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Os ministros do TSE discutem medidas na tentativa de reduzir o índice de abstenção para as próximas eleições. Uma das ações imediatas deverá ser a realização de campanhas educativas já a partir do próximo ano, bem antes, portanto, do pleito municipal de outubro de 2024. A elevação da multa por ausência – hoje esse valor é meramente simbólico, variando de R$ 1,05 a R$ 3,51 – não está de todo descartada. No entanto, o senão é que o aumento para uma cifra efetivamente punitiva, capaz de desestimular a abstenção, seria uma iniciativa draconiana para eleitores de regiões mais remotas do Brasil, que faltam não por querer, mas pela impossibilidade de chegar ao local de votação.
No entorno de Lula, há quem defenda que ele indique uma jurista negra para a vaga de Ricardo Lewandowski, que se aposentará no STF em maio. Um dos nomes cogitados é o da advogada baiana Vera Araújo. A jurista tem uma longa trajetória vinculada à área de direitos humanos. Entre outros postos, ocupou a Secretaria Adjunta de Igualdade Racial do Distrito Federal e foi diretora executiva da Fundação de Amparo ao Trabalhador Preso (Funap). Em maio deste ano, figurou na lista tríplice de candidatos a ministro-substituto do TSE formulada pelo Supremo Tribunal Federal. No entanto, acabou preterida pelo presidente Jair Bolsonaro. Em tempo: cabe lembrar que Joaquim Barbosa, indicado para o STF pelo então presidente Lula, foi o primeiro negro a presidir a Suprema Corte brasileira.
Os funcionários da Amazon no Brasil terão uma virada de ano de forte apreensão. Da matriz, nos Estados Unidos, chegam informações de que a operação brasileira será duramente atingida pelo plano da companhia de desligar mais dez mil funcionários em todo o mundo. A empresa de Jeff Bezos tem aproximadamente 8,4 mil colaboradores no Brasil. Consultada, ainda que não explicitamente, a empresa sinaliza os cortes no país. Em conversa com o RR, a porta-voz da Amazon, Kelly Nantel, disse que “Como parte do nosso processo anual de revisão de planejamento operacional, sempre olhamos para cada um de nossos negócios e para o que acreditamos que devemos aperfeiçoar. À medida que passamos por isso, dado o ambiente macroeconômico atual, e os últimos anos de contratações de forma acelerada, algumas equipes estão fazendo ajustes, o que, em alguns casos, significa que certas funções deixam de ser necessárias.” Kelly faz questão de enfatizar ainda que “Não tomamos essas decisões de forma leviana e estamos trabalhando para apoiar todos e todas que possam ser afetados.”
Os olhares dos dirigentes da Ômega Energia estão todos voltados para a reunião de daqui a pouco do Conselho Estadual de Meio Ambiente do Ceará. O colegiado vai deliberar sobre o pedido de licenciamento ambiental para a construção de um complexo de geração solar entre as cidades de Aracati e Icapuí, no litoral do estado. Com capacidade de 4,6 GW, este será um dos maiores parques de energia solar do mundo. A Ômega ainda não divulgou oficialmente o valor do investimento, mas, no setor, especula-se que o custo total gire em torno de R$ 8 bilhões. Na cadeia da indústria de energia, já há uma corrida por contratos para a venda de equipamentos. Somente de placas fotovoltaicas serão mais de oito milhões de unidades.
A Shell também vive um momento de transição no Brasil. De acordo com uma fonte ligada à própria companhia, os anglo-holandeses estão reavaliando sua estratégia na área de exploração e produção de petróleo no país. Segundo o RR apurou, um dos cenários discutidos contempla a possibilidade da empresa deixar de atuar como operadora no país. Ou seja: a Shell se limitaria a participações societárias menores em parceria com outras petroleiras, que assumiriam a gestão dos blocos. O timing da “transição” não seria mera coincidência. Às vésperas do retorno de Lula ao Poder, talvez a companhia esteja se adequando, desde já, a uma política, digamos assim, mais “petista” para a indústria de óleo e gás. No setor, por exemplo, já há quem associe a volta do ex-presidente a um novo aperto nas regras sobre conteúdo nacional, amarras que foram sendo desafrouxadas nas gestões Temer e Bolsonaro.
O que vai sair de dentro da concha da Shell em relação ao Brasil ainda é uma incógnita. No entanto, a companhia já tem feito alguns movimentos que sinalizam uma mudança de rota no Brasil. De acordo com a mesma fonte, a empresa procura um comprador para a sua parte no Parque das Conchas (BC-10), que reúne três campos em águas profundas na Bacia de Campos. Sua fatia acionária é de 50% – o restante do capital está dividido entre a indiana Oil and Natural Gas Corporation (27%) e a Qatar Petroleum International (23%). A companhia teria planos de se desfazer também de sua participação no projeto Gato do Mato, na Bacia de Santos. Na semana passada, os anglo-holandeses anunciaram o adiamento dos investimentos no campo. Some-se ainda o fato de que a Shell está descomissionando o campo de Bijupirá-Salema, na Bacia de Campos, do qual é acionista majoritária (80%) e operadora. O pouco que ainda resta de produção na área deve ser definitivamente suspenso no ano que vem.
