Bode monta sua armadilha na Energisa - Relatório Reservado

Acervo RR

Bode monta sua armadilha na Energisa

  • 20/08/2010
    • Share

A família Botelho, dona da Energisa, sempre soube do risco que corria ao colocar o Bode na sala. Agora, chegou a hora de administrar as consequências. O investidor Antonio José Carneiro, dono de 20% das ações ordinárias e de pouco mais de 50% do capital total, tem se movimentado para aumentar sua participação no grupo. Quem conhece de perto o estilo de “”Bode”” sabe que o termo “”negociação”” não se aplica muito bem a  circunstância. Os golpes são no limite do limite da linha de cintura. Carneiro tem feito pressão para que os Botelho vendam diretamente uma parcela de sua participação ou convoquem um aumento de capital, operação que permitiria ao investidor ampliar sua fatia societária. “”Bode”” sabe muito bem onde pisa e quais são as fragilidades do grupo e da família. Parte da premissa de que os Botelho não acompanhariam o aporte, pelo menos não em uma proporção que evitasse uma diluição da sua participação. O que também joga a favor de suas pretensões é o aumento da dívida, que tem reduzido as possibilidades de investimento da Energisa. O passivo de longo prazo já está na casa de R$ 2 bilhões, o dobro do patrimônio líquido. No fim do ano passado, a companhia chegou a emitir cerca de R$ 200 milhões em debêntures para refinanciar parte de suas dívidas. Os Botelho se esquivam como podem dos movimentos de Antônio José Carneiro. Refutam a ideia de um aumento de capital. Estariam, inclusive, preparando uma nova emissão de debêntures com o objetivo de repactuar uma nova parcela da dívida e, desta forma, afastar qualquer necessidade de uma chamada de capital. Antônio José Carneiro trabalha com um número cabalístico: está convicto de que é possível chegar a aproximadamente 35% das ações ordinárias, combinando o eventual aporte de capital com a aquisição de papéis em mercado. Para todos os efeitos, a família Botelho permaneceria no controle. No entanto, a julgar pelo seu histórico, não é difícil imaginar aonde “”Bode”” quer chegar. O exemplo mais recente é o da João Fortes Engenharia. A partir de uma fatia minoritária, não superior a 10%, “”Bode”” diluiu gradativamente a participação da família Fortes por meio de sucessivas aquisições de ações e chamadas de capital até assumir de vez o controle da companhia. A Energisa não é a João Fortes, assim como os Botelho não são a família Fortes. Mas “”Bode”” é sempre “”Bode””. Pouco provável que ele se contente em permanecer como minoritário. Qualquer semelhança entre a sua investida e o redesenho do mercado de energia não é mera coincidência. Apesar da tradição e da gestão de excelência da família Botelho e dos bons resultados recentes, a Energisa não tem fôlego suficiente para acompanhar os passos do andar de cima do setor. Está mais para presa do que para predador. Uma vez no controle, “”Bode”” poderia arrumar a casa e preparar a venda da companhia. É uma das suas especialidades.

Leia Também

Todos os direitos reservados 1966-2026.

Rolar para cima