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A Vinci Compass prepara os próximos passos da sua ofensiva na Argentina. Após combinar sua operação local de gestão de ativos com a BACS Asset Management, ligada ao Banco Hipotecario, a casa de investimentos de Gilberto Sayão pretende avançar no crédito privado e na área de real estate. A leitura é que a estabilização gradual da economia argentina, a reabertura do mercado de capitais e a demanda reprimida por financiamento corporativo podem abrir espaço para produtos mais sofisticados. No crédito privado, a Vinci vislumbra a oportunidade de ocupar o vácuo deixado por anos de restrição bancária, inflação elevada e baixa profundidade financeira. Empresas médias e grandes voltam a buscar alternativas de funding fora dos bancos, enquanto investidores institucionais procuram instrumentos capazes de capturar prêmios maiores em um mercado ainda em reconstrução. No real estate, a tese passa pela mesma lógica: ativos depreciados, necessidade de capital e eventual retomada do crédito imobiliário podem criar oportunidades em escritórios, logística, habitação e projetos comerciais. A fusão com a BACS dá à Vinci Compass não apenas volume, mas acesso à base do Banco Hipotecario, instituição com forte ligação histórica ao setor imobiliário argentino. Fora o salto na gestão de ativos. Com a incorporação da BACS, a Vinci duplicou sua carteira no país vizinho, chegando a US$ 1,6 bilhão.
O Plano Safra, que será anunciado ainda neste mês, vai trazer uma “bondade” adicional para os agricultores. O governo pretende conceder um desconto nos juros do crédito para os produtores que contratarem seguro rural. Falta definir o calibre do benefício, o que, inclusive, tem sido motivo de divergência entre os Ministérios da Agricultura e da Fazenda. Segundo o RR apurou, o primeiro defende um abatimento de até 1,5 ponto percentual; ao passo que a equipe econômica tenta travar o sarrafo em, no máximo, um ponto percentual, como forma de conter o impacto fiscal da iniciativa. De toda a forma, a lógica por trás da proposta é aproveitar o Plano Safra para reduzir uma anomalia enraizada no agronegócio brasileiro: o país despeja mais de meio trilhão de reais em financiamento agrícola, mas mantém a maior parte das lavouras exposta a riscos, seja de ordem climática, seja conjuntural. Apenas 5% da área cultivada no Brasil estão cobertos por seguro rural. Para efeito de comparação, nos Estados Unidos esse guarda-chuva alcança mais de 80% do plantio. É um descompasso que acaba provocando um círculo vicioso e nefasto para as próprias contas públicas. No fim do dia, a conta cai no colo do Tesouro, vide os custos recorrentes para compensar os crescentes efeitos de catástrofes climáticas, a exemplo das enchentes no Rio Grande do Sul em 2024. O que o governo está tentando é deslocar parte desse risco para o mercado segurador, reduzindo a necessidade de socorro público em casos de quebra de safra. O abatimento nos juros do Plano Safra funcionará como uma espécie de subsídio indireto para estimular os agricultores a contratarem seguro rural. De quebra, será um afago do governo Lula aos produtores rurais às vésperas da eleição.
Um dos desafios do governo é impedir que o desconto nos juros do crédito agrícola tenha um efeito contrário e acabe ampliando uma concentração de recursos nas mãos de quem precisa menos. Para evitar essa captura, a Agricultura e a Fazenda estão desenhando a proposta com régua fina. Uma das ideias é reservar parte do orçamento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) para pequenos e médios produtores. O governo deve ainda criar limites por CPF ou CNPJ, estabelecer cotas regionais e dar prioridade a culturas hoje negligenciadas pelo mercado segurador. Outra possibilidade em discussão é modular o desconto: abatimento maior para produtores fora das regiões mais maduras em seguro rural e menor para quem já opera em mercados plenamente atendidos.
