Arquivo Notícias - Página 185 de 1965 - Relatório Reservado

Últimas Notícias

Um pé no Planalto, um pé na Casa Branca: assim é a polarização da Loft

11/08/2025
  • Share

A Loft pode ser considerada a mais “polarizada” das startups brasileiras. Na última terça-feira, Sandro Westphal, vice-presidente de alianças e parcerias estratégicas da proptech, tomou posse no Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, o Conselhão de Lula. Do outro lado da moeda, a empresa mantém, já há algum tempo, laços razoavelmente estreitos com o governo de Donald Trump. Neste caso, o elo é a gestora norte-americana Andreeseen Horowitz, acionista da Loft. Ben Horowitz, um dos sócios da firma de private equity, não apenas apoiou a campanha de Trump como colaborou na indicação de nomes para a gestão Trump, notadamente para o DOGE, Departamento de Eficiência Governamental, que foi comandado por Elon Musk. Tamanha proximidade serviu de passaporte para a presença da Loft na posse do presidente norte-americano, por meio de Mate Pencz, um de seus fundadores. Conforme o RR já informou, a startup de compra e venda de imóveis tem, inclusive, planos de entrar nos Estados Unidos (https://relatorioreservado.com.br/noticias/turbinada-por-fundo-californiano-loft-prepara-seu-desembarque-nos-estados-unidos/). Ainda que indiretamente já tem um pé na soleira da Casa Branca. E agora também do Palácio do Planalto.

#Loft #Startup

A “diplomacia” mafiosa de Donald Trump

11/08/2025
  • Share

A diplomacia sem aspas já foi caracterizada como arte ou ciência, mas é simplesmente uma forma milenar de conduzir as relações entre entidades soberanas buscando, pela via da negociação, soluções mutuamente aceitáveis que previnam a eclosão de conflitos. Esse utilíssimo instrumento civilizatório obedece a normas fixadas em tratados e se vale de rituais consagrados pela prática no curso dos séculos.

Ou assim era até janeiro deste ano, quando Donald J. Trump assumiu pela segunda vez a presidência dos Estados Unidos da América, ainda hoje o país mais rico e militarmente mais poderoso do mundo, que se autodeclara um exemplo magnífico de democracia e respeito aos direitos humanos. A partir de então, foi inaugurada aquilo que já chamei de “diplomacia da chantagem” pela qual, valendo-se de métodos aprendidos graças à sua formação no bairro nova-iorquino do Queens e às atividades do pai, que possuía moradias para aluguel segregadas racialmente, Trump tenta subjugar alguns países e extrair de todos vantagens obtidas por meio da aplicação de tarifas abusivas e sanções de todo tipo.

A fim de executar suas propostas de campanha, Trump adotou desde o primeiro dia uma postura autocrática e imperialista, ignorando ou violando abertamente leis federais, regulamentos e até mesmo a Constituição mediante o uso de ordens executivas baseadas em legislações emergenciais, uma delas datada de 1798! Apesar de ter vários desses “decretos” questionados na Justiça, a expectativa geral é de que a Corte Suprema, atualmente dominada por juízes conservadores (três dos quais designados pelo próprio Trump), endossará todas ou quase todas as medidas excepcionais impostas pelo Executivo.

Vale notar que tais medidas espelham total ou parcialmente as recomendações contidas no Project 2025, uma coletânea de propostas de políticas de direita ou de ultradireita que visam remodelar o governo dos Estados Unidos mediante o fortalecimento do poder executivo. Ou seja, contrariando a impressão muito difundida de que Trump é louco ou age com base em impulsos dignos de um egomaníaco, trata-se na essência de um plano de voo bem amadurecido que passou pela cooptação do Partido Republicano e ganhou poder no MAGA.

Na área multilateral, Trump iniciou o desmonte da rede de instituições criada basicamente pelos Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial, mais uma vez retirando seu país do Acordo de Paris e abandonando o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, a Unesco e a Organização Mundial da Saúde, além de suspender as contribuições para a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Próximo e à Organização Mundial do Comércio.

Repetidamente, anuncia seu humilhante desejo de anexar o Canadá como 51º estado e ameaça ocupar militarmente a Groenlândia (que é um território autônomo dentro do reino da Dinamarca) e o Canal do Panamá, além de oferecer apoio integral a Benjamin Netanyahu em suas ações voltadas à criação do Great Israel, que vai do rio Jordão ao Mediterrâneo e implica a submissão/expulsão/extermínio dos palestinos que lá vivem há séculos.

Nas visitas feitas por chefes de Estado a Washington, em vez de seguir o formato tradicional de uma entrevista conjunta à imprensa depois dos encontros reservados, Trump agora as inicia com uma conversa no Salão Oval a que tem amplo acesso a mídia. Nesse novo modelito, ele já humilhou publicamente Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, e Cyril Ramaphosa, presidente da África do Sul, nesse caso o acusando falsamente de conduzir uma “limpeza étnica” contra os brancos em seu país.

Revelando sua ignorância em matéria econômica, Trump escolheu as tarifas como arma preferencial para as incursões mafiosas, argumentando que os Estados Unidos vinham sendo vilmente explorados por todos os países que exibiam saldo positivo no intercâmbio bilateral. No entanto, essa vitimização sem fundamento ruiu quando ele impôs tarifas punitivas ao Brasil que, pelo contrário, apresentava um pequeno déficit na área de comércio e um gigantesco déficit na área de serviços com os Estados Unidos.

