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Política externa
O presidente Lula e a cúpula do governo estão, nesse momento, discutindo no Palácio do Planalto as ações a serem tomadas no âmbito interno e externo depois da decisão do Departamento de Estado norte-americano enquadrar o Brasil no rol dos países narcoterroristas. Apesar do tema estar restrito a uma discussão de caráter civil, espera-se que Lula convoque os comandos das Forças Armadas para discutir o assunto nos próximos dias. Não custa lembrar que os americanos bombardearam navios venezuelanos sem nenhuma evidência de que eles estavam envolvidos no tráfico de drogas. A medida causou espanto geral. Passou ao largo do Itamarati e dos serviços de Inteligência. E ninguém esperava algo tão radical, que pode, inclusive, afetar o sistema financeiro nacional. Mas, a maior preocupação do governo, neste momento, é que a decisão do Departamento de Estado se espraie para a União Europeia, cujos países membros já manifestaram sua preocupação com o crescimento do tráfico de drogas na região, particularmente cocaína. O último relatório da European Union Drugs Agency, de 2025, informou que o ano de 2023 foi o sétimo ano consecutivo de recorde de apreensão da droga no continente. A maior parte do volume de apreensão continua sendo na Bélgica, na Espanha e nos Países Baixos.
Os assessores de Lula lembram que a União Europeia não é iniciante em ações internacionais contra o tráfico de drogas. Mas, diferentemente dos EUA, não usam a diplomacia do big stick norte-americano. A exemplo da experiência com a Colômbia, os europeus preferem ações cooperativas e de responsabilidade compartilhada. O problema maior não seria um “quase golpe” no estilo trumpista, mas a soma de vozes. Qualquer eco da medida dos EUA em outra parte do mundo reforça o que mais ameaça o Brasil: a repercussão direta na economia do país. Na verdade, qualquer afirmação que se faça sobre uma possível reação do governo brasileiro ao grave ataque a sua soberania é uma precipitação. Mas uma fonte do RR chamou a atenção para uma possibilidade, inclusive aventada pela publicação: o contra-ataque através de uma campanha internacional contra os paraísos fiscais. O dinheiro do tráfico tem que estar em algum lugar. E para coibir seriamente a circulação das drogas é preciso fechar os cofres onde o dinheiro está depositado. E todo mundo sabe onde eles estão localizados.
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