Corre no setor elétrico que a direção global da Enel, à frente o CEO, Flavio Cattaneo, virá em peso ao Brasil nos primeiros dias de 2026. O objetivo seria cumprir uma intensa agenda de reuniões com autoridades em Brasília e em São Paulo, a começar pelo próprio presidente Lula e pelo governador Tarcísio de Freitas. Na bagagem, Cattaneo traria o anúncio de um novo e alentado plano de investimentos no Brasil, literalmente uma moeda de troca na tentativa de evitar a caducidade da concessão da Enel São Paulo. Trata-se de um script com ar de déjà vu. Nos últimos dois anos, o executivo tornou-se figurinha fácil no país, sempre com a promessa de mais aportes nas operações do grupo. Em junho do ano passado, esteve com o próprio Lula, quando colocou sobre a mesa a garantia de que os investimentos da Enel no Brasil seriam duplicados.
Não adiantou muito. A reputação do grupo junto ao governo federal e, sobretudo, à dupla Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo, está eletrocutada devido às seguidas crises no fornecimento de energia em São Paulo. Consultada pelo RR, a Enel limitou-se a reproduzir comunicado divulgado à imprensa na semana passada. Entre outros pontos, a empresa afirma que, “desde que assumiu a concessão, em 2018, até 2024, investiu mais de R$ 10 bilhões em São Paulo. Para o período de 2025 a 2027, a distribuidora aprovou um plano de investimentos recorde, atualmente em execução, no valor de R$ 10,4 bilhões”. Perguntada especificamente sobre a vinda de Cattaneo ao Brasil e a possibilidade de um novo programa de investimentos no país, a Enel não se manifestou.