Rosas e serpentes são lançadas sobre a área econômica do governo - Relatório Reservado

Análise

Rosas e serpentes são lançadas sobre a área econômica do governo

  • 27/05/2026
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Se existe um profissional do staff da área econômica que caiu nas graças de Lula, ele se chama Gabriel Galípolo. O presidente do BC não pertence ao grupo palaciano, mas tem sido mais ouvido por Lula do que os seus satélites no Planalto. São muitos os telefonemas. Na semana passada, o presidente assistiu, ao vivo, à boa parte do depoimento de Galípolo na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), presidida pelo senador Renan Calheiros, demonstrando entusiástica aprovação. Na visão do presidente da República, Galípolo enfrentou um Renan com faca entre os dentes como se estivesse relaxando no sofá. Não faltaram cascas de banana jogadas pela audiência. Mas o presidente do Banco Central não escorregou em nenhuma. Desarmou com argumentos técnicos um auditório sanguinolento. Tirou de letra o escândalo do Master, empurrando o caso para bem longe do governo. Ele bancou, textualmente, a recusa de “transformar o BC em uma tribuna punitiva”. Até o ex-presidente do BC Roberto Campos Netto acabou sendo defendido das suspeitas levantadas de que ele seria responsável por não identificar o crescimento patrimonial do Master. Galípolo limpou a barra de Campos Neto afirmando que seu comportamento foi técnico e irrepreensível.  Pelo que vem mostrando, o atual presidente do BC é um tigre disfarçado de bom menino.

O fato é que cada vez menos se fala na ausência do protagonismo de Fernando Haddad no campo de batalha da economia política. “Não está fazendo falta”, disse uma fonte palaciana do RR. Gabriel Galípolo é hoje o que Haddad foi ontem, com a vantagem de ter mais viço e contar com afagos do mercado. Foi uma vitória pessoal. Galípolo é um quadro que vem do PT, o que causava calafrios entre os agentes financeiros. Essa desconfiança já se dissipou. Galípolo conquistou o espaço deixado por Haddad e, pode-se dizer, foi além. Até porque o atual ministro da Fazenda, Dario Durigan, é considerado “anódino” no entorno de Lula, É o chamado “tanto faz quanto tanto fez”. Ou, para ser mais preciso, desempenha o papel de um cumpridor das ordens de gastos eleitoreiros emanados do Palácio.

Nesse contexto, os olhares já se voltam para 2027. Haddad faz uma campanha meia-bomba e espera o desígnio da sua derrota pré-anunciada. Em caso da reeleição de Lula, já sabe a cadeira em que vai se sentar no próximo governo: a chefia da Casa Civil. Tem 99% de probabilidade de ocupar o cargo. E Durigan, que já teve passagem pela Casa Civil no governo de Dilma Rousseff, repetiria os 99% de probabilidade de se tornar secretário executivo de Haddad, em um quarto mandato de Lula, bisando a dobradinha na Fazenda. E Gabriel Galípolo? Se nada mudar, e tudo indica que não mudará, o presidente do BC pode ser apontado desde já como futuro ministro da Fazenda no Lula IV, se o petista vencer a eleição. Pode ser. Mas, para Galípolo, talvez nem seja um bom negócio. Assim como os ministros do STF, ele é indestituível, blindado que está pelo seu mandato em um BC independente. Já como ministro da Fazenda, pode rodar a qualquer momento.

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