Em contato com o RR, a Shell informou que “Como acontece em todos os ativos em nosso portfólio, estamos sempre revendo nossas posições, o que é rotina numa atividade de gestão de portfólio.” Sobre Gato do Mato, a empresa confirmou a decisão “de estender o prazo de avaliação do projeto. Com o forte aumento de custos no mercado registrados no último ano e com a persistente incerteza, precisaremos de mais tempo para reavaliar o escopo, o desenvolvimento e a estratégia de contratação do campo.” Em relação à BC-10, a empresa garante que “nenhuma decisão de saída do negócio foi tomada e nós contratamos recentemente uma sonda que fará o trabalho de MOBO e infill. As atividades de integridade do ativo estão sendo realizadas de maneira contínua, e estamos aprofundando os trabalhos referentes ao futuro descomissionamento de BC-10.” O RR perguntou especificamente à Shell sobre a possibilidade de a empresa deixar de atuar como operadora no Brasil. O que disse a companhia? “Continuamos a explorar opções para ampliar nossa presença em águas profundas, como operadores ou não, como demonstramos nos últimos leilões.” Para bom entendedor…
O RR apurou que a Eletrobras planeja anunciar até março de 2023 a construção de sua primeira usina de hidrogênio verde. A produção do insumo se dará a partir da geração de energia solar, em plantas instaladas em reservatórios de hidrelétricas da empresa. A Eletrobras já iniciou análises técnicas em suas maiores usinas, como Paulo Afonso e Sobradinho, para decidir onde será construído o primeiro empreendimento. Na paralela, a empresa tem feito estudos em parceria com a Siemens Energy e o Centro de Pesquisas de Energia Elétrica para a obtenção e domínio do ciclo tecnológico completo do produto. Procurada pelo RR, a Eletrobras não se pronunciou.
O timing não poderia ser mais oportuno. O projeto vai ao encontro dos planos do futuro governo de estimular a produção de hidrogênio verde, tida como um passo vital para o Brasil se consolidar como uma grande potência energética global. Por sinal, há uma notória simpatia mútua entre Wilson Ferreira Junior, presidente da Eletrobras, e setores do próximo governo. O executivo desfruta de grande prestígio, por exemplo, junto a ex-presidente Dilma Rousseff.
A colombiana Habi, startup de compra e venda de imóveis, estaria se preparando para entrar no Brasil. Viria para bater de frente com unicórnios locais, como a Quinto Andar e a Loft. A proptech já recebeu aproximadamente US$ 200 milhões em aportes de capital, liderados, sobretudo, por Tiger Global Management, Endeavor Catalyst e SoftBank Latin America Fund. Os recursos têm bancado a expansão da Habi na América Latina. Recentemente, a empresa desembarcou no México.
A Equatorial Energia pretende disputar o leilão da Corsan – a empresa de saneamento do Rio Grande do Sul. A princípio, a licitação está marcada para dezembro, mas assessores do governador eleito Eduardo Leite já cogitam o adiamento da concorrência para 2023, teoricamente em um cenário mais favorável. Ressalte-se que a Equatorial, leia-se um concílio de investidores peso-pesado, como BlackRock e a canadense CPPIB, já tem um pé no Rio Grande do Sul: controla a distribuidora de energia CEEE.
A eventual aquisição da Corsan seria um forte recado de que o grupo chegou no setor de saneamento para ficar. A Equatorial entrou na área com um negócio proporcionalmente bem menor: a compra da concessão de Amapá, em 2021. Em conversa com o RR, a Equatorial afirmou que “acompanha todas as oportunidades de mercado e tem interesse em manter sua estratégia de investimentos no segmento de saneamento, sempre dentro de uma lógica de disciplina financeira e melhor alocação de capital”. Sobre a Corsan, o grupo disse que “não comenta operações específicas ou que estejam em curso.”
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, fez chegar a assessores de Lula o convite para que o futuro governo brasileiro participe das negociações para um acordo de paz com o Exército de Liberação Nacional (ELN). Petro está retomando as tratativas com a organização guerrilheira colombiana, suspensas há quatro anos – curiosamente, em sua juventude, ele próprio participou de um grupo similar, o extinto M19. Venezuela, Cuba e Noruega já participam do processo de diálogo. No entanto, a atuação direta do Brasil, maior liderança geopolítica da América do Sul, daria outro peso à condução das negociações. Some-se o fato de que o acordo de paz é do interesse brasileiro.
Ainda que as principais bases de operação do ELN, última guerrilha ativa na Colômbia, se concentram na fronteira com a Venezuela, a organização tem ramificações no Brasil há tempos investigadas por órgãos de Inteligência. Há suspeitas de ligações com o Comando Vermelho, maior facção criminosa do Rio de Janeiro. Trata-se de um tema que, não é de hoje, mobiliza a Defesa dos dois países. Em novembro de 2019, por exemplo, o então comandante do Exército da Colômbia, general Nicácio Martínez Espinel, reuniu-se, em Brasília, com o general Edson Pujol, à época no Comando do Exército brasileiro. Consta que, entre outros assuntos, discutiram ações conjuntas de enfrentamento do ELN.
A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, cogita entrar na Justiça para garantir a liberação das verbas necessárias para bancar o esquema de segurança na posse de Lula. Até o momento, a Polícia Federal não dispõe dos recursos necessários para arcar com diversos custos da operação. Falta dinheiro, por exemplo, para pagar o deslocamento e a estadia de agentes da PF em Brasília, que ficarão responsáveis pela proteção a autoridades locais e estrangeiras. É bem verdade que a Polícia Federal, assim como quase toda a máquina pública, está à míngua. No entanto, no PT, o entendimento é que o governo Bolsonaro está deliberadamente retendo verbas que poderiam ser liberadas para o esquema de segurança da posse.
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