Irmãos Grendene pisam em caminhos opostos - Relatório Reservado

Irmãos Grendene pisam em caminhos opostos

  • 23/04/2014
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Os irmãos Grendene, que carregam o mais famoso brasão da indústria calçadista nacional, são personagens unidos pelo sangue e separados pelos números de suas respectivas companhias. De um lado, está a Vulcabras, pertencente a Pedro, que leva amarrada aos cadarços uma dívida de R$ 1,3 bilhão (nove vezes o patrimônio líquido) e mais de R$ 740 milhões em prejuízos nos últimos três anos; do outro, a Grendene, controlada por Alexandre, que, no mesmo triênio, somou um lucro superior a R$ 1,2 bilhão. A primeira fechou 12 fábricas desde 2011; a segunda ganhou cinco pontos de market share em igual período. E, diante de trajetórias recentes tão assimétricas, Pedro não pode sequer se dar ao luxo de nutrir sentimentos de rivalidade, tão naturais entre irmãos, notadamente entre gêmeos, como é o caso. Hoje, o sucesso da Grendene é sua única garantia de lucratividade. Os cansados pés de Pedro só encontram conforto na participação minoritária de 16,5% na companhia – Alexandre, ao contrário, não tem qualquer vínculo com a Vulcabras. No entanto, esta providencial interseção societária pode estar com os dias contados. Segundo fontes próximas a  família, Alexandre Grendene estaria se movimentando para comprar as ações em poder do irmão, o que lhe permitiria saltar de 41% para quase 58%. Antes que alguém visualize um cenário fratricida, é bom que se diga: as relações entre os Grendene vão bem, obrigado. No entanto, irmãos, irmãos, business a  parte. Alexandre Grendene enxerga uma conjunção de fatores bastante propícia para assumir a maioria absoluta do capital votante de sua empresa. O maior deles é o momento de fragilidade de Pedro Grendene. Nos últimos anos, em meio aos recorrentes prejuízos e ao drástico processo de reestruturação da Vulcabras – que lhe obrigou, inclusive, a reassumir a gestão executiva -, o empresário teve de colocar dinheiro do próprio bolso na companhia. Ao mesmo tempo, o preço das ações da Grendene também estimula Alexandre a dar o bote sobre a participação do irmão. Não obstante os excelentes resultados da companhia o papel não resistiu aos solavancos das bolsas: nos últimos 12 meses, acumula uma queda de 34%. Mesmo fontes familiarizadas com os passos e sobrepassos da família Grendene não se arriscam a dizer qual será o desfecho deste enredo. Por ora, ficam com o provocativo comentário que ecoa nos bastidores da indústria calçadista: hoje, o melhor negócio de Pedro Grendene é ser irmão de Alexandre Grendene – assertiva que vale tanto para sua permanência quanto no caso de uma eventual venda das ações na Grendene.

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