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Há “química” entre Donald Trump e Claudio Castro?
29/10/2025No Itamaraty e no Palácio do Planalto, há preocupação com a possibilidade de qualquer manifestação vinda de Donald Trump em relação à megaoperação policial no Rio de Janeiro. O temor é que uma eventual fala de Trump sobre o assunto seja interpretada de uma maneira negativa para o governo Lula. Um exemplo: qualquer declaração poderia ser um presente para a extrema direita e a claque bolsonarista, afônica, quase em silêncio, por conta da “química” entre Trump e Lula. A agenda em questão e o timing aumentam a probabilidade do presidente norte-americano chamar o assunto para si. A violenta operação no Rio coincide com os ataques dos Estados Unidos no Caribe e no Pacífico a embarcações supostamente carregadas de drogas. Ressalte-se que o Palácio Guanabara já emitiu sinais à Casa Branca. Há oito meses, o governo do Rio encaminhou um relatório ao governo norte-americano apontando o Comando Vermelho como uma organização internacional com características de grupo terrorista. Ontem, o próprio Castro referiu-se aos alvos da operação da Polícia como “narcoterroristas” – como bem pontuou a colunista Maria Cristina Fernandes, do Valor Econômico, um discurso que “mimetiza” a Casa Branca.
Itamaraty mobiliza embaixador na ONU após nota sobre operação no Rio
29/10/2025O chanceler Mauro Vieira foi encarregado da missão de convocar o embaixador do Brasil na ONU, Sérgio França Danese, para que preste explicações à agência multilateral sobre o morticínio ocorrido na cidade brasileira mais conhecida do mundo. A ONU divulgou nota se dizendo “horrorizada” com a operação no Rio. Para efeito externo, o governo brasileiro fere direitos humanos, é assassino e usa práticas ineficientes contra o crime que assola o país. Os resultados são mais mortes, mais mortes e mais mortes. Caberá a Danese cavar um espaço para dar as explicações do governo brasileiro. A recomendação ao embaixador do Brasil na ONU é que consiga extrair do Alto Comissariado de Direitos Humanos da entidade algum pronunciamento capaz de reduzir, ainda que minimante, o tom da nota divulgada. O risco é que a situação trágica do Rio assuma um papel de maior preponderância entre os temas que serão discutidos na COP 30.
Brasília e Rio blindam Forças Armadas da tragédia na segurança pública
29/10/2025Na conversa entre o ministro Rui Costa e Claudio Castro ficaram acertados dois pontos cruciais dos discursos do governador e do presidente Lula ou qualquer representante que venha a vocalizar o governo central. O primeiro deles, não mencionar em qualquer hipótese a possibilidade de intervenção federal, prevista na Constituição em situações como essa. Até porque a medida implicaria a substituição temporária no comando do estado na segurança pública. O segundo ponto, de acordo com uma alta fonte do governo federal, é evitar ao máximo a citação às Forças Armadas, especialmente ao nome dos comandantes militares. Essa última recomendação foi seguida à risco no caso da explicação sobre a requisição de uso dos blindados da Marinha, encaminhada, em janeiro, ao ministro da Defesa, José Mucio. Ao menos por ora, o projeto é sumir com os militares da tragédia no Rio.
O dia em que o Rio bateu a Faixa de Gaza
29/10/2025Até o momento, Lula não se manifestou sobre a megaoperação operação policial e a barbárie registrada ontem no Rio. O presidente deverá se pronunciar ao longo da tarde, após reunião agendada com o ministro da Casa Civil, Rui Costa. Além das nuances políticas em torno do assunto, o cuidado do Palácio do Planalto se explica também pela repercussão do episódio no exterior. Desde ontem, a Secom monitora a cobertura da mídia internacional sobre o tema. As cenas de guerra no Rio eclodem a menos de duas semanas da abertura da COP30, que trará ao Brasil autoridades de mais de uma centena de países. No Planalto, há também uma preocupação em aquilatar o impacto do episódio sobre a imagem do próprio presidente da República, que acaba de regressar de sua viagem à Ásia, trazendo a reboque a exitosa reunião com Donald Trump. O estrago na imprensa estrangeira foi grande. Levantamento feito pelo RR em mais de 2.600 veículos jornalísticos de 190 países aponta 27.721 menções à tragédia entre às 10h30 de ontem e às 12h30 de hoje (horário de Brasília). Em média, são mais de 145 citações por país ou dez registros por publicação. Significa dizer que, no intervalo de tempo analisado, a mídia internacional produziu 1.066 reportagens por hora sobre a violência no Rio de Janeiro. Talvez tenha sido o dia em que a “Cidade Maravilhosa” eclipsou a Faixa de Gaza e a Ucrânia no noticiário. Uma catástrofe!
