China desponta como parceiro estratégico de data center da Casa dos Ventos

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China desponta como parceiro estratégico de data center da Casa dos Ventos

  • 19/08/2025
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Há um algoritmo ainda não revelado no projeto de instalação do data center da Casa dos Ventos no Complexo Industrial de Pecém, no Ceará: de onde sairão os recursos para financiar o megaempreendimento, orçado em aproximadamente R$ 50 bilhões? A resposta pode estar em Pequim.

No setor corre em petit comité que a Casa dos Ventos – leia-se o empresário Mário Araripe e sua sócia, a francesa TotalEnergies – negocia um empréstimo junto a um grupo de bancos e fundos chineses. Na linha de frente estaria o China Internet Investment Fund (CIIF), um dos China Government Guidance Funds – ou seja, os chamados fundos de orientação do governo chinês, criados para promover e executar interesses estratégicos da política industrial do país.

O CIIF já aportou mais de US$ 15 bilhões em projetos digitais, incluindo segurança cibernética, IA, big data e computação na nuvem. Uma das empresas apoiadas pelo fundo soberano é a ByteDance, controladora do TikTok. Por sinal, a big tech chinesa, maior concorrente global das plataformas sociais norte-americanas, é apontada no mercado como futura cliente do data center.

Mais do que isso: no mercado, segundo informações filtradas pelo RR, outros grupos chineses da área de tecnologia podem vir a ser usuários da estrutura de armazenamento de dados em Pecém. É o caso da Huawei e da gigante do e-commerce Alibaba.

Em contato com o RR, a Casa dos Ventos informou que “mantém conversas com potenciais parceiros que possam complementar e colaborar com a viabilização do projeto”. Questionada sobre o acordo com o TikTok, a empresa disse que “existem grandes players de tecnologia global com compromissos públicos de operar com 100% de energia limpa, impulsionados pelos compromissos globais de ESG. A Casa dos Ventos segue dialogando com diversos possíveis parceiros conectados com a jornada de descarbonização”. Perguntada especificamente sobre o financiamento de bancos e fundos chineses, a companhia não quis comentar.

A se confirmar o financiamento chinês, a Casa dos Ventos pegará uma oportuna carona na corrida entre os dois grandes contendores globais por data centers. China e Estados Unidos travam uma disputa estratégica por infraestruturas de armazenamento de dados e também por energia para supri-las. É a “AI Cold War”, ou guerra fria da Inteligência Artificial, expressão citada pela primeira vez em artigo assinado pelo cientista político Ian Bremmer e pelo jornalista Nicholas Thompson para a tradicional revista norte-americana Wired.

Os data centers consumiram no ano passado cerca de 415 TWh, algo como 1,5% da eletricidade total do mundo – olhando-se apenas para os Estados Unidos, esse índice já é superior a 4%. Estima-se que a demanda vai mais do que dobrar até 2030.

Energia, a Casa dos Ventos tem de sobra. Um dos principais players de geração renovável do Brasil, a empresa vai produzir dentro de casa os 300 MW inicialmente previstos para a entrada em operação do data center no Ceará. O projeto já contempla o aumento da capacidade para 900 MW.

Em tempo: nos últimos dias surgiram na mídia informações sobre a possível participação do Pátria Investimentos na instalação do mega data center da Casa dos Ventos no Ceará. Ressalte-se que a gestora criou recentemente a Omnia, uma plataforma de armazenamento de dados em hiperescala voltada a atender à crescente demanda por infraestrutura para inteligência artificial.

A empresa terá como foco a construção e operação de data centers chamados de ultragrande porte, que serão integralmente alimentados por energia renovável. Sinergia com o empreendimento da Casa dos Ventos não falta. Consultado pelo RR, o Pátria não se manifestou.

#Casa dos Ventos #China

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