Mercado
Aegea e BRK Ambiental entram juntas na estreita curva dos IPOs
No mercado, a percepção é que Aegea e BRK Ambiental estão disputando uma corrida na qual apenas uma deverá cruzar a linha de chegada. Se muito. A maratona em questão se refere ao anúncio simultâneo do plano das duas empresas de abrir o capital na B3 no primeiro semestre de 2026. Entre os investidores prevalece a leitura de que não há demanda para dois IPOs concomitantes no setor de saneamento. Talvez não exista sequer para um, a julgar pelo carry over do mercado brasileiro de capitais: a última listagem na B3 ocorreu em 2021. As duas empresas terão de disputar o mesmo recorte de investidores em um ambiente no qual a renda fixa ainda oferece retornos mais elevados. Além disso, há o risco de uma operação canibalizar o valuation da outra, o que dá ainda mais um ar de duelo na possível abertura de capital da Aegea e da BRK. Se o primeiro IPO sair com desconto relevante para garantir demanda, tende a se tornar a nova referência de múltiplos do setor. Quem vier depois pode ser forçado a aceitar um preço ainda mais baixo. No caso da Aegea, leia-se Equipav, Itaúsa e GIC, fundo soberano de Cingapura, há ainda um fator adicional de pressão sobre a precificação do papel: o elevado nível de alavancagem da companhia. No balanço de setembro, a relação dívida líquida/Ebitda chegou a 3,7 vezes, contra 3,5 vezes no terceiro trimestre do ano passado.