Risco político contamina a água da Copasa - Relatório Reservado

Infraestrutura

Risco político contamina a água da Copasa

  • 29/05/2026
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O risco político tem pesado — e muito — sobre o cambaleante processo de privatização da Copasa. O que acontecerá com a empresa caso o atual governador, Mateus Simões, perca a eleição, como todas as pesquisas indicam que ocorrerá? Essa é a questão que ajuda a explicar a cautela dos investidores. Uma eventual troca de comando em Minas Gerais poderá abrir espaço para contestações à privatização, revisão de decisões tomadas no fim do governo Zema ou uma guerra jurídica em torno dos contratos que sustentam o valuation da estatal. O risco é mais profundo do que a simples hipótese de um novo governador tentar desfazer a venda. A Copasa correu para renovar contratos municipais antes do leilão justamente para entregar ao investidor uma empresa com receita mais previsível. O caso mais sensível é Belo Horizonte. A concessão da capital, que iria até 2032, foi prorrogada até 2073. A assinatura foi tratada pelo mercado como peça-chave para a privatização, mas virou munição para deputados, vereadores e entidades que questionam a legalidade do acordo.
Há representações no Tribunal de Contas de Minas Gerais contra a renovação. A tese dos críticos é direta: um contrato com vencimento em 2032 não poderia ser esticado por mais quatro décadas, até 2073, sem nova licitação, sem consulta pública mais ampla e em meio a um processo de privatização. Parlamentares também argumentam que a venda da Copasa mudaria a natureza jurídica da prestadora de serviço, o que poderia descaracterizar as bases do contrato original com Belo Horizonte.
Outro ponto sensível são os pagamentos para amarrar municípios ao novo desenho. Em Belo Horizonte, a renovação prevê repasses de cerca de R$ 1,3 bilhão a R$ 1,7 bilhão à prefeitura, segundo diferentes levantamentos publicados. Em paralelo, a Copasa costurou com a Associação Mineira de Municípios a antecipação de até R$ 350 milhões a cidades do interior, como forma de acelerar a renovação de concessões até 2073. Para investidores, isso resolve parte do problema contratual; para adversários da privatização, cria uma nova linha de ataque: a de que a estatal estaria pagando caro para blindar a venda.
A primeira tentativa do governo mineiro de atrair um acionista de referência ficou abaixo do esperado: as propostas apresentadas pela Equatorial e pela Aegea não atingiram o preço mínimo exigido pelo estado. A resposta do governo foi mexer nas condições da operação para tentar tornar o ativo mais palatável. O problema é que a dificuldade de preço não nasce apenas da planilha. Está também na dúvida sobre o que acontecerá com a Copasa depois da eleição.

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