Skaf “antecipa” posse e se lança como interlocutor entre a indústria e o governo Trump

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Skaf “antecipa” posse e se lança como interlocutor entre a indústria e o governo Trump

  • 8/08/2025
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A posse, marcada para o longínquo 1º de janeiro de 2026, não passa de mera formalidade. Paulo Skaf já pensa, fala, age, articula e conspira como presidente da Fiesp. Ungido ao cargo por aclamação – com 99% dos votos dos sindicatos que compõem a base eleitoral da entidade –, Skaf trabalha, desde já, em busca de um certo protagonismo no imbróglio das tarifas impostas por Donald Trump.

Imbróglio para os outros, que fique claro. Para ele, trata-se de um trampolim para se projetar como interlocutor da indústria brasileira junto aos Estados Unidos e, ao mesmo tempo, se capitalizar politicamente no front interno.

Entre as medidas que devem ser colocadas em marcha de forma imediata está a contratação de um escritório de representação em Washington, com o intuito de estabelecer canais de negociação com autoridades do governo Trump e entidades empresariais, a exemplo da influente US Chamber of Commerce, notória por seu eficiente aparato de lobby montado dentro do Congresso norte-americano.

Skaf pretende ir pessoalmente a Washington e atuar na linha de frente das conversas. O “futuro presidente já em exercício” da Fiesp joga um jogo no qual, a princípio, só tem a ganhar. Ele entra em cena, até prova em contrário, no auge do caos provocado pelas intimidações tarifárias de Trump. No caso de qualquer recuo do presidente norte-americano, Skaf estará no pôster do campeonato.

Durante a sua primeira e longeva passagem pelo comando da entidade, Paulo Skaf jamais deixou de ter seus alinhamentos políticos, vide o Pato da Fiesp, contra o governo Dilma. Tampouco demonstrou prurido em instrumentalizar a instituição em prol de interesses não exatamente setoriais.

Diante desse track record, uma pergunta se levanta: e Jair Bolsonaro, onde entra nesse script? Segundo informações filtradas pelo RR, toda essa valsa entre a Avenida Paulista e Washington estaria combinada com os Bolsonaro. Mesmo porque o próprio clã traz para si, como um ativo, a responsabilidade pelas sobretaxas.

Ou seja: a busca por uma interlocução direta com o governo Trump na tentativa de atenuar o impacto do tarifaço sobre a indústria brasileira não deve ser interpretada como um sinal de distanciamento de Bolsonaro. Skaf está onde sempre esteve, apenas com algum mimetismo.

#Donald Trump #Paulo Skaf

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