Buscar
Destaque
Puro suco de Brasil: enquanto o Ministério de Minas e Energia e o ONS (Operador Nacional do Sistema) se digladiam, deficiências estruturais no setor elétrico estão colocando em risco um pacote de investimentos da ordem de R$ 150 bilhões. O impasse em questão envolve a implantação do hub de hidrogênio verde de Pecém, no Ceará. Até o momento, as empresas à frente do projeto, a australiana Fortescue, a francesa Voltalia e a Casa dos Ventos, não têm garantias quanto à ligação das futuras plantas do complexo à rede elétrica.
A conexão é condição sine qua non para assegurar o fornecimento da energia renovável necessária para a produção de hidrogênio verde. Sem o acesso ao Sistema Interligado Nacional (SIN), o hub cearense seguirá exatamente onde está: no papel. O enredo é quase kafkiano: não faltam investidores, há bilhões em recursos privados sobre a mesa, mas o processo está parado no labirinto da tecnocracia.
A Fortescue solicitou ao ONS autorização para se conectar ao SIN, mas teve seu pedido negado. Segundo informações filtradas pelo RR, Voltalia e Casa dos Ventos também fizeram requisições similares, até o momento sem resposta. Nos bastidores, o que se vê é um jogo de empurra entre autoridades do setor.
Em petit comité, a direção do ONS alega que não há viabilidade técnica para atender aos pedidos devido à escassez de linhas transmissoras na região. E joga a responsabilidade no colo do Ministério de Minas e Energia, a quem atribui o atraso de projetos para a expansão da rede de transmissão no Nordeste. Por sua vez, assessores do ministro Alexandre Silveira rebatem e dizem à boca miúda que o problema se deve a falhas no ONS no planejamento da operação eletroenergética.
Trata-se de um imbróglio, a um só tempo, corporativo e político. Segundo o RR apurou, o assunto já escalou do Ministério de Minas e Energia para a Presidência da República. O governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), tem buscado junto ao próprio Palácio do Planalto uma solução para destravar a construção de linhas de transmissão no estado. Há muito capital em jogo, não apenas financeiro como político. Freitas tem uma reeleição para disputar em 2026 e não quer nem ouvir falar no risco da instalação do hub de hidrogênio verde não começar neste ano. Estima-se que o empreendimento vai gerar quase dez mil empregos diretos e indiretos no Ceará.
Todos os direitos reservados 1966-2026.