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A entrada no capital da Cosan é uma operação de várias camadas para o BTG. O mercado começa a destrinchar outros negócios dentro do negócio que despertaram o interesse do banco de André Esteves.
É o caso da Radar, empresa de propriedades agrícolas pertencente ao grupo sucroalcooleiro e à Nuveen Natural Capital, por sua vez controlada pelo Teachers Insurance and Annuity Association of America (TIAA), o poderoso fundo de pensão norte-americano, com mais de US$ 1 trilhão de patrimônio.
Ao se associar à Cosan, o BTG coloca o pé, ainda que indiretamente, em um portfólio com 315 mil hectares em terras, avaliadas em mais de R$ 18 bilhões. Trata-se de um ativo que se encaixa à perfeição com o Timberland Investment Group (TIG), braço de gestão florestal do banco, um latifúndio com 3,8 milhões de hectares na América Latina e nos Estados Unidos e valuation superior a US$ 7,5 bilhões.
No mercado, surgiram, inclusive, rumores de que o acordo fechado com a Cosan permitiria ao BTG incorporar, desde já, a participação do grupo na Radar, assumindo, portanto, uma posição direta no capital da empresa. Consultado pelo RR, o banco negou. Está feito o devido registro. A Cosan, por sua vez, silenciou sobre o assunto, preferindo não comentar.
Pode ser que uma eventual consolidação da Radar venha apenas daqui a seis anos, quando o BTG terá a possibilidade de assumir o próprio controle da Cosan, com base no acordo firmado com Rubens Ometto. Pode ser que venha antes. Tudo tem seu tempo.
O fato é que, direta ou indiretamente, ao ter a Radar sob sua órbita, o banco de André Esteves amplia seu poder de fogo em um negócio estratégico. Por uma combinação de fatores – da busca por segurança alimentar às pressões do mercado por investimentos ESG –, terra tornou-se objeto de cobiça de fundos soberanos, private equities, grandes gestoras de previdência privada mundo etc.
Nos últimos três anos, por meio do Timberland Investments, o BTG tem feito investimentos contundentes nessa área, algumas ao lado de parceiros de peso.
Em agosto, por exemplo, o TIG se uniu à Klabin e à British Columbia Investment Management Corporation (BCI), um dos maiores investidores institucionais do Canadá, na criação de uma plataforma de terras florestais no Sul do Brasil.
Na paralela, o Timberland vem fechando acordos com grandes grupos internacionais, como a Microsoft e a Meta, dona do Instagram e do Facebook, para a venda de créditos de carbono.
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