Arquivo Notícias - Página 143 de 1964 - Relatório Reservado

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De volta aos trilhos

6/10/2025
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Embora aguardada desde o encontro entre Lula e Trump na Assembleia Geral das Nações Unidas, foi auspiciosa a videoconferência desta manhã devido ao clima positivo e amistoso que ambas as partes confirmaram independentemente. Para um profissional que chama o Itamaraty de “minha Casa”, o mais importante foi o fato de que a notícia da reunião virtual pegou todo mundo de surpresa, não havendo ao que se saiba nenhum vazamento em Brasília ou Washington, embora certamente ela tivesse sido cercada de todo o ritual que envolve os diálogos entre chefes de Estado pois, de outra forma, nosso presidente não estaria acompanhado de seus principais auxiliares nos contatos com os Estados Unidos. Isso significa que a questão já se encontra na mão dos profissionais, quando são bem menores os riscos de acidentes de percurso.

Abre-se assim o espaço esperado para uma discussão de temas econômicos, ficando na lixeira da História a tentativa mal-sucedida de Trump de utilizar o julgamento de Jair Bolsonaro como um pretexto para atacar a soberania brasileira. Essa estratégia, sem dúvida preconizada por figuras malignas como Steve Bannon, atraiu Eduardo Bolsonaro para uma aventura suicida em que ele se julgou, junto a Paulo Figueiredo, capaz de ditar a política da Casa Branca com relação ao Brasil. Como recordação desse desvario, ficarão para sempre as imagens inesquecíveis da imensa bandeira norte-americana na Avenida Paulista e o boné MAGA usado por um Tarcisio sorridente.

Obviamente, Trump – que nada tem de louco pois é um frio negociador sempre disposto a voltar atrás quando as circunstâncias exigem – foi informado de que se transformara no melhor cabo eleitoral de Lula, vivendo meses atrás seu pior momento na política. Mais ainda, entregara de bandeja às forças da esquerda os símbolos nacionais verdes e amarelos que a direita vinha utilizando para caracterizar seu amor à Pátria e à família. Diante do comportamento impávido do Supremo Tribunal Federal, de importantes segmentos do próprio Congresso e sobretudo das ruas, as ameaças ruíram. Nada mais significativo disso do que a circunstância de Trump, em seu discurso na ONU, não haver nem mesmo mencionado o nome de Jair Bolsonaro ou sua condenação a vinte e sete anos de prisão. Para bons entendedores, página virada.

Há quem, ainda hoje, tenha ficado preocupado com a designação de Marco Rubio como principal responsável pelas futuras tratativas com a trinca Alckmin, Haddad e Vieira. Sem dúvida, o Secretário de Estado norte-americano, como muitos descendentes de famílias que tiveram de abandonar Cuba durante o regime de Castro, é uma figura que defende o alinhamento automático dos países da América Latina às diretrizes emanadas de Washington, que gostaria de ver o Brasil se afastar do BRICS, que prefere lidar com um Milei do que com Lula. Mas, a rigor, esses desejos sempre estiveram mais ou menos presentes em nosso relacionamento com os Estados Unidos e o que se vê ultimamente é um domínio absoluto de Trump sobre seus áulicos. Rubio fará o que seu mestre mandar.

Finalmente, conheceremos em breve, como era bem sabido, os reais interesses norte-americanos no tocante às Big Techs e seus data centers, bem como com aos minerais estratégicos e à maior presença do etanol no mercado brasileiro. No outro prato da balança estarão nossos interesses em eliminar os 40% de tarifas punitivas, já aplicada a uma gama bem menor de produtos do que se temia no primeiro momento, contando, nesse caso, com o trabalho dos empresários prejudicados nos dois países.

O que se recomenda agora é grande sobriedade da parte do Palácio do Planalto – aliás já visível desde que Lula se aprestava a ir a Nova York –, a necessária tranquilidade para que os profissionais possam trabalhar longe das luzes da ribalta. Repor um comboio de trens nos trilhos é tarefa de engenheiros especializados.

#Jorio Dauster #Lula #Trump

Brasil não está sozinho: países acumulam casos de intoxicação por metanol

6/10/2025
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O Brasil não é caso isolado. Com o objetivo de afinar os protocolos de atendimento às vítimas, a área técnica do Ministério da Saúde está debruçada sobre episódios recentes de adulteração de bebidas alcoólicas em larga escala em outros países. A Rússia, por exemplo, enfrenta neste momento uma crise de saúde pública similar. Desde o fim de setembro, ao menos 25 pessoas morreram em Slantsy, próximo a Leningrado, após comprar garrafas de vodca que continham metanol. O macabro benchmarking que orienta as equipes do Ministério de Saúde reúne tragédias semelhantes em outras latitudes. Entre janeiro e março deste ano, ao menos 160 pessoas morreram e outras 230 foram hospitalizadas na Turquia após contaminação por metanol. Em junho do ano passado, foram registradas 65 mortes no sul da Índia após a ingestão de bebidas produzidas ilegalmente. Em março de 2020, em plena pandemia, o Irã contabilizou 2.200 internações e 296 óbitos em uma onda de envenenamentos por metanol.

#Intoxicação #Metanol

Governadores candidatos ao Planalto semeiam um pacote de bondades para o agro

6/10/2025
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A um ano da eleição, os governadores-presidenciáveis da direita parecem disputar quem é capaz de distribuir mais afagos ao agronegócio, uma de suas principais bases políticas e sabidamente um território hostil a Lula. O plantio da vez se dá pelas mãos de Tarcísio de Freitas e de Ronaldo Caiado.

