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O primeiro-ministro de Portugal, António Costa, vai aproveitar sua vinda à posse de Lula, em janeiro, para entabular uma agenda de encontros com o futuro governo. O pedido já foi encaminhado a assessores de política externa do PT. Segundo uma fonte da equipe de transição, no encontro que tiveram em Lisboa no mês passado, Costa externou a Lula o interesse de grupos privados portugueses de infraestrutura de investir no Brasil.
A poucas horas da seleção brasileira entrar em campo pelas oitavas de final da Copa, a CBF comemora uma marca: de outubro para cá, a entidade estima ter tirado de circulação mais de um milhão de camisas piratas. A operação de guerra contra a venda de produtos falsificados – antecipada pelo RR em setembro – tem se dado em várias frentes. A CBF fechou um acordo com o Instagram para derrubar perfis com anúncios de camisas piratas da seleção – segundo RR apurou, mais de 150 contas foram suspensas até o momento. Além disso, a entidade tem pressionado plataformas de e-commerce para coibir a venda de produtos clandestinos. No Mercado Livre, por exemplo, a varredura foi radical: não há um só anúncio de uniformes falsificados, utilizando clandestinamente a marca da Nike. Em tempo: a CBF vai usar essa caçada contra uniformes piratas como moeda de troca na renovação do patrocínio da Nike.
O RR apurou que a BP Bunge deverá bater o martelo até meados de dezembro sobre a venda de suas 11 usinas de açúcar e álcool no Brasil. O pacote sucroalcooleiro é avaliado em torno de R$ 9 bilhões. Raízen e Mubadala disputam o negócio cabeça a cabeça. Informações filtradas da BP Bunge indicam que a proposta do Mubadala foi superior. Mas nunca se deve duvidar do poder de fogo do dueto Shell/Rubens Ometto.
Uma das maiores interrogações destes tempos de “transição”: para onde Tite vai após a Copa do Mundo? No que depender da diretoria do Corinthians, essa pergunta já tem resposta. Emissários do presidente do clube, Duilio Monteiro Alves, sondaram o técnico. Seu alto salário não chega a ser um empecilho. Tite recebe por ano algo próximo de R$ 20 milhões – é o quarto treinador mais bem pago entre todos que disputam a Copa do Mundo. Nada muito distante da remuneração do ex-técnico corinthiano, o português Victor Pereira, que tinha rendimentos na casa dos R$ 18 milhões. Além de toda a história de Tite no Corinthians, jogam a favor do clube a amizade e, digamos assim, uma certa sintonia ideológica entre o técnico e Monteiro Alves. O atual presidente do Corinthians é filho do sociólogo e ex-dirigente do clube Adilson Monteiro Alves, um dos idealizadores da “Democracia Corintiana”, nos anos 80.
O nome de Jaime Verruck, secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico do Mato Grosso do Sul, vem ganhando força para assumir o Ibama no próximo governo. Trata-se de uma indicação de Simone Tebet para um território que, em tese, pertence a Marina Silva, a mais cotada para a Pasta do Meio Ambiente. O comando do Ibama terá uma importância redobrada na gestão Lula. Caberá à nova direção “desmontar o desmonte” feito na era Ricardo Salles à frente do Ministério do Meio Ambiente. Muita boiada passou pelo Instituto à revelia do seu competente corpo técnico.
A absoluta ausência de interlocução com o futuro governo já está levando os secretários estaduais de Fazenda a discutirem ações mais contundentes. Segundo o RR apurou, uma das ideias debatidas no âmbito do Consefaz é uma manifestação pública e conjunta sobre a grave crise fiscal das unidades federativas, com o objetivo de criar constrangimento ao próprio Lula. Até o momento, de acordo com a mesma fonte, os secretários estaduais sequer conseguiram formalizar um canal de interlocução com assessores do presidente eleito na área econômica, não obstante as tentativas de agendar uma reunião conjunta em Brasília.
Os estados têm uma bomba fiscal armada para o ano que vem: uma queda de arrecadação estimada em R$ 124 bilhões. O valor se refere às perdas causadas pelas Leis 192 e 194, que alteraram as regras do ICMS sobre os setores de combustíveis, energia elétrica, transportes e serviços de comunicação. Oito estados já conseguiram uma liminar no STF para reduzir o pagamento de suas dívidas à União como forma de compensar a perda de arrecadação com ICMS. Essa lista tende a crescer. Ontem, a secretaria de Fazenda de Goiás, Cristiane Alkmin, anunciou a intenção do estado de também acionar o Supremo. Mesmo com a fileira de processos no STF, há secretários de Fazenda que pregam uma postura ainda mais forte das unidades federativas diante da crise que se avizinha. Nesse caso, o entendimento é que a reação dos estados ainda não foi à altura do que os governadores chegaram a propalar.