E foi quando a máscara do imperialismo trumpiano caiu de vez, pois ele precisou apelar para o falso argumento de que o Brasil perseguia politicamente o ex-presidente que tentara dar um golpe idêntico ao dele em 6 de janeiro de 2021, com a invasão do Capitólio. Não custa lembrar que, em seu primeiro dia na Casa Branca, Trump perdoou cerca de 1.600 pessoas já condenadas ou aguardando julgamento por crimes relacionados àquele episódio, comutando as penas de 14 que agiram com maior violência.

Qualquer semelhança com o pedido de anistia aos envolvidos nas arruaças ocorridas na Praça dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023 obviamente não é mera coincidência. Desde então, sem que necessitemos relembrar o que está gravado para sempre na mente dos brasileiros realmente patriotas, assistimos a uma série de ataques à nossa soberania e à independência dos poderes, com penalidades aplicadas a membros do Supremo Tribunal Federal e ameaças criminosas a autoridades do Executivo, Judiciário e Legislativo sob o acicate de um vendilhão da pátria que coloca os interesses de sua família acima dos interesses da nação.

Às provocações do Departamento de Estado, aqui repercutidas insolitamente pela Embaixada norte-americana, o Itamaraty tem respondido com a convocação do encarregado de negócios (já que Trump se recusa a nomear um embaixador enquanto Lula for presidente) para que um funcionário de menor gabarito lhe manifeste o repúdio do Governo à mensagem insultuosa.

A muitos que julgam insatisfatória tal reação, só posso recomendar que façam das tripas coração e entendam que nos está sendo oferecida uma isca envenenada. Caso expulsássemos o tal encarregado de negócios ou chamássemos ao Brasil nossa embaixadora em Washington — gestos compreensíveis diante da agressão em curso — estaríamos apenas oferecendo a Trump a oportunidade de se fazer de vítima e nos impor sanções praticamente equivalentes ao rompimento das relações diplomáticas ou mesmo rompê-las formalmente.

Se ele de fato quiser fazê-lo para demonstrar o repúdio a um país que não se curva a suas exigências imperialistas, que assuma a responsabilidade por haver conspurcado duzentos anos de relacionamento amigável e respeitoso.

Mas não tenhamos ilusões: outras provocações, outras ameaças mafiosas e outras sanções já se encontram na rampa de lançamento de foguetes da Casa Branca de Donald Trump.

#Donald Trump

A nova estratégia de Lemann, Telles e Sicupira na área de real estate

11/08/2025
  • Share

Quais serão os próximos passos de Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles na área de real estate? O recente processo de alienação de ativos da São Carlos Empreendimentos, controlada pelo trio, tem alimentado especulações no mercado.

No setor, há informações de que a empresa está reduzindo seu portfólio de edifícios comerciais para aumentar sua posição em outros segmentos, como galpões logísticos e industriais. Existe um boom na demanda por estruturas de armazenagem, notadamente com a crescente chegada de grandes grupos de e-commerce chineses no Brasil.

O que também se ouve ao pé do ouvido é que a São Carlos avalia criar seus próprios fundos de investimento, em parceria com uma gestora da área de real estate. O objetivo seria atrair capital, sobretudo, de administradoras de fortunas e de family offices. É dinheiro que chama dinheiro que chama dinheiro.

Esse reposicionamento justificaria a intensa venda de ativos dos últimos meses. Em junho, a São Carlos se desfez de 19 imóveis do Best Center, sua vertical de centros de conveniência, por R$ 308 milhões.

No mês passado, a empresa de Lemann, Sicupira e Telles negociou em um só pacote oito prédios comerciais em São Paulo, Rio de Janeiro e Campinas para a gestora JiveMauá. Com o acordo, embolsou mais R$ 837 milhões.

#Jorge Paulo Lemann

Grupo boliviano sai à caça de sócio para fábrica de fertilizantes no Brasil

11/08/2025
  • Share

A boliviana Gravetal, conglomerado que atua no agronegócio e na indústria petroquímica, busca um sócio no Brasil para a construção de uma fábrica de fertilizantes no Mato Grosso do Sul. Há informações de que a Heringer e a Yara estão entre as empresas que já teriam sido procuradas. Nos bastidores, os bolivianos garantem ter um acordo engatilhado para a compra de gás junto à conterrânea YPFB, o que seria meio caminho andado para viabilizar o empreendimento – em alguns casos, o fornecimento de energia responde por quase 70% da estrutura de custos de uma fábrica de adubos. O investimento da Gravetal, já apresentado ao governo do Mato Grosso do Sul, prevê a produção de ureia e fosfatados. Este pode ser o segundo grande projeto do setor no estado. A Petrobras já anunciou a retomada das obras de construção da UFN-3, unidade de nitrogenados na cidade de Três Lagoas.

#Grupo boliviano

Governo brasileiro assessora Uruguai na criação da sua “Anvisa”

11/08/2025
  • Share

O Brasil – quem diria? – está exportando seu know how em questões de ordem regulatória. O governo brasileiro dará suporte técnico ao Uruguai para a criação da sua Agência Reguladora de Alimentos. O assunto está sendo conduzido pelo Itamaraty e pelo Ministério da Saúde. Técnicos da Anvisa deverão ser enviados ao país vizinho para assessorar as autoridades locais. Tudo muito bom, tudo muito bem, mas talvez o Brasil devesse iniciar sua consultoria ao país vizinho pela frase “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Ao menos no que diz respeito à acefalia da própria Anvisa. Há três cargos vagos na diretoria do órgão regulador, sendo que dois deles desde setembro de 2023.

#Anvisa

Todos os direitos reservados 1966-2026.

Rolar para cima