Buscar
Saneamento
O governo do Rio Grande do Norte e o BNDES já trabalham com a possibilidade de empurrar para 2027 o leilão da PPP de esgotamento sanitário da Caern, inicialmente previsto para este ano. Nos bastidores, cresce a avaliação de que o projeto pode enfrentar o mesmo problema que já assombra outras operações de saneamento: excesso de oferta de ativos e fadiga dos investidores. O mercado ainda absorve o impacto do megaleilão de Pernambuco, realizado no fim de 2025, que sozinho movimentou R$ 18,3 bilhões em investimentos previstos, além do tumultuado processo de privatização da Copasa, que ontem sofreu um duro revés. O governo mineiro decidiu suspender a etapa de escolha de um sócio de referência depois que os interessados não se dispuseram a pagar o preço mínimo estipulado. Se a Copasa, considerada a joia da coroa do setor, tem dificuldade de levar adiante sua desestatização, o que dizer, então, do leilão da Caern?
Há ainda percalços internos no cronograma. O projeto do Rio Grande do Norte continua em fase de estruturação e consulta pública, em um estágio mais incipiente do que PPPs de Ceará e Goiás. A modelagem prevê investimentos entre R$ 3,2 bilhões e R$ 4,1 bilhões para coleta e tratamento de esgoto em 48 municípios, alcançando cerca de 1,8 milhão de pessoas. O objetivo é universalizar o esgotamento sanitário até 2033. O problema é que, no ambiente atual, grupos privados passaram a selecionar com muito mais rigor onde vão alocar capital e capacidade operacional. Para parte do mercado, o risco é o RN acabar entrando no pipeline em um momento de saturação de projetos
Todos os direitos reservados 1966-2026.