O governo tenta preencher um buraco no solo que ele próprio ajuda a cavoucar, com suas restrições orçamentárias. Em tese, o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) existe para reduzir essa distorção. Na prática, porém, falta adubo financeiro. Para este ano, o PSR prevê um desembolso de apenas R$ 1 bilhão, o equivalente a somente 25% do valor pleiteado pela bancada ruralista. E o que é pior: o programa está sujeito às chuvas e trovoadas dos contingenciamentos no orçamento da União. Em 2025, por exemplo, quase metade dos recursos foi bloqueada.
Surge mais uma possibilidade de delação no ecossistema criminoso do Banco Master. O hacker Victor Lima Sedlmaier, preso pela Polícia Federal em Dubai no último dia 16 de maio, já teria manifestado a intenção de fechar um acordo de colaboração no âmbito da Operação Compliance Zero, segundo uma fonte da própria corporação. Entre os investigadores, há a convicção de que Sedlmaier tem muito a dizer sobre a estrutura paralela de inteligência e monitoramento montada pelo Master. O principal objetivo da PF é chegar à eventual participação de agentes públicos — policiais, servidores de órgãos de controle e integrantes de estruturas de fiscalização — no vazamento de informações e na blindagem informal do banco e de Daniel Vorcaro. Procurada, a PF disse ao RR que “não se manifesta sobre investigações em andamento”.
Os investigadores ainda tentam montar o quebra-cabeças e mapear quem demandava ações específicas, quais operadores intermediavam os contatos e como funcionava o fluxo de pagamentos e contratação das atividades clandestinas. Sedlmaier é apontado pela Polícia Federal como integrante do grupo “Os Meninos”, descrito nas investigações como o braço técnico responsável por ataques cibernéticos, invasões telemáticas, derrubada de perfis digitais e monitoramento ilegal de alvos considerados adversários do grupo ligado ao ex-banqueiro. A PF suspeita que a estrutura atuava para produzir dossiês, rastrear autoridades, intimidar desafetos e acessar informações sigilosas de interesse do esquema.
Virada a página da venda dos ativos na Argentina, os credores da Raízen miram no próximo tanque a ser esvaziado. A pressão dos bancos e bondholders agora é para que a empresa se desfaça da sua operação no Paraguai. Por meio da Raízen Energia (Resa), o grupo é dono de uma participação de 34,9% na Raízen Paraguay, antiga Barcos y Rodados. O controle está nas mãos da família Ortega Echeverria, principal candidato a ficar com o restante das ações. Trata-se da maior rede de distribuição de combustíveis do país vizinho, com aproximadamente 300 postos da bandeira Shell e 150 lojas de conveniência. A alienação dos ativos vai fazer pouca ou quase nenhuma diferença na reestruturação financeira do grupo. Estima-se que a participação na Raízen Paraguay esteja avaliada em torno de US$ 85 milhões – para efeito de comparação, apenas 6% do valor amealhado com a venda da subsidiária argentina (US$ 1,4 bilhão). Em 2025, por exemplo, a operação paraguaia gerou para Raízen Energia pouco mais de R$ 46 milhões em equivalência patrimonial. Para os credores, que, com a conversão da dívida, se tornarão donos de 45% da Raízen, é um negócio que não fará a menor falta.
A chinesa Shandong Gold está garimpando ativos auríferos no Brasil, mais precisamente em Goiás e Minas Gerais. Não é a primeira vez que a empresa ensaia sua entrada no país. Em 2011, ela chegou a fazer uma oferta de US$ 1 bilhão pela aquisição dos ativos da Jaguar Mining em Minas Gerais e no Maranhão, mas as negociações ficaram pelo caminho. A busca por alvarás de pesquisa e lavra em Goiás e Minas Gerais se encaixa na estratégia de internacionalização da companhia. Além da China, a Shandong Gold tem operações em Gana, na Namíbia e na Argentina, onde está um de seus maiores projetos, a mina de ouro de Veladero. Os chineses já investiram US$ 400 milhões na operação. A Shandong Gold tem um portfólio de ativos da ordem de US$ 25 bilhões, dos quais quase 20% estão fora da China. No ano passado, o faturamento global da empresa chegou a US$ 15 bilhões.
