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Na Pague Menos, sai a expansão agressiva e entra a redução do passivo
8/08/2025A Pague Menos, um dos maiores grupos do varejo farmacêutico do país, está passando por um momento de inflexão estratégica. Depois de anos de forte expansão, a prioridade agora é reduzir o nível de alavancagem, ou seja, frear a expansão da rede de lojas para se concentrar no equilíbrio financeiro. O total de inaugurações neste ano deve girar em torno de 50 lojas, número modesto para os padrões recentes do grupo controlado por Deusmar de Queirós. Cada tempo com a sua prioridade. Entre junho de 2024 e junho deste ano, a Pague Menos já reduziu sua relação dívida líquida/Ebitda de 3,4 vezes para 2,6 vezes. Mérito do executivo Jonas Marques Neto, primeiro CEO da companhia de fora da família controladora. O índice, no entanto, ainda está acima do patamar considerado confortável pela direção da empresa. Internamente, o grupo cearense trabalha com a meta de chegar a uma relação de 2 para 1 até o fim deste ano.
Investidor darwiniano, carteira líquida: a liberdade financeira começa pela capacidade de adaptação
8/08/2025A liquidez — frequentemente tratada como um detalhe técnico ou um atributo de curto prazo — tem sido subestimada no debate sobre investimentos de longo prazo. Em nome da disciplina, muitos investidores estão criando carteiras rígidas, excessivamente travadas, com ativos que não podem ser movimentados sem custos ou carências severas.
Durante anos, o discurso foi sedutor: “pense no longo prazo, trave agora, colha depois”. E assim nasceu uma geração de investidores que confundiu disciplina com rigidez, e acabou construindo carteiras que funcionam bem no Excel, mas travam a vida real.
COEs (Certificados de Operações Estruturadas), fundos ilíquidos, produtos com carência, ativos sem mercado secundário — todos prometem retornos sofisticados, mas impõem uma limitação silenciosa: a incapacidade de reação. O que parecia segurança virou clausura. O que era para libertar, passou a engessar.
Ao longo dos últimos anos, popularizou-se a ideia de que “travar o capital” é sinônimo de responsabilidade. Mas a verdade é que visão de longo prazo não se constrói com rigidez, e sim com capacidade de adaptação. A liquidez, quando bem utilizada, não representa fragilidade — representa margem de manobra.
Um portfólio que não permite reação é uma armadilha travada no tempo. E o tempo muda. Sempre.
A mudança pode vir de muitas frentes: ciclos econômicos, choques fiscais, alterações geopolíticas, eventos sanitários extremos ou transformações ambientais inesperadas. Investidores que operam com liquidez estruturada conseguem tomar decisões com agilidade, proteger o capital ou até reposicionar estratégias em momentos decisivos.
Adaptação, mudança e liquidez como forma de sobrevivência financeira.
O investidor Darwiniano sabe que o objetivo da liquidez não é sair correndo de um ativo — é seguir andando para ativos mais adequados.
A verdadeira visão de longo prazo não está em travar o presente. Está em construir flexibilidade estratégica. Liquidez não é inimiga da disciplina. Pelo contrário: é o que mantém você no jogo quando o jogo muda.
Porque o mundo muda. O cenário fiscal muda. Sua vida muda. E quando muda, quem tem liquidez responde. Quem não tem reage — ou pior: se paralisa.
Pare por um momento e olhe para a sua carteira de investimentos.
Em um cenário de mudança abrupta — seja política, econômica, sanitária ou ambiental — você teria capacidade de manobra? A sua carteira é um trampolim ou uma camisa de força?
É claro que há espaço — e importância — para ativos de longo prazo. Investimentos com horizonte estendido e compromissos com o tempo têm seu papel, especialmente em estratégias previdenciárias e sucessórias. Mas eles não podem ser o núcleo operacional da sua estratégia.
E isso não significa pular de um investimento para outro a todo momento — significa apenas garantir que você não esteja amarrado quando o contexto exigir movimento.
O que precisa ser dito?
Se tudo mudasse amanhã, quanto da sua carteira conseguiria se mover com você?
Você não precisa da carteira mais arrojada, nem da mais defensiva.
Você precisa da carteira mais adaptável.
Porque liberdade financeira não é só sobre ter tudo.
É também sobre poder mudar quando tudo muda.
No jogo do longo prazo, vence quem se adapta. Porque no mercado — como ensinou Darwin sobre a evolução — não sobrevive o mais forte, mas o que melhor responde às mudanças do ambiente.
Marcos Tanner é um colaborador especial do Relatório Reservado.
Skaf “antecipa” posse e se lança como interlocutor entre a indústria e o governo Trump
8/08/2025A posse, marcada para o longínquo 1º de janeiro de 2026, não passa de mera formalidade. Paulo Skaf já pensa, fala, age, articula e conspira como presidente da Fiesp. Ungido ao cargo por aclamação – com 99% dos votos dos sindicatos que compõem a base eleitoral da entidade –, Skaf trabalha, desde já, em busca de um certo protagonismo no imbróglio das tarifas impostas por Donald Trump.
