastrointestinal por meio de sonda nasogástrica e correção dos distúrbios hidroeletrolíticos – deficiência na quantidade de eletrólitos (sódio, potássio, cálcio, entre outros) no corpo humano.

Em conversa com três cientistas políticos, o RR extraiu a seguinte síntese: o estado de saúde de Jair Bolsonaro provoca inevitáveis efeitos colaterais no cenário institucional e junto à opinião pública. Assim como a facada, às vésperas da eleição de 2018, criou fantasias e teorias da conspiração, é provável que, mais à frente, muitos enxerguem utilidade política no quadro clínico do presidente, a começar pelo próprio Bolsonaro e seus filhos. Um exemplo: a sugestão de postagem nas redes sociais de uma foto do presidente na UTI teria partido de Carlos Bolsonaro. Dadas as circunstâncias, a prole, por sinal, ganha mais peso. Com a hospitalização do presidente, na prática Carlos, Eduardo e Flavio assumem um pedacinho adicional do governo. Desde a internação, os três passaram a ser porta-vozes intensivos do pai junto a ministros e outros agentes políticos. Cada enfermidade com suas sequelas. Não quer dizer, também, que Bolsonaro não venha a tirar proveito do que seria a sua própria vitimização. Não esquecer que o impacto dessa “reinterpretação” dos fatos, não é de hoje, favorece o presidente.

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