A possibilidade de uma nova injeção de capital na Winity Telecom entrou no radar do Pátria Investimentos e da Kinea, os dois principais acionistas da empresa. Segundo informação que circula no mercado, as duas gestoras avaliam o aporte com o objetivo de acelerar a guinada da companhia para infraestrutura móvel no atacado, com foco em redes neutras, cobertura indoor, conectividade corporativa e soluções wireless para operadoras. A Winity atua hoje na locação de infraestrutura passiva de telecom, incluindo torres e rooftops, além de soluções built-to-suit, DAS e SLS. Entre os contratos relevantes está o acordo com o Metrô de São Paulo para prestação de serviços de DAS e Wi-Fi nas Linhas 1, 2 e 3. O alvo agora é ampliar essa base de ativos e ocupar espaços em que as grandes teles preferem dividir capex a construir tudo sozinhas. Procuradas, Kinea e Pátria não se manifestaram.
Ressalte-se que essa “nova Winity” ainda carrega sombras da “velha Winity”. Em 2021, a empresa chegou a arrematar a faixa nacional de 700 MHz no leilão do 5G, pagando cerca de R$ 1,4 bilhão. O plano original era transformar a frequência em uma grande plataforma de infraestrutura móvel compartilhada para operadoras. O projeto, no entanto, esbarrou em uma sucessão de entraves regulatórios. A Anatel passou a impor restrições à utilização da faixa e aos acordos que a Winity pretendia firmar com as grandes teles, comprometendo a viabilidade econômica do modelo de negócios. Por fim, a companhia se viu forçada a devolver a concessão. A controvérsia, porém, ainda está longe de ter sido encerrada. O Conselho Diretor da Anatel avalia a ampliação das sanções contra a empresa, sob o entendimento de que a devolução da frequência não eliminaria automaticamente as obrigações assumidas no leilão nem os efeitos do atraso na execução da política pública associada ao certame.
A polêmica regulatória, ressalte-se, não inibiu a Kinea de apostar na Winity. O braço de private equity do Itaú se junto ao Pátria Investimentos no negócio no fim do ano passado, endossando o potencial de crescimento da empresa. A Fitch, por exemplo, estima que a empresa poderá alcançar receita acima de R$ 155 milhões em 2027, com margem Ebitda superior a 55%.
Corre no mercado que a mexicana Savia Ventures está prospectando novas startups no Brasil. A gestora já fez um investimento na BackChannel, marketplace B2B que conecta estoques excedentes de grandes marcas a pequenos varejistas brasileiros. O alvo agora são foodtechs, e agtechs especializadas em tecnologias climáticas. A movimentação faz parte da estratégia de expansão da gestora na América do Sul. O portfólio dos mexicanos na região já inclui as chilenas Done Properly, foodtech que usa fermentação para produzir ingredientes sustentáveis e alternativas à proteína animal, Strong by Form, startup de biocompósitos de madeira, a argentina Satellites on Fire, climate tech de detecção de incêndios florestais, e a colombiana Ruedata, plataforma de gestão preditiva de pneus. A Savia investe em companhias em estágio pré-seed e seed e seus cheques costumam oscilar entre US$ 1 milhão e US$ 5 milhões.
