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Segurança
Em sua entrevista coletiva concedida há pouco, o governador Claudio Castro procurou claramente manter a firmeza diante da operação policial da véspera e de todas as cenas de violência na cidade do Rio. Castro afirmou que diversos governadores ligaram para ele, nas suas palavras parabenizando-o pela ação e oferecendo ajuda. O que Castro não revelou é que os telefonemas trataram, principalmente, da necessidade ou não de cooperação para “bloquear” as fronteiras. Nas conversas, os governadores manifestaram preocupação com o risco de que fugitivos da megaoperação policial no Rio, notadamente lideranças do Comando Vermelho, se bandeiem para outros estados. Da mesma forma, os chefes de governo externaram a Castro o receio de que esses bandidos contem com o apoio de células da própria facção ou de outras organizações criminosas fora do Rio. Nos contatos, alguns dos governadores mencionaram a intenção de fortalecer o policiamento na entrada dos estados, manifestando até mesmo a possibilidade, no limite, de instalar barreiras de contenção para dificultar o eventual fluxo de criminosos.
Quando perguntado sobre a hipótese de envio de forças de segurança adicionais, Castro disse que não precisa de mais soldados, mas, sim, de recursos para intensificar as ações contra o crime. Um dos grandes desafios neste momento, entre tantos, é evitar o retorno dos criminosos fugitivos às áreas alvo da operação de ontem. É sintomático também que o governador tenha afastado a possibilidade de repetir experiências já fracassadas de ocupação. Esse é um campo minado. Além do fiasco das UPPs, outra forma de ocupação de áreas conflagradas no Rio foi um insucesso ainda maior. A intervenção federal de 2018 não teve o efeito esperado – e contribuiu, inclusive, para macular a reputação das Forças Armadas. Ainda que a operação tenha sido feita no governo Temer, esse é um assunto que remete ao maior aliado de Castro, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Não custa lembrar que o comando da ação militar no Rio ficou a cargo do general Braga Netto, ministro da Casa Civil e candidato a vice de Bolsonaro em 2022. Entre o dito e não dito, o que ficou subentendido nas entrelinhas é que a guerra está longe de terminar. Vem mais por aí.
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