A bola de neve vem crescendo mês a mês. Em outubro, a arrecadação dos estados e do Distrito Federal com o tributo caiu 13,2% em comparação com o mesmo período no ano passado. A perda de receita nos setores de energia e de petróleo foi, respectivamente, de 50% e 25%. Em todas as unidades da federação, a variação do ICMS foi inferior ao IPCA entre outubro de 2021 e outubro deste ano.
Os planos da Shopee para o Brasil vão além do e-commerce. A gigante do varejo online, sediada em Cingapura, é candidatíssima à compra de fintechs, notadamente da área de soluções de pagamento. Os asiáticos têm adotado como prática adquirir startups do setor financeiro e bancos digitais em mercados estratégicos. Foi assim na Indonésia, com a compra do Bank BKE, no ano passado, e em Cingapura, com a incorporação das seguradoras AA Guaranty Assurance e Reliance Surety and Insurance, especializadas em proteção ao crédito. A Sea Limited, holding controladora da Shopee, já anunciou que vai destinar boa parte dos US$ 3 bilhões captados com uma recente oferta de ações, para a compra de fintechs. No Brasil, os asiáticos fizeram um movimento que sinalizam seus planos para a área financeira: recentemente, a empresa recebeu autorização do Banco Central para aumentar de R$ 4 milhões para R$ 44 milhões o capital da SHPP Brasil, sua instituição de pagamento no país.
Todos estes passos andam lado a lado com a forte expansão da operação de e-commerce da Shopee no Brasil. A empresa já conta com seis centros de distribuição no país. No setor, estima-se que os asiáticos tenham movimentado mais de R$ 16 bilhões em vendas no mercado brasileiro no ano passado.
Celso Amorim e Aloisio Nunes Ferreira, os principais formulares da política externa do futuro governo, passaram o dia de ontem em intensos contatos com o Itamaraty e canais diplomáticos da Argentina, Uruguai e Paraguai. O desafio é costurar uma solução “compartilhada” para a crise no Mercosul, deflagrada pelo Uruguai. Amorim e Ferreira buscam garantir um acordo para que o Brasil não defenda punições aos uruguaios durante a reunião de Cúpula dos Chefes de Estado do bloco econômico, programada para a próxima terça-feira, justamente em Montevidéu. A intenção é que o assunto seja retomado apenas no ano que vem, quando a maior liderança do bloco econômico, o Brasil, já terá novo governo.
O encontro em Montevidéu promete ser quente. Brasil, Argentina e Paraguai já fizeram advertências formais ao Uruguai após o país iniciar tratativas para a assinatura de tratados bilaterais com a China e a Parceria Transpacífica fora do acordo do Mercosul. Em nota conjunta, sinalizaram a possibilidade de adotar sanções legais e comerciais contra o Uruguai.
Os números da carteira de microcrédito do Banco do Nordeste (BNB) mostram um preocupante aumento da inadimplência. Segundo o RR apurou, a taxa se aproxima dos 4%, ou seja, o dobro do índice registrado em junho do ano passado. Em grande parte, os dados refletem a delicada situação de micro e pequenas empresas, ainda como efeito da pandemia. Mas dentro do próprio Banco do Nordeste o que se diz é que as eleições também ajudaram a contaminar a carteira. O BNB, um latifúndio de Valdemar da Costa Neto, teria sido espremido além da conta em operações de crédito com motivações eleitoreiras.
No Ministério da Agricultura circula a informação de que a China deverá anunciar, ainda neste ano, o fim do embargo a mais três frigoríficos brasileiros. No início do mês, Pequim retirou a suspensão de um abatedouro da Aurora em Xaxim (SC) e outro da Minuano em Lajeado (RS). No entanto, ainda há sete frigoríficos impedidos de exportar para os chineses, a maior parte embargos decorrentes de suspeitas de contaminação de carne, bovina ou de frango, pelo coronavírus. A punição mais longa recai sobre a BRF: a unidade de aves de Marau (RS) está proibida de vender para a China há um ano.
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