Política
Redata vira a nova provocação de Alcolumbre ao Planalto
O Redata virou o novo front da guerra nada fria entre Davi Alcolumbre e o Palácio do Planalto. O presidente do Senado tem feito ouvidos de mercador aos sucessivos pedidos para pautar o PL 278/2026, que recria o regime especial de tributação para data centers. A resistência, ao que tudo indica, tem menos relação com o mérito do projeto e mais com sua origem: trata-se de uma proposição direta do governo, concebida para substituir a MP do Redata, que caducou, vejam só, depois de não ser votada no Senado. Desde então, a pressão se acumulou. Geraldo Alckmin já tratou do tema com Alcolumbre; Dario Durigan defende a aprovação como parte da agenda de atração de investimentos; Hugo Motta também entrou no circuito; e entidades como Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica) e Brasscom (Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais) cobram uma solução rápida. A todos, Alcolumbre não diz nem que sim, nem que não.
O projeto concede incentivos fiscais para implantação e ampliação de data centers no Brasil, com exigências ligadas ao uso de energia renovável e indicadores ambientais. Na prática, é uma tentativa de colocar o país na disputa global por centros de dados, infraestrutura de nuvem e inteligência artificial. Cada semana sem votação reforça a leitura de que Alcolumbre, mais uma vez, usa a pauta do Senado como instrumento de vendeta contra o Planalto. E o Brasil? O Brasil que se estrepe. A Brasscom estima que o país pode atrair até US$ 500 bilhões em investimentos em data centers nos próximos cinco anos. Mais efusivo, Alckmin já falou em R$ 2 trilhões. Seja um valor, seja outro, o fato é que essa dinheirama depende da aprovação do Redata.