Buscar
Destaque
Há nuvens carregadas sobre o setor de varejo na maior economia do país. Depois da espanhola Dia e do St Marché, que entraram, respectivamente, em recuperação judicial e extrajudicial, a bola da vez nas prateleiras de São Paulo é a Oxxo, rede de mercados de proximidade com mais de 600 lojas, todas localizadas no estado. Segundo o RR apurou, tanto a Raízen quanto a mexicana Femsa, que dividem o controle da empresa por meio do Grupo Nós, estão reavaliando a continuidade do negócio nos moldes atuais.
A Raízen, joint venture entre a Cosan e a Shell, pretende se desfazer da sua participação de 50% dentro do processo de desmobilização de ativos. No caso dos mexicanos, a situação é mais complexa. A Femsa é dona da marca Oxxo, com a qual atua em diversos países da América Latina.
Uma saída seria tocar a operação com um novo sócio; a outra, mais radical, seria licenciar a gestão da Oxxo no Brasil, buscando uma espécie de master franqueado ou algo do gênero. Procurada pelo RR, a Raízen não quis comentar o assunto. A Femsa, por sua vez, não retornou até o fechamento desta matéria.
A operação do Oxxo no Brasil virou uma máquina de triturar dinheiro. Recentemente, Raízen e Femsa tiveram de aportar mais de R$ 150 milhões para a companhia conseguir honrar compromissos de curto prazo. Entre 2023 e 2024, o prejuízo mais do que quadruplicou, saltando de R$ 89 milhões para R$ 406 milhões.
No mesmo período, conforme consta nas demonstrações financeiras da Raízen, o passivo de curto prazo do Grupo Nós, dono do Oxxo, saiu de R$ 285 milhões para R$ 664 milhões. É um peso a mais sobre os acionistas. Também recentemente, o grupo se viu forçado a renegociar o vencimento de R$ 150 milhões em notas comerciais emitidas em março do ano passado.
A estratégia da Raízen e da Femsa de abrir uma loja do Oxxo por dia em São Paulo serviu como uma valiosa peça de marketing, mas produziu efeitos colaterais. A expansão acelerada queimou caixa e até o momento não gerou o retorno esperado. Some-se a isso problemas de ordem conceitual.
O modelo de negócio do Oxxo, de loja de conveniência de bairro, de pequeno porte e reduzida variedade de produtos, enfrenta resistências entre o consumidor brasileiro. Vide a própria espanhola Dia, que depois de uma longa crise vendeu suas 246 lojas em São Paulo para o empresário Nelson Tanure.
Todos os direitos reservados 1966-2026.