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A percepção entre os investidores é que a agressiva política de frete grátis do Mercado Livre está com os dias contados. Tudo tem seu tempo. A estratégia acelerou vendas, ampliou a base de compradores e reforçou a posição competitiva da companhia contra plataformas chinesas, mas tem deixado como efeito colateral uma crescente perda de rentabilidade. No primeiro trimestre deste ano, por exemplo, o lucro líquido foi de US$ 417 milhões, queda de 15,6% em relação a igual período em 2025 e inferior até mesmo às projeções já pessimistas do mercado – na casa dos US$ 430 milhões. O Ebitda, por sua vez, recuou quase 20%, para US$ 611 milhões, também abaixo do consenso, de US$ 668,9 milhões. A reação foi imediata: os papéis do Mercado Livre caíram cerca de 6,4% no pós-mercado da Nasdaq. E os investidores já elegeram o vilão.
O diagnóstico é que o frete grátis cumpriu seu papel de defesa e ataque comercial, sobretudo em um ambiente de competição intensa com Shein, Shopee, Temu e AliExpress, mas passou a pressionar demais a última linha do balanço. A companhia também elevou a aposta em vendas diretas, modelo que ajuda a ampliar sortimento e competir em preço, especialmente em eletrônicos, mas ainda pesa sobre o resultado operacional. O dilema do Mercado Livre é clássico: manter o pé no acelerador para não perder tráfego e frequência para os chineses ou calibrar o subsídio logístico para recompor margens. Pelos números do primeiro trimestre, o mercado já escolheu sua interpretação: o crescimento veio, mas caro demais.
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