Segundo informações filtradas pelo RR, o governo de São Paulo prepara o lançamento de mais dois Fiagros (Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais), que, juntos, devem passar de R$ 1 bilhão. Os fundos combinarão recursos públicos e privados, com a oferta de cotas ao mercado.

Não é a primeira vez que a gestão Tarcísio faz uso desse mecanismo. O que chama a atenção, agora, é a cifra envolvida. Em maio, o governo de São Paulo criou outros dois Fiagros, mas com valores bem mais modestos – R$ 115 milhões, no total.

Parafraseando o Velho Guerreiro Chacrinha, na política, assim como na TV, nada se cria, tudo se copia. O governador Ronaldo Caiado também prepara o lançamento de um Fiagro, que seria voltado prioritariamente a pequenos e médios produtores.

Assessores de Caiado discutem ainda a hipótese de criação de um FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios), lastreado em recursos públicos, para financiar a cadeia do agronegócio. Ressalte-se que, em agosto, o governo de Goiás já anunciou o lançamento de um FIDC carreado a partir de créditos de ICMS. A iniciativa contemplou a oferta de R$ 800 milhões para diferentes setores da economia. Caberá ao agro a maior fatia, em torno de R$ 300 milhões, ou seja, mais de um terço do valor total.

Parece haver um movimento coreografado entre governadores postulantes ao Palácio do Planalto, tamanho o sincronismo na criação de instrumentos extraordinários para a concessão de crédito ao agronegócio, para além de programas e recursos já previstos nos respectivos orçamentos.

Assim como Tarcísio Freitas e Ronaldo Caiado, Ratinho Jr. e Romeu Zema já anunciaram iniciativas semelhantes. Em junho, o governador do Paraná lançou Fundos de Investimento em Direitos Creditórios, em parceria com instituições financeiras privadas, com a garantia de juros abaixo do mercado. O edital do primeiro lote de FIDCs superou R$ 1 bilhão. Pouco depois, o governo Zema criou um Fiagro de R$ 150 milhões para financiar o agronegócio mineiro.

#Agronegócio #Eleições

Itamaraty faz tour de force no exterior para encher as cadeiras da COP30

6/10/2025
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A um mês da COP30, o Itamaraty lançou uma força-tarefa internacional. O corpo diplomático brasileiro no exterior está mobilizado para acelerar as negociações com os países que ainda não confirmaram presença na Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas em Belém. A missão da área de Relações Exteriores é impedir que o Brasil carregue uma marca negativa: a de realizar a COP mais diminuta dos últimos anos. Até a última sexta-feira, apenas 87 países haviam confirmado sua participação. Para efeito de comparação: a COP29, realizada no Azerbaijão, no ano passado, contou com 196 das 198 nações signatárias da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima. A COP28, que ocorreu nos Emirados Árabes, em 2023, teve 189 delegações. No ano anterior, o Egito recebeu representantes de 190 países para a COP27. Tradicionalmente, em eventos dessa natureza, há uma onda de confirmações em cima da hora. Mesmo assim, o número de nações que ratificaram sua presença é preocupantemente baixo. A esta altura do campeonato, o governo já esperava contabilizar mais de uma centena de delegações. O problema é que as notórias dificuldades de hospedagem em Belém aumentam a possibilidade de forfait.

#COP30

Não falta combustível para o Mubadala no Brasil

6/10/2025
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O Mubadala está aditivando seus planos de investimento em combustíveis no Brasil. A Atvos, sua controlada, estuda a construção de mais duas plantas de biometano, além da unidade que será instalada junto à usina sucroalcooleira Santa Luzia, no Mato Grosso do Sul. O investimento total pode passar de R$ 1 bilhão – valor que se somaria aos R$ 2 bilhões já anunciados pela empresa para a implantação de duas usinas de etanol de milho, também no Mato Grosso do Sul. No setor, há informações de que a Atvos avalia ainda entrar na produção de combustível sustentável de aviação (SAF). Significa dizer que o Mubadala passaria a ter duas frentes nesse segmento no Brasil. A Acelen, também controlada pelo fundo soberano de Abu Dhabi, está investindo US$ 3 bilhões para a fabricação de biocombustíveis a partir da macaúba, entre os quais SAF.

#Mubadala

Governo avalia waiver para concessionária do aeroporto de Brasília

6/10/2025
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O Ministério dos Portos e Aeroportos já cogita a possibilidade de suspender temporariamente a cobrança do valor de outorga do Aeroporto de Brasília. O consórcio formado pela argentina Corporación América Airports, acionista majoritária e pela Infraero, terá de pagar neste ano uma parcela de R$ 387 milhões. Com o waiver do governo, o valor só seria desembolsado após o processo de repactuação do contrato da concessionária, que está em discussão na SecexConsenso (Secretaria de Controle Externo de Solução Consensual e Prevenção de Conflitos) do TCU. O Tribunal de Contas tem até o dia 19 de novembro para fechar uma solução. A suspensão do pagamento da outorga seria uma forma de evitar que a concessionária feche 2025 no vermelho, criando ainda mais dificuldades para a permanência da Corporación América no negócio. Caso a cobrança da União se mantenha, a estimativa é que a operadora do aeroporto de Brasília feche o ano com um resultado financeiro negativo acima de R$ 300 milhões. Ressalte-se que os argentinos e a Infraero já fizeram mais de R$ 6 bilhões em aportes para cobrir os déficits da concessão.

#Infraestrutura

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