Raízen encontra resistências à conversão de dívida em ações

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Raízen encontra resistências à conversão de dívida em ações

  • 31/03/2026
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A julgar por uma primeira rodada de tratativas com os principais credores, os acionistas da Raízen terão de subir uma ladeira íngreme em seu processo de recuperação extrajudicial. Os detentores de títulos de dívida da companhia têm manifestado forte objeção às condições apresentadas pela companhia. A portas fechadas, classificam a proposta de conversão de ao menos 45% do passivo em participação acionária de um haircut travestido de reestruturação de capital. Do outro lado da mesa estão bancos como Santander, Itaú, JP Morgan, Rabobank e BNP Paribas, entre outros. O passivo total em renegociação é de R$ 65 bilhões. A eventual conversão de 45%, por exemplo, representaria a transformação de aproximadamente R$ 30 bilhões de debt em equity. A reação contrária tem razões objetivas. Para esses investidores, a proposta altera de forma abrupta a natureza do risco originalmente contratado. Títulos de crédito — com fluxo definido, prioridade de pagamento e proteção jurídica — seriam convertidos em ações de uma companhia que enfrenta deterioração operacional e elevada incerteza sobre geração de caixa. Em outras palavras, os credores seriam empurrados para uma posição subordinada, sem garantias equivalentes e expostos à volatilidade de mercado.

Outro ponto sensível é a precificação implícita da conversão. Interlocutores próximos às negociações afirmam que o valuation embutido na proposta não reflete adequadamente o risco atual da companhia. Ao aceitar a troca, os investidores cristalizariam perdas relevantes em um momento em que ainda enxergam espaço para negociação de melhores termos — seja via alongamento de prazos, reforço de garantias ou ajustes no percentual de conversão. Ou seja: os controladores da Raízen, Cosan e Shell, ainda têm muita ladeira para escalar.

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