O que Claudio Castro não disse (e não deveria mesmo dizer)
29/10/2025Em sua entrevista coletiva concedida há pouco, o governador Claudio Castro procurou claramente manter a firmeza diante da operação policial da véspera e de todas as cenas de violência na cidade do Rio. Castro afirmou que diversos governadores ligaram para ele, nas suas palavras parabenizando-o pela ação e oferecendo ajuda. O que Castro não revelou é que os telefonemas trataram, principalmente, da necessidade ou não de cooperação para “bloquear” as fronteiras. Nas conversas, os governadores manifestaram preocupação com o risco de que fugitivos da megaoperação policial no Rio, notadamente lideranças do Comando Vermelho, se bandeiem para outros estados. Da mesma forma, os chefes de governo externaram a Castro o receio de que esses bandidos contem com o apoio de células da própria facção ou de outras organizações criminosas fora do Rio. Nos contatos, alguns dos governadores mencionaram a intenção de fortalecer o policiamento na entrada dos estados, manifestando até mesmo a possibilidade, no limite, de instalar barreiras de contenção para dificultar o eventual fluxo de criminosos.
Quando perguntado sobre a hipótese de envio de forças de segurança adicionais, Castro disse que não precisa de mais soldados, mas, sim, de recursos para intensificar as ações contra o crime. Um dos grandes desafios neste momento, entre tantos, é evitar o retorno dos criminosos fugitivos às áreas alvo da operação de ontem. É sintomático também que o governador tenha afastado a possibilidade de repetir experiências já fracassadas de ocupação. Esse é um campo minado. Além do fiasco das UPPs, outra forma de ocupação de áreas conflagradas no Rio foi um insucesso ainda maior. A intervenção federal de 2018 não teve o efeito esperado – e contribuiu, inclusive, para macular a reputação das Forças Armadas. Ainda que a operação tenha sido feita no governo Temer, esse é um assunto que remete ao maior aliado de Castro, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Não custa lembrar que o comando da ação militar no Rio ficou a cargo do general Braga Netto, ministro da Casa Civil e candidato a vice de Bolsonaro em 2022. Entre o dito e não dito, o que ficou subentendido nas entrelinhas é que a guerra está longe de terminar. Vem mais por aí.
Governo pode usar Bolsa Família como instrumento de pressão para tributação de bets
29/10/2025
Família Coelho Diniz molda Pão de Açúcar a sua imagem e semelhança
29/10/2025A saída de Marcelo Pimentel da presidência do Grupo Pão de Açúcar, anunciada na semana passada, é apenas a ponta do iceberg. A família Coelho Diniz, que se tornou a maior acionista da companhia, prepara outras mudanças. No mercado, há informações de que o clã busca um nome para assumir a área financeira. Curiosamente, no momento o CFO do Pão de Açúcar, Rafael Russowsky, acumula interinamente o cargo de CEO. Os Coelho Diniz planejam ainda uma reestruturação operacional, com o fechamento de lojas e o reposicionamento das bandeiras do grupo. No front financeiro, existe, desde já, pressão dos acionistas para que a gestão agilize metas de desalavancagem e reduza custos fixos. O GPA vai rever contratos de locação e redimensionar negócios com baixo retorno de capital. No varejo digital, há informações no setor de que os Coelho Diniz pretendem impulsionar o marketplace e os negócios de e-commerce, relegando parte da ênfase das lojas físicas para canais de alto crescimento — proporcionalmente, com um volume menor do capex para expansão da rede física. No mercado, existe o entendimento de que, nos últimos anos da gestão Casino, o Pão de Açúcar perdeu competitividade frente a players digitais.
EPR acelera em direção à Rodovia Fernão Dias
29/10/2025A EPR, leia-se Equipav e Perfin Investimentos já fez chegar ao ministro dos Transportes, Renan Filho, o interesse em disputar a licitação da Rodovia Fernão Dias, a BR-381, marcada para 11 de dezembro. Na Pasta, a expectativa é que a Arteris, atual concessionária, também entre no leilão. Terá de confrontar o poder de fogo da EPR. Em três anos, a empresa arrematou sete concessões rodoviárias, com investimentos obrigatórios somados da ordem de R$ 51 bilhões. A mais recente delas foi o Lote 4 de rodovias do Paraná, adquirido em leilão no último dia 23. O que se ouve no setor é que a EPR mantém conversas com o BNDES em torno de um novo financiamento, que daria suporte à investida sobre a Fernão Dias. Em janeiro deste ano, a companhia fechou um empréstimo de R$ 6,4 bilhões com o banco para investimentos em rodovias no Paraná.
Harvest AgTech aduba startups agrícolas no Brasil
29/10/2025O Harvest AgTech, programa criado nos Estados Unidos para financiar startups do agronegócio, está garimpando projetos no Brasil. Os aportes iniciais deverão ser realizados no primeiro semestre do ano que vem. Na partida, o fundo dispõe de US$ 60 milhões. O que se diz no mercado é que um terço desse valor será destinado à América Latina, com ênfase no Brasil. Por trás do Harvest AgTech estão pesos-pesados do venture capital, como o banco norte-americano Wells Fargo e o The Yeld Lab Latam, que congrega recursos de grandes grupos empresariais, como a Nestlé e a mexicana Bimbo. Além de capital, as startups apoiadas pelo programa receberão suporte técnico e validação científica em parceria com centros de pesquisa norte-americanos, como a North Carolina Plant Sciences Initiative e a University of California Agriculture & Natural Resources.