Governo bate cabeça e deixa “Embrapa do Mar” à deriva

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Governo bate cabeça e deixa “Embrapa do Mar” à deriva

  • 11/12/2025
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O projeto de criação da “Embrapa do Mar” tornou-se um oceano de discórdia dentro do governo. Casa Civil, Ministério da Ciência e Tecnologia, Ministério da Agricultura, Marinha, BNDES, Finep, CNPq estão batendo cabeça em torno da proposta de montagem de uma empresa capaz de consolidar, sob um único guarda-chuva, a pesquisa, o desenvolvimento tecnológico e a exploração sustentável dos recursos marinhos brasileiros. O que se vê nos bastidores é uma entropia institucional entre agentes que até agora não conseguiram avançar um centímetro nessa pauta: não há liderança definida, cronograma, metas estabelecidas e, muito menos, o mapa do dinheiro, ou seja, de onde sairão os recursos para financiar a iniciativa. Em meio a tamanha falta de sintonia, a cota de sensatez tem sido preenchida pela própria Embrapa. A presidente da estatal, Silvia Massruhá, tornou-se uma das principais, se não a principal defensora do projeto. Propostas de formato societário não faltam. Uma engenhosa construção é que a “Embrapa do Mar” adote um modelo similar ao da Petrobras. A União teria o controle acionário, com a maior parte do capital votante nas mãos da própria Embrapa. O restante das ações seria ofertado em mercado. Além de colocar o Brasil na rota da chamada economia azul, essa configuração permitiria a obtenção de recursos para o financiamento da estatal, que sofre de notória aridez orçamentária. Ou seja: a “Embrapa do Mar” ajudaria na capitalização da “Embrapa da Terra” – ao lado da Embraer um dos dois grandes cases de sucesso do Brasil na área de pesquisa e desenvolvimento tecnológico.
A ideia é que a nova empresa seja no mar o que a velha Embrapa é, há décadas, em solo. Cerca de 60 atividades econômicas podem ser desenvolvidas a partir das riquezas existentes no oceano. Entre outros setores, entram nesse rol agricultura marinha, biotecnologia, extração de matérias-primas para fármacos, exploração de minerais críticos e produção de fertilizantes a partir de macroalgas. Neste último quesito, por exemplo, os investimentos conduzidos a partir da “Embrapa do Mar” permitiriam ao Brasil se livrar de uma grave dependência do fertilizante importado, inclusive de contratos firmados entre grandes grupos do agronegócio e fabricantes de fertilizantes internacionais, sobretudo da Rússia. Fala-se até de um cartel russo do adubo. Estudos da própria Embrapa indicam que, em determinados tipos de solo e em culturas específicas, o uso de biofertilizantes pode aumentar a produtividade agrícola em mais de 30%.

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