Imbróglio para os outros, que fique claro. Para ele, trata-se de um trampolim para se projetar como interlocutor da indústria brasileira junto aos Estados Unidos e, ao mesmo tempo, se capitalizar politicamente no front interno.
Entre as medidas que devem ser colocadas em marcha de forma imediata está a contratação de um escritório de representação em Washington, com o intuito de estabelecer canais de negociação com autoridades do governo Trump e entidades empresariais, a exemplo da influente US Chamber of Commerce, notória por seu eficiente aparato de lobby montado dentro do Congresso norte-americano.
Skaf pretende ir pessoalmente a Washington e atuar na linha de frente das conversas. O “futuro presidente já em exercício” da Fiesp joga um jogo no qual, a princípio, só tem a ganhar. Ele entra em cena, até prova em contrário, no auge do caos provocado pelas intimidações tarifárias de Trump. No caso de qualquer recuo do presidente norte-americano, Skaf estará no pôster do campeonato.
Durante a sua primeira e longeva passagem pelo comando da entidade, Paulo Skaf jamais deixou de ter seus alinhamentos políticos, vide o Pato da Fiesp, contra o governo Dilma. Tampouco demonstrou prurido em instrumentalizar a instituição em prol de interesses não exatamente setoriais.
Diante desse track record, uma pergunta se levanta: e Jair Bolsonaro, onde entra nesse script? Segundo informações filtradas pelo RR, toda essa valsa entre a Avenida Paulista e Washington estaria combinada com os Bolsonaro. Mesmo porque o próprio clã traz para si, como um ativo, a responsabilidade pelas sobretaxas.
Ou seja: a busca por uma interlocução direta com o governo Trump na tentativa de atenuar o impacto do tarifaço sobre a indústria brasileira não deve ser interpretada como um sinal de distanciamento de Bolsonaro. Skaf está onde sempre esteve, apenas com algum mimetismo.
Michael Klein tem o mapa para retomar posição relevante nas Casas Bahia
8/08/2025Engana-se quem pensa que Michael Klein tirou seu time de campo e desistiu da Casas Bahia. Muito pelo contrário. Há um burburinho no mercado que Klein tem feito aproximações sucessivas da Mapa Capital, do trio André Helmeister, Fernando Beda e Paulo Silvestri. Na última quarta-feira, após a conversão de R$ 1,5 bilhão em debêntures em participação societária, a gestora se tornou o maior acionista individual da rede varejista, com 85,5%. Talvez seja apenas feeling, talvez Klein já saiba das cenas dos próximos capítulos. O fato é que a investida do empresário parte da premissa de que a Mapa não pretende ficar com todo esse quinhão e venderá uma parcela expressiva das ações em seu poder. Seria a porta para Klein retomar uma posição relevante na empresa fundada por seu pai, Samuel. Com a conversão das debêntures, a família teve sua participação diluída de 22% para 5%. Quem conhece Michael Klein sabe que ele não vai se contentar com um “quartinho” no capital das Casas Bahia. Vide a sua recente tentativa de derrubar o chairman da companhia, Renato Carvalho, e assumir o comando do Conselho de Administração.
Minoritários da Zamp contestam valor da oferta pública
8/08/2025Corre no mercado que duas gestoras minoritárias da Zamp estão questionando o valor da oferta pública de aquisição de ações (OPA) lançada pelo Mubadala para fechar o capital da empresa. O fundo de Abu Dhabi apresentou uma proposta de R$ 3,50 por ação da companhia, controladora do Burger King no Brasil. A cifra representa um prêmio ínfimo sobre o atual valor de tela – R$ 3,48 no fechamento de ontem. O leilão está marcado para o dia 8 de setembro. Até lá, os dois minoritários insurretos deverão buscar a adesão de outros investidores como forma de pressionar o Mubadala a aumentar a oferta. O fundo precisa da aprovação do equivalente a dois terços do free float para assegurar o fechamento de capital da Zamp.
Uma “frente ampla” baiana por vaga no Tribunal de Contas do estado
8/08/2025Um raro momento de convergência entre o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, baianos que não se bicam. Ambos trabalham para emplacar o deputado federal Otto Filho (PSD-BA) no Tribunal de Contas da Bahia. Trata-se do filho do senador Otto Alencar (PSD-BA), um dos parlamentares da base aliada mais leais ao governo Lula. As gestões de Costa e Wagner passam pelo governador baiano, Jerônimo Rodrigues, a quem cabe a nomeação. Toda a costura remete a 2026. Rodrigues conta, desde já, com o apoio do grupo político de Alencar para disputar a reeleição ao governo do estado.