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Finanças
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, decidiu sair do ostracismo em que se meteu durante toda a gestão Lula. Primeiramente, prestou contas da sua atuação de fomento no BNDES, ressaltando que bateu recordes de empréstimos no banco – R$ 1 bilhão por dia em recursos liberados e uma carteira de crédito de R$ 664 bilhões. Em segundo, meteu-se em um curioso assunto que, aparentemente, não diz respeito a sua área de atuação: o firme combate às fintechs. Mercadante convocou um grupo de trabalho, do qual participarão o próprio BNDES, o BC, a Polícia Federal e o Ministério Público, além de representantes dos Ministérios da Justiça e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Dessas reuniões deverá sair um documento com sugestões para uma “política anti-fintechs” – seja lá o que isso queira dizer.
Mercadante entende que as fintechs se tornaram um problema estrutural, com tentáculos envolvendo todos esses segmentos. Elas influenciam as políticas monetária e de crédito, o crime, as atividades de empréstimo do banco de fomento e, finalmente, o comércio exterior, notadamente de bens eletroeletrônicos. O presidente do BNDES considera que as fintechs estão fazendo a ponte para que o Brasil se torno um novo México ou uma nova Colômbia. Não somente como corredor de drogas para o exterior, mas como intermediário em diversos setores, inclusive formas da economia.
Ao contrário do presidente do BC, Gabriel Galípolo, em sua audiência no Senado na última terça-feira, Mercadante depositou a culpa do enxame de fintechs no colo do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto. Galípolo disse que seu antecessor tomou as providências possíveis à época, inclusive discutindo uma legislação com o sistema financeiro para coibir as instituições paralegais. Mercadante, não. Ele jogou a culpa da proliferação nas costas de Campos Neto e considera que há muito de investigar sobre o assunto. Afinal, a grande mudança do BC em relação às fintechs foi uma espécie de truque semântico: as fintechs não podem ter o nome “banco” ou “bank” na sua nomenclatura, senão serão passíveis de punição. É como se a grande parcela de seus clientes, concentrada nas classes C, D e E, fosse prestar atenção nessa pequena alteração. De qualquer forma, mesmo que não tenha nada a ver com isso, é bem-vinda a preocupação de Mercadante. As fintechs são a saúva do sistema financeiro e, pelo andar da carruagem, dentro em pouco serão o braço de crédito da população de baixa renda e da criminalidade.
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