O ex-ministro da Educação Camilo Santana tem feito gestões junto à equipe econômica na tentativa de destravar verbas bloqueadas da Pasta – o contingenciamento total ultrapassa R$ 1 bilhão. Não se trata de uma demonstração de saudosismo ou de apego ao antigo cargo, mas, sim, de cálculo político. Os cortes no Ministério da Educação acenderam um sinal de alerta no PT do Ceará, onde o atual governador, Elmano de Freitas, está levando uma surra de Ciro Gomes nas pesquisas eleitorais. O bloqueio de verbas tem atingido, sobretudo, a Universidade Federal do estado (UFC) e a Universidade Federal do Cariri (UFCA). A UFCA já foi forçada a reduzir seu já espremido orçamento discricionário em quase 10%, com risco direto sobre ensino, pesquisa, extensão e assistência estudantil. É um prato cheio para Ciro se fartar na disputa eleitoral. O assunto bate diretamente no PT, dada a inevitável vinculação ao partido e, mais especificamente, ao próprio Santana, que, até outro dia, estava à frente da Educação. O ex-ministro está na linha de frente da coordenação da campanha de Freitas à reeleição. Mais do que isso: no PT há quem defenda que ele próprio dispute a eleição caso o atual governador continue derrapando nas pesquisas, nas quais aparece mais de dez pontos percentuais atrás de Ciro. Ressalte-se que, durante a sua passagem pelo Ministério da Educação, Santana anunciou quase R$ 800 milhões em investimentos para instituições federais cearenses, um capital político que corre o risco de perder densidade por conta dos cortes orçamentários. Ciro agradece.
Até onde vai a destemperança de Donald Trump? Ainda aturdidos com a iminência de um novo tarifaço, assessores do presidente Lula estão debruçados sobre diferentes cenários para a escalada de sanções quase terrorista do governo norte-americano. O mais violento golpe, quase um embargo, seria, no limite, que o Brasil viesse a ser excluído do Swift. Trata-se da rede internacional utilizada por mais de 11 mil instituições em mais de 200 países para liquidar pagamentos, transferências bancárias, operações de comércio exterior e transações entre bancos centrais. Seria o caos. Com o expurgo do sistema nervoso do mercado financeiro internacional, por exemplo, os bancos brasileiros ficariam alijados de processar operações internacionais, criando um choque de proporções inéditas para o comércio exterior, o câmbio e os fluxos de capitais. Mesmo que ficasse no território da ameaça, o balão de ensaio já seria uma catástrofe. Esse tipo de punição costuma ser adotado apenas em situações extremas, contra países acusados de ameaçar a segurança global, violar resoluções multilaterais ou praticar agressões militares. O caso mais emblemático é o da Rússia. Após a invasão da Ucrânia, em 2022, União Europeia, Estados Unidos, Reino Unido e aliados decidiram excluir bancos russos selecionados do Swift como parte de um pacote de sanções financeiras. Não consta que o Brasil tenha cometido qualquer ato passível de uma simetria punitiva com uma nação em guerra. Mas também não constava que o PCC e o CV eram organizações terroristas, que o Brasil sofreria uma nova onda de taxação, que trabalhadores brasileiros atuam em condições análogas à escravidão, ou que tenhamos qualquer semelhança com Cuba. Cabe tudo no realismo fantástico de Donald Trump.
Em 2012, bem antes da guerra entre Rússia e Ucrânia, sob forte pressão dos Estados Unidos e da União Europeia, bancos iranianos foram desconectados do Swift como parte das sanções ligadas ao programa nuclear de Teerã. O objetivo era estrangular a capacidade do país de receber pagamentos por suas exportações, acessar financiamento internacional e movimentar divisas. O resultado foi devastador: o comércio exterior iraniano encolheu, a moeda local mergulhou em uma espiral de desvalorização e o sistema financeiro passou a depender de arranjos alternativos, mais caros e menos eficientes.
O caso de Belarus seguiu lógica semelhante. Em 2022, após o apoio dado pelo regime de Alexander Lukashenko à invasão da Ucrânia pela Rússia, a União Europeia determinou a exclusão de importantes bancos bielorrussos da rede. A medida foi adotada em conjunto com congelamento de ativos, restrições comerciais e limitações ao acesso aos mercados de capitais internacionais. Embora o país não tenha sido completamente desconectado do sistema financeiro global, o corte dos principais bancos foi suficiente para elevar os custos das transações internacionais, reduzir o acesso ao crédito externo e aprofundar a dependência econômica de Minsk em relação a Moscou. O Brasil não é o Irã, tampouco a Rússia, nem remotamente Belarus. Talvez seja pior: o Brasil é o Brasil, alvo dos obsessivos e incompreensíveis ataques do governo Trump.
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