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O que precisa ser dito

Copa do Mundo, apostas e responsabilidade

28/05/2026
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A próxima Copa do Mundo será o primeiro grande teste internacional do mercado brasileiro de apostas em ambiente regulado, monitorado e formalizado. E o setor não pode chegar a esse evento tratado como experimento. 

No primeiro ano completo de regulação, 25,2 milhões de brasileiros apostaram em empresas autorizadas. No mesmo período, mais de 25 mil sites ilegais foram bloqueados pela Secretaria de Prêmios e Apostas, do Ministério da Fazenda, em parceria com a Anatel. 

A Copa vai ampliar todas as frentes ao mesmo tempo: audiência, tráfego, campanhas, pressão sobre meios de pagamento, atendimento ao consumidor, exposição das marcas, risco de comunicação inadequada, atuação de operadores ilegais e demanda por mecanismos reais de proteção. 

Esse cenário exige que o debate público abandone o atalho fácil. Não se regula um setor dessa escala com manchetes, moralismo ou resposta emocional de curto prazo. Regula-se com dados, fiscalização, tecnologia, cooperação institucional e capacidade de separar, de forma objetiva, quem opera dentro da lei de quem continua à margem dela. 

Apostas exigem controles concretos: KYC, prevenção à lavagem de dinheiro, jogo responsável, bloqueio de menores e impedidos, autoexclusão, publicidade responsável, monitoramento de integridade e canais efetivos de resposta ao consumidor. 

Esse é o ponto central às vésperas da Copa: a demanda por apostas não desaparece porque parte do debate público prefere que ela não exista. Ela apenas muda de endereço. 

A escolha é entre canalizar essa demanda para operadores autorizados, auditáveis, tributados e sujeitos a obrigações regulatórias, ou empurrá-la para sites clandestinos, sem identificação adequada, sem ferramentas de proteção, sem arrecadação, sem fiscalização e sem responsabilização. 

A Copa será vitrine, mas também será filtro. Vai expor quem investiu em tecnologia, compliance, atendimento, prevenção e integridade. E vai escancarar as brechas exploradas pelo mercado ilegal. 

O Brasil deu um passo relevante ao tirar esse setor da informalidade e colocá-lo sob supervisão estatal. Agora precisa resistir à tentação de tratar uma agenda complexa como se fosse um problema simples. 

Por isso, a discussão séria não é ser contra ou a favor das apostas. É como garantir que uma atividade que já existe, movimenta bilhões, arrecada bilhões, reúne milhões de usuários e será colocada sob forte pressão durante a Copa opere com mais controle, transparência, proteção ao consumidor e menos espaço para o ilegal. 

A Copa vai testar o setor. Mas também vai testar a qualidade da regulação, da fiscalização e do debate público. E nenhum deles pode funcionar no improviso. 

#apostas #Copa do Mundo

O que precisa ser dito

É arrecadação que o governo quer? As bets estão entregando

9/09/2025
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Segundo o primeiro relatório semestral do SIGAP (Ministério da Fazenda), divulgado em agosto,17,7 milhões de brasileiros realizaram apostas no 1º semestre de 2025. No perfil, 71% são homens, 28,9% mulheres e 27,8% têm entre 31 e 40 anos. O setor reportou R$ 17,4 bilhões em GGR (receita bruta do jogo: total apostado menos prêmios pagos), com gasto médio de R$ 983 por apostador ativo no semestre — cerca de R$ 164/mês.

Pelo lado fiscal, o governo informa que a arrecadação das empresas de apostas somou aproximadamente R$ 3,8 bilhões em tributos federais no semestre (IRPJ, CSLL, PIS/Cofins e contribuições previdenciárias). Além disso, as destinações sociais previstas em lei (12% do GGR) totalizaram R$ 2,14 bilhões. Houve ainda R$ 2,2 bilhões em outorgas de autorização e cerca de R$ 50 milhões em taxas de fiscalização. Esses números ajudam a dimensionar o impacto fiscal direto do mercado regulado.

É muito? É pouco? Depende do recorte. A média de R$ 164/mês por apostador não descreve toda a distribuição (há quem gaste bem menos e quem gaste mais). Também não se confunde GGR com “dinheiro perdido”: em mercados regulados, o RTP (Return to Player) costuma ficar acima de 90% nas apostas esportivas e entre 93% e 97% em slots, o que significa que parte substancial do valor apostado retorna como prêmio ao longo do tempo; o GGR é justamente a diferença — os R$ 17,4 bilhões no semestre. (RTP é expectativa de longo prazo, não garantia individual.)

Outro ponto estrutural é a regulação: com 2025 marcando a plena vigência das regras, o governo reporta fiscalização ativa (como o bloqueio de 15.463 páginas ilegais desde 2024) e diretrizes de jogo responsável (autolimites, educação em riscos, autoexclusão e cooperação com plataformas). Transparência e enforcement são partes do desenho regulatório — e devem seguir em aperfeiçoamento.

Em síntese: os dados indicam escala (17,7 milhões de apostadores), gasto médio relativamente baixo (cerca de R$ 5,50/dia) e relevância fiscal (bilhões em tributos, destinações sociais e outorgas). Isso não significa que “tudo bem” apostar indiscriminadamente; significa que o debate qualificado precisa considerar receitas públicas, retorno aos jogadores (RTP), medidas de proteção e a distribuição real de gastos, evitando tanto o alarmismo quanto a defesa automática do setor. Apostar não é investimento; é entretenimento — e políticas de jogo responsável devem ser tratadas como core de marca, não apenas obrigação legal.

 

Daniel Costa e Silva é jornalista e diretor de Relacionamento com o Ministério da Fazenda da Lindau Gaming Brasil, colaborador especial do Relatório Reservado.

#apostas #Bets

Regulação

Um Lorenzoni é o porta-voz das bets em Brasília

16/12/2024
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Atende pelo nome de Pietro Cardia Lorenzoni um dos mais ativos lobistas do jogo no Brasil. Diretor jurídico da Associação Nacional de Jogos e Loterias, Lorenzoni tem circulado com desenvoltura em Brasília, notadamente junto ao STF, para brecar os pedidos de inconstitucionalidade da Lei 14.790/2023, a “Lei das Bets”. Leva a diversos gabinetes alentados números sobre a geração de empregos e de tributos provenientes da atividade de apostas esportivas. E o fato de ser, como o sobrenome sugere, filho de Onyx Lorenzoni, ex-ministro de Jair Bolsonaro, não lhe tem fechado qualquer porta no governo Lula.

#apostas #Lei das bets

Política

SAF de Gusttavo Lima também está na mira da Justiça

25/09/2024
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As investigações contra o cantor Gusttavo Lima, acusado de integrar um esquema criminoso de apostas ilegais, respingam no seu diversificado cardápio de negócios. Há informações de que a Justiça de Pernambuco apura também o possível uso do Paranavaí para lavagem de dinheiro. Em fevereiro deste ano, o músico comprou 60% da SAF do clube de futebol paranaense, assumindo o controle da empresa. Desembolsou, à época, R$ 3 milhões. É muita ponta amarrada a outra ponta amarrada a outra ponta. A patrocinadora do Paranavaí é o site de apostas Vai de Bet, peça central nas investigações sobre o suposto esquema. Gusttavo Lima era o “embaixador” da plataforma de bets. Mas seu papel, de acordo com as investigações, foi muito além de mero garoto-propaganda. Segundo a Polícia Civil de Pernambuco, no último mês de julho Lima comprou 25% da Vai de Bet.

#apostas #Gusttavo Lima #SAF

Negócios

Alguém aposta que Ronaldo Fenômeno deixaria esse negócio passar? 

22/08/2024
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A “holding” Ronaldo Nazário pode pisar em um novo – e escorregadio – gramado. O ex-atacante tem sido abordado por um grupo de investidores do setor de apostas para tê-lo como sócio de uma plataforma de bets esportivas. Um possível impeditivo seria o fato de Ronaldo ser sócio de um clube de futebol, o Valladolid, da Espanha. Mas fenômeno que é fenômeno tira de letra eventuais conflitos de interesse. O controle do Valladolid – e também da SAF do Cruzeiro, vendida em abril deste ano – não impediu Ronaldo de ser o embaixador da Betfair, uma das maiores casas de apostas do mundo.

#apostas #bets esportivas #Ronaldo